Quarta-feira, 07.12.11

Terminou hoje, com uma conferência de Maria Helena da Rocha Pereira, Professora Catedrática Jubilada da Universidade de Coimbra, o primeiro Colóquio Internacional A Literatura Clássica ou os Clássicos na Literatura.

O balanço é, por diversos motivos, positivo. O interesse que o tema despertou no público (universitário, mas não só), a qualidade das comunicações feitas e os próprios oradores, o recital de Luís Miguel Cintra e a mesa-redonda com Hélia Correia, José Mário Silva, Manuel Alegre, Mário de Carvalho e Vasco Graça Moura são prova disso. (Sobre a mesa-redonda, ver a notícia de Isabel Coutinho, do Público).

Tive o privilégio de pertencer à equipa que sonhou, idealizou e montou este encontro científico de primeira água. Foi uma honra.



publicado por Ricardo Nobre às 23:40 | referência | comentar

Sábado, 01.11.08

No prefácio da sua tradução das obras de Salústio, A. J. Woodman, Professor da Universidade da Virgínia, afirma:

In the middle of the last century, when it was taken for granted that classical scholars would know Latin and Greek and that a degree in Classics would involve the study of the classical languages, the general fashion was to translate classical texts into a modern and readable English idiom. But times and fashions change. Contemporary readers and translated classical texts are more diverse than forty or fifty years ago, and their requirements are different. In those days it was no doubt acceptable for a translator to memorize half a page of a Greek or Latin text and then to produce a fluent, if not necessarily exact, English translation from memory. At least one Penguin Classic was indeed produced in this way.

Onde se lê “English”, poderia ler-se, até certa medida, outras línguas modernas. Em Portugal vigorou — e acho que ainda vigora — a moda de que para se ler os autores latinos e gregos se deve saber latim e grego. A tradução dos clássicos em Portugal está cem anos atrasada em relação a outros países europeus, onde há múltiplas traduções — mais ou menos actuais, mais ou menos boas — do património literário da Antiguidade.



publicado por Ricardo Nobre às 10:11 | referência | comentar

Quarta-feira, 22.10.08

Começa segunda-feira um conjunto de iniciativas que celebram os 20 anos da editora Livros Cotovia. De entre essas sessões, destacam-se as ligadas à temática das literaturas antigas, mas aqui fica todo o programa das festas:

27 de Outubro, no CCB – Sala Jorge de Sena, às 21h: lançamento de Peças Escolhidas (vol. III), de Henrik Ibsen, e de Silenciador, de Jacinto Lucas Pires.
1 de Novembro, no CCB – Sala Jorge de Sena, às 16h: Camões (lição do Professor Vítor Manuel Aguiar e Silva).
9 de Novembro, no CCB – Sala Jorge de Sena, das 11h às 13h: Brevíssimo curso de literatura brasileira (com Abel Barros Baptista, Carlos Mendes de Sousa, Clara Rowland, e Osvaldo Silvestre); das 15h às 17h: lançamento de Um crime delicado, de Sérgio Sant'Anna, e de A poesia andando: 13 poetas no Brasil.
12 de Novembro, na Livraria Pó dos Livros, às 18h30: lançamento de Mais espesso que a água, de Luís Quintais.
16 de Novembro, no CCB – Sala Jorge de Sena, das 11h às 13h: Brevíssimo curso de literatura grega e latina, dado por Delfim Leão (tradutor de Satyricon e de O Burro de Ouro), Frederico Lourenço (tradutor de Ilíada e da Odisseia, além de Poesia Grega de Álcman a Teócrito), e Paulo Farmhouse Alberto (autor da tradução das Metamorfoses); das 15h às 17h: lançamento da tradução dos livros de Odes do poeta latino Quinto Horácio Flaco (trad. Pedro Braga Falcão) e de Novos ensaios helénicos e alemães, de Frederico Lourenço.
19 de Novembro, na Livraria Pó dos Livros, às 18h30: lançamento de Assobiar em público, de Jacinto Lucas Pires.
29 de Novembro, no CCB – Sala Jorge de Sena, às 18h30: apresentação da série de livros BI-África Minha.



publicado por Ricardo Nobre às 07:00 | referência | comentar

Sexta-feira, 10.10.08

Duas traduções de obras clássicas figuram entre as três laureadas com Prémio de Tradução Científica e Técnica em Língua Portuguesa – Fundação para a Ciência e a Tecnologia – União Latina – 2008, atribuído ex-aequo. São essas obras:

- De Trinitate, de Santo Agostinho, feita em edição bilíngue por Arnaldo do Espírito Santo, Cristina de Sousa Pimentel, João Beato, e Domingos Lucas Dias; a obra foi publicada nas Edições Paulinas. Arnaldo do Espírito Santo, Cristina Pimentel, e João Beato tinham já vencido o mesmo prémio pela tradução das Confissões, do mesmo autor medieval.

- Tópicos, de Aristóteles, com tradução da autoria de José António Segurado e Campos; a obra é publicada pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda.



publicado por Ricardo Nobre às 07:58 | referência | comentar

Domingo, 13.04.08
Partilho com os meus leitores um resumo da minha comunicação de ontem, na Livraria Livro do Dia de Torres Vedras.

Recepção dos clássicos na Literatura Portuguesa de Oitocentos
1. Um “surto” recente de traduções académicas e fiéis de autores das literaturas latina e grega não quer dizer que os autores da Antiguidade não tenham sido traduzidos antes. Assistia-se, no entanto, a um fenómeno que é ainda hoje visível: muitas das traduções eram feitas a partir de outras traduções. Exemplo disto é a afirmação de José Liberato Freire de Carvalho, que traduziu em 1830 os Anais de Tácito: “ou boa ou má, não é tradução de nenhuma francesa”.
Os autores clássicos mais traduzidos para português foram Vergílio e Horácio. Não é difícil perceber porquê. Para Eça de Queirós, que viveu no fim do século XIX, estes são essencialmente os mestres, a par de outros génios da Antiguidade.
Nas Cartas de Inglaterra, lemos num curioso passo a comparação das culturas e civilizações gregas e romanas com as nossas, modernas:

O tipo secular e doméstico de uma aldeia árida do Himalaia, tal como uma vetusta tradição o tem trazido até nos, é infinitamente mais perfeito que o nosso organismo doméstico e social. Já não falo de gregos e romanos: ninguém hoje tem bastante génio para compor um coro de Ésquilo, ou uma página de Virgílio; como escultura e arquitectura, somos grotescos; nenhum milionário é capaz de jantar como Lúculo; agitavam-se em Atenas ou Roma mais ideias superiores num só dia do que nós inventámos num século; (...) não há nada equiparável à administração romana; o bulevar é uma viela suja ao lado da Via Ápia; (...) nunca ninguém tornou a falar como Demóstenes — o servo, o escravo, essa miséria da Antiguidade, não era mais desgraçado que o proletário moderno. De facto, pode-se dizer que o homem nem sequer é superior ao seu venerável pai — o macaco.



2. Em que medida Eça usa esta preciosa tradição? Para já, e antes de mais, convirá esclarecer uma coisa: o mito da crítica ao ensino do latim na obra de Eça.
Estabeleceu-se nas obras de Eça de Queirós, e principalmente n’Os Maias, o modelo da educação portuguesa, onde o latim surge como prática pedagógica fossilizada e não criativa: um latim para traduzir Tito Lívio e Vergílio, mas principalmente orientado para a doutrina da Igreja.
Eça é um cidadão muito preocupado com a educação portuguesa. O ensino da língua latina é particularmente visado em obras de não-ficção. Porque o latim, no sistema de ensino português da época, representava uma educação baseada na memorização e que “implica a desvalorização da criatividade e do juízo crítico”. O escritor diz que os filhos dos portugueses são sepultados “sob grossas camadas de latim!” e que nós “só começamos a ser idiotas” porque não há literatura infantil como em Holanda ou na Suécia — Portugal importa “livros para completar a mobília (...); para educar o espírito, não.”
É a monotonia que Eça despreza, não o latim, a literatura latina, ou a história clássica como elemento de estudo.
Avancemos com a pergunta: Se Eça conhece os clássicos e lhes reconhece o valor, que uso faz deles?
Vergílio (evocado em cenários bucólicos) e Homero são os mais citados, mas reconhece-se um grande respeito por Horácio. De Ovídio colhe uma experiência de vida (com ele partilha a condição de exilado). Em Tácito reconhece uma prosa superior. E os exemplos poderiam continuar.

3. Baseado num episódio da Odisseia, obra escrita pelo mais antigo dos poetas, um dos escritores mais importantes da literatura portuguesa de sempre escreveu o conto A Perfeição.
3.1 Numa carta de 1899 ao seu amigo Bernardo Pinheiro, o conde de Arnoso, Eça de Queirós escrevia:

“Estou em Salamanca. (...) A minha história é simples. Não sei se te lembras de Ulisses. E se te lembras sobretudo dos expedientes, das manhas sublimes desse divino homem, naquela prodigiosa viagem em que ele ansiosamente navegava em demanda da sua Ítaca, da sua Penélope, do seu doce Telémaco... Pois esse incomparável Herói, quando o cantar das Sereias, ou a beleza das enseadas das Ilhas cor-de-rosa, ou a hospitalidade das Rainhas, o tentavam a ficar, a desviar do rumo devido, metia cera dentro dos ouvidos, colava as pestanas com cera, e, num arremesso mais desesperado de vela e remo, atirava a proa a Ítaca! Eu imitei este herói prudentíssimo. Lisboa estava sendo para mim uma paragem perigosa e exercendo sobre mim, tão fraco, todas as seduções que tanto embaraçaram o forte Ulisses (que de resto, a edificou). Essa adorável de S. Domingos à Lapa, apesar do seu santo nome, era a diabólica Ilha dos Lotófagos, onde, depois de comer a flor de Loto (ponhamos o bacalhau assado) a gente tudo esquecia, envolta em beatitude. Em torno de mim boiavam Sereias...” Mais à frente diz que adoptou a “manha do herói manhoso”.

Estas palavras provam que Eça conhecia — e bem — a história da Odisseia.
Lia e conhecia Homero, é certo, mas Eça não sabia grego. Eça de Queirós, tal como a sua geração, teve acesso aos clássicos gregos e latinos através de traduções francesas.
3.2 Este conto chegou a ser classificado por um lusitanista holandês como uma encantadora variação de um tema da Odisseia. E de facto, se analisarmos as duas obras em paralelo, percebemos que A Perfeição não só é uma imitação como é uma reescrita de um pequeno episódio da Odisseia. Mas por “imitação” não devemos entender uma crítica, pelo contrário. Penso que as grandes obras “clássicas” têm esse estatuto porque nunca deixam de influenciar, contaminar, seduzir leitores e escritores de todas as épocas e de todas as sensibilidades. Não é imitação no sentido negativo do termo porque A Perfeição, ainda que criada a partir da Odisseia, acaba por veicular uma mensagem muito diferente. A começar no facto de, na Odisseia, a saída de Ulisses da ilha de Ogígia ser uma estratégia para iniciar o enredo da obra — o regresso a casa e a restauração da ordem em Ítaca.
Em A Perfeição, o retrato de Ulisses é a representação do Homem: ele parte a caminho da “delícia das coisas imperfeitas”. Na Odisseia, a sua história continua muito além do que aqui vimos, mas não podemos esquecer que o Ulisses de Eça não é o herói de Homero — é um herói moderno, também vencido da vida, que se movimenta num cenário aparentemente homérico.

4. Até aqui, falei de alusões e referências a autores e temas clássicos que Eça de Queirós aproveitou na sua produção artística, mas o assunto pode ser abordado com muito mais profundidade. É que a relação de Eça com os clássicos não se verifica só à superfície, mas também em termos estruturantes. Dou dois exemplos básicos:
- muitos escritos queirosianos, como As Farpas — e mesmo em passos de alguns romances — são verdadeiros nacos de sátira. Ora, a sátira é um género literário que nasceu e se desenvolveu (com muita saúde, diga-se) em Roma. Marcial e Juvenal foram os principais cultores deste género — e Eça certamente que os terá lido.
- o outro exemplo é retirado da literatura grega. É que é inegável que Eça tenha recolhido da tragédia grega elementos estruturantes para Os Maias: o tema do incesto, decorrente de uma avaliação errada, a presença do destino funesto, a falta cometida mesmo depois de se saber a verdade, etc. Tudo isto é característico da tragédia, e tudo isto daria para continuar a falar.

5. Concluo, ironicamente, citar um autor do Modernismo que sucumbiu ao gosto pelos clássicos — Fernando Pessoa. Diz ele nas Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação: “A mais antiga tradição da nossa civilização é a tradição grega. Devemos reatá-la. Temos de nos criar uma alma grega, para podermos continuar a obra da Grécia. Tudo posterior à Grécia tem sido um erro e um desvio.”
Voltemos, pois, à Grécia.


publicado por Ricardo Nobre às 10:05 | referência | comentar

RÁDIO
TSF — Rádio Notícias (emissão directo)
BBC Radio 4 (emissão directo)
BBC World Service (emissão directo)
BBC Radio 3 (emissão directo)
BBC Radio 5 Live (emissão directo)
LIGAÇÕES DE REFERÊNCIA
Informação Geral
BBC News
The Guardian
Público
Times
Diário de Notícias


Cultura
The TLS
BBC | Entertainment & Arts
The Guardian | Culture
Telegraph | Culture
New York Times | Arts
DN | Artes
Ípsilon
El Mundo | Cultura
El País | Cultura
Público | Culturas
Le Monde| Culture

LITERATURA
Bibliotecas
Biblioteca Nacional de Portugal (Porbase)
The British Library
Library of Congress
Bibliothèque nationale de France (Opale)
Biblioteca Nacional de España
National Library of Scotland
Biblioteca da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (SIBUL)
Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra
University of Cambridge Library (Newton)
Oxford University Libraries (SOLO)
Harvard Libraries (HOLLIS)


Editoras
Cambridge University Press: Catálogo de Literatura; Catálogo de Estudos Clássicos
Oxford University Press: Catálogo de Literatura; Catálogo de Estudos Clássicos; More than Words (Oxford World’s Classics)
Routledge: Catálogo de Literatura; Catálogo de Estudos Clássicos
Penguin Books


Revista CLASSICA — Boletim de Pedagogia e Cultura

LÍNGUA PORTUGUESA
Vírgulas
Sujeito e Predicado

Vocativo

Oração Causal

Oração Concessiva

Oração Condicional

Oração Conformativa

Oração Final

Oração Proporcional

Oração Temporal


Uso do apóstrofo


Vocabulário estudado
à
Alcaida
contracto
contrato
de
de mais
demais
grama
majestoso
para
presidenta
sedear
sediar
se não
senão
seriação


Livro de Estilo

Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (1945)
Código de Redacção Interinstitucional
Dicionário da Língua Portuguesa (Priberam)
Dicionário da Língua Portuguesa (Porto Editora)
LX Conjugator (conjugação verbal)
MorDeb
Corpus do Português Europeu
Corpus do Português
Corpus Lexicográfico do Português
CETEMPúblico
Corpus Rede de Difusão Internacional do Português
Transliteração do Alfabeto Grego
Associação de Informação Terminológica
Acordo Ortográfico de 1990
Norma Portuguesa de Metrologia

APONTADORES
Bandeira ao Vento
Blogtailors: o blog da edição
Cadê o Revisor?
Detective Cantor
Lóbi do Chá
Memento…
Pesporrente
Português em Dia
Rascunho.net
Relógio D'Água Editores
A Senhora Sócrates
O Vermelho e o Negro
ARTIGOS RECENTES

Balanço de um colóquio

Teoria da tradução (dos c...

Lançamento das Odes de Ho...

Trindade e Tópicos

Eça de Queirós e a Tradiç...

TOMBO

Março 2012

Fevereiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Julho 2010

Junho 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

SUBSCREVER FEEDS