Sexta-feira, 26 de Janeiro de 2007
Determinante Artigo: os amotinados pela inclusão do artigo na classe de determinantes devem ter estado a dormir, pois há muitos anos as gramáticas escolares (Da Comunicação à Expressão: Gramática Prática de Português ou a Gramática do Português Moderno, nas edições pré-TLEBS) incluíam os artigos na classe de determinantes — e há muito tempo que há determinantes demonstrativos e possessivos, que têm as mesmas formas de pronome, mas não são pronomes... procedeu-se, pois, a uma uniformização desejável.

Quantificador é uma classe de palavras que os revoltosos acham nova. No entanto, está consignado que se trata da “palavra que exprime quantidade, como todo, muito pouco, cada” — e que o “quantificador universal” é um conceito da área da Lógica contemporânea: “quantificador (simbolizado algebricamente) que indica o alcance universal ou abrangente do termo (igualmente cifrado) ao qual se relaciona, correspondendo, num âmbito não matemático, a proposições como todos os homens são falíveis”.

Modificador: conceito consignado desde 1933 pelos Estruturalistas. “Numa análise em constituintes imediatos, elemento cuja distribuição diverge da distribuição da construção total (p.ex., em a menina de cabelos louros, o modificador é de cabelos louros, e a cabeça, menina; em de cabelos louros, o modificador é louros, e a cabeça, cabelos)”.
As citações são retiradas do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa.

Fonética: não vale a pena juristas ou políticos armados em linguistas — ou professores de Português — virem indignar-se pela subclassificação que eles acham excessiva das consoantes (em oclusivas, fricativas, laterais, vibrantes): ela existe há muitos anos e a TLEBS não apresenta novidades significativas a esse respeito.

É preciso ver que a maior parte das pessoas acha tudo muito novo porque, para eles, a gramática é, efectivamente, um novo mundo, totalmente desconhecido.
Além disso, não nos podemos esquecer que tudo pode ser analisado segundo uma perspectiva do achincalhamento. Por exemplo, Ricardo Araújo Pereira fez umas piadas sobre a TLEBS na VISÃO há uns meses. Brincava com a designação de “nome epiceno”. ORA: não vir no epítome gramatical que temos lá em casa não significa que esta é uma designação que não existe já. Agora passou a fazer parte do nosso léxico. É complexo de mais para a escola? Quem o decide será quem faz os programas.


publicado por Ricardo Nobre às 09:34 | referência | comentar

7 comentários:
De Manuel a 26 de Janeiro de 2007 às 11:39
"Fonética: não vale a pena juristas ou políticos armados em linguistas – ou professores de Português – virem indignar-se pela subclassificação que eles acham excessiva das consoantes (em oclusivas, fricativas, laterais, vibrantes): ela existe há muitos anos e a TLEBS não apresenta novidades significativas a esse respeito."

Acho incrível que existam professores de Português, ou até de qualquer língua, que não sabem e nem querem saber conceitos tão básicos como a classificação fomética de consoates...

Simplesmente absurdo.


De Ler com atençao a 26 de Janeiro de 2007 às 12:41
As criticas nao sao falhadas nem os criticos. Estes exemplos que apontam sao anedoticos e provavelmente oriundos de alguem que nao lida com o ensino da gramatica, ou tem apenas um conhecimento vulgar da terminologia gramatical . Criticas fundamentadas e esclarecedoras é que interessam e não o que a sr maria acha, ou o que o sr manuel diz. Por isso aconselho vivamente a leitura atenta de alguns textos escritos sobre este assunto, nomeadamente os que se podem encontrar no site que deixo aqui apontado.
MDLR (professora de lingua portuguesa)


De Ricardo a 26 de Janeiro de 2007 às 19:08
MDLR,

Fique descansada: conheço o que o Professor J. Andrade Peres diz acerca da TLEBS. Tinha comentários ao seu importante contributo, mas com a perda do meu disco rígido no início de Dezembro, perdi também o que me tinha levado mais de 3 horas a fazer! Com a reapreciação, prevista pelo ministério, pensei em deixar comentários mais bem estruturados para depois, bem como reflexões sobre lamentáveis erros da TLEBS, que não me passaram desapercebidos. Para não falar em aspectos com os quais não concordo.
No entanto, o meu título tem em conta o conteúdo do texto e não o que diz o Professor Andrade Peres, até aqui uma das únicas pessoas com alguma credibilidade para criticar o que quer que seja.
Assim, como poderá constatar através do meu texto, há críticas que são FALHADAS.

[Já agora, ainda bem que se identifica como professora de Língua Portuguesa, pois a raridade de acentuação mostram uma realidade bem diversa.]


De Anónimo a 26 de Janeiro de 2007 às 19:25
; -) pensei que nao respondesse aos comentarios... mas ainda bem, apesar da farpazinha, que mais nao faz do que revelar uma certa crispacao de caracter! Desculpe o -cao (au,au) derivado da falta da acentuacao. E'meu habito escrever sem acentuacao nos "mails" e nos comentarios, pura e simplesmente para impedir que surjam aqueles sinais esquisitos que por vezes substituiem as palavras acentuadas e o c cedilhado que abundam nas palavras portuguesas. Capisca?
Post scriptum: olhe que fez um errozito de concordancia- mostram devia estar no singular... erros assaz comuns aos da sua geracao- au au ;-)
Cordialmente
MDLR


De Ricardo a 26 de Janeiro de 2007 às 19:50
Não respondo aos comentários por causa disto que a senhora acaba de fazer: entrar em conversas que não têm que ver com o texto original.
Agradecia que se ativesse ao escrito.


De Manuel a 27 de Janeiro de 2007 às 00:57
Li o texto que a mui douta professora de lingua indica.
Contém, de facto algumas críticas positivas, mas também muita adjectivação sem causalidade, mas enfim...

Note-se o seguinte passo do texto de J. Andrade Peres:

"Veria com muito interesse que a tal comissão se agregassem, como consultores, outras personalidades que trabalham sobre a língua. Refiro-me, antes de mais, a professores de Português de reconhecida competência, aos universitários que editam os nossos escritores clássicos (Vieira, Garrett, Camilo, Eça, Pessoa...), aos nossos tradutores de excelência (que traduzem Homero, Dante e Petrarca, Cervantes, Proust, Goethe ou Rilke...), a jornalistas intervenientes sobre questões da língua (de que Francisco Belard é um exemplo incontornável). Estes e outros poderão trazer aos linguistas, a quem cabe garantir a adequação científica de termos e definições, o quantum satis de sentido da realidade e, talvez também, de bom senso e até de bom gosto, de que eles não detêm seguramente o exclusivo e que não têm de possuir em abundância."


A ciência não precisa de bom senso e de bom gosto para nada. Esta lógica do amadorismo condena qualquer estudo sério e científico da língua a um plano subjectivo e ao domínio de curiosos. Uma “proto-ciência” onde todos opinam e mandam "postas de pescada" à boa maneira portuguesa.
...
Faz lembrar o caso da miúda dos pais adoptivos e etc… Onde todos temos opinião formada, pronta a mandar para cruz seja quem for, apesar de poucos terem a noção que realmente se passou...

Ainda assim, acredito que há-de chegar o tempo que a linguística ganhará o respeito que merece dos portugueses.
Gosto muito de amor, e, por isso, nada tenho contra os amadores, mas não gostaria de ver amadores a trabalharem nos tribunais, nem nos hospitais, nem a coordenarem a barragem de castelo de bode ou seja lá o que for... Então porque é que temos de gramar com os amadores na linguística?

E já agora, cara professora de lingua, pode acentuar à vontade nos comentários porque o HTML que os suporta está preparado para isso, ou já se esqueceu de como o fazer à força do hábito?

Não faz mal errar de vez em quando... Às vezes, até tem piada, ora veja a minha "classificação fomética" no comentário em cima. 8)

Até depois.


De Luis Filipe Redes a 29 de Janeiro de 2007 às 22:12
Gostei deste blog. O artigo do Ricardo parece-me inteiramente fundamentado: é isso que se vê nas críticas à TLEBS, não só ignorância quanto à linguística, mas também ignorância gramatical na acepção mais tradicional do termo.
A TLEBS está a ser objecto de uma ilusão pebiscitária do género das que o Manuel refere aqui. Toda a gente acha que democracia é uma questão de assinaturas, independentemente da formação técnica dos peticionários. O caso judicial tratado nos media é do mesmo género: ninguém sabe os pormenores, a situação efectiva da criança, o drama do pai biológico, mas toda a gente tem opinião formada!


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