Domingo, 13 de Maio de 2007

Há anos saiu uma legislação um bocado idiota que obrigava os hipermercados a fechar aos domingos e feriados (da parte da tarde — como se sabe, nesses dias, os hipermercados estão abertos até às 13h) para “salvar os pequenos comerciantes”. Devo dizer que na altura pensei que isso implicaria que as mercearias de bairro e as lojas da baixa estariam abertas nesses mesmos dias. O consumidor repartia o seu salário entre uns e outros e todos ficavam contentes. Claro que isto era a minha inocência a raciocinar porque a obrigação de hipermercados estarem fechados ao domingo e feriados apenas significaria que tudo estaria fechado ao domingo e feriados. É a história do cão que não come e não deixa comer, do menino que tem a bola e não deixa jogar...
Por estes dias, a APED (Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição) iniciou uma campanha a que chamou “liberte-se” e que tem por objectivo “libertar” o “consumidor” do terrível suplício que é não poder ir ao Continente num domingo ou feriado à tarde. Assim, criou-se uma petição, que poderá ser assinada numa grande superfície ou neste sítio.
A campanha é um tudo-nada hiperbólica (o que não quer dizer que não esteja bem feita — está e eu gosto muito): na televisão mostra uma corrente, que ficamos a saber tratar-se da corrente do carrinho do hipermercado; na rádio, fala-se na liberdade que proporciona ir às compras ao domingo etc. No sítio, apresentam-se as razões: são 12, mas são esmiuçadas ao máximo (os três primeiros argumentos são iguais, só que se referem à população em geral, às mulheres e aos homens, e o 12 não chega a ser argumento...). Mas é salutar a inclusão dos “anseios dos agentes económicos”, não vá a gente pensar que eles fazem a campanha só por nossa causa!
O facto de o Continente estar fechado à tarde não impede que o Colombo não seja já a previsão do Inferno, mas está-se a restringir horários a pessoas que trabalham toda a semana de forma profundamente arcaica. Estou de acordo com a abertura todos os dias, por isso assinei a petição. No entanto, seria fundamental que todas as lojas — da baixa, mas também da minha rua — tivessem a possibilidade (diferente de obrigação) de se “libertar” e abrirem ao fim-de-semana. Eu sei que na minha rua não anda ninguém durante o fim-de-semana, mas com o comércio aberto talvez começasse a andar.


publicado por Ricardo Nobre às 08:43 | referência | comentar

3 comentários:
De Manuel a 13 de Maio de 2007 às 22:59
Desta vez não concordo nada contigo, Ricardo.

Esta campanha pretende só e apenas "enfiar" as pessoas nas grandes superfícies também ao domingo. Dia em que o Pai vai jogar à bola com o filho para o parque, em que a família vai ver o mar à praia, em que se vai ao cinema, ou outro espectáculo cultural, museus e afins...

Por isso parece-me uma petição danosa para todos menos para os que lucram com as vendas, e esses já estão bem na vida.

Abraço.


De S.V. a 14 de Maio de 2007 às 11:09
Por acaso ontem assinei a petição. Só se enfia no supermercado todos os domingos quem quer. E eu quero ter essa opção de vez em quando. O meu pai trabalha frequentemente até às 8 da noite durante a semana e vem cansado demais para ir às compras. Os sábados são também quase sempre passados a trabalhar. Pelo menos que ele tenha o domingo de manhã para descansar e poder dormir um pouco mais.
Pelo menos para mim, o domingo à tarde é ideal para fazer compras. Claro que não são todos os domingos, mas uma vez por mês dá jeito. Não me parece que a culpa de as pessoas fazerem isso todos os domingos seja dos hipermercados; é das pessoas simplesmente, elas é que escolhem.


De Anónimo a 29 de Maio de 2007 às 07:31
Pois é, mas quem trabalha nessas superficies também tem familias que trabalham de segunda a sabado e o domingo é o único dia que permite (sobre)viver em companhia daqueles que mais se gosta. Se chegam cansados à sexta ou ao sabado então imaginem os que trabalham num hiper ou super até ás duas da manhã de sábado. Deviam era fechar tudo ao domingo e promover esse dia para familia e/ou amigos. Espanha trabalha assim e não os vejo atrás de nós em nada.


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