Segunda-feira, 5 de Maio de 2008
2. Dicionário da Língua Portuguesa (Editorial Verbo)
Este dicionário revelou-se uma agradável surpresa, ainda que a minha primeira impressão tenha sido imensamente negativa, muito por causa da publicidade que acompanhou o lançamento da obra (tal como descrevi aqui).
A “Apresentação” do dicionário revela o escopo do corpus do português que a obra contempla: “as trinta mil palavras mais frequentes do português contemporâneo e terminologia essencial dos domínios científico e técnico”, tendo sido o “número final de entradas e subentradas (...) fixado em cerca de quarenta e cinco mil.” Se tivermos em conta que os corpora sobre os quais o dicionário trabalhou (como “fontes primárias”) incluem 14 milhões de palavras (o Corpus de Referência do Português Contemporâneo do CLUL) e 20 milhões (PAROLE), o resultado é francamente modesto.
No entanto, porque digo que esta obra é uma agradável surpresa? Porque as entradas que tem, tem bem. Não só explicita com clareza os significados das palavras, como sugere alguns sinónimos. A estrutura da entrada é baseada (e por vezes o resumo) no Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa. Tem alguns erros desse dicionário (como o terrível croissã), mas corrige outros (os gânguesteres já aparecem gângsteres). Regista ainda informações preciosas sobre a flexão de todas as palavras (nomes, adjectivos, e principalmente verbos, o que o da Academia não faz, como vimos), operacionalizando as noções gramaticais da TLEBS (útil, principalmente na classificação gramatical dos vocábulos). No entanto, faltam-lhe etimologias e transcrições fonéticas, bem como a sintaxe dos verbos (esta falha colmatada em parte pelos exemplos que surgem em todas as entradas).
O problema do método de elaboração de dicionários que se seguiu para fazer este — a partir das formas mais frequentes — reside precisamente nisso: ao registar as palavras mais utilizadas o dicionário contempla, na sua maioria, vocabulário que já se conhece, deixando de lado um avultado número de palavras de menor utilização e, por isso, desconhecidas. Até que ponto este é um aspecto menos positivo pode ser comprovado com o exercício que fiz.
Recolhi de modo aleatório 30 palavras das primeiras 124 páginas da tradução que António Pescada fez da obra Margarita e o Mestre (de Mikhail Bulgákov, editado pela Relógio d’Água, 2007):

aboletada (q.v. aboletar), arenque, à-vontade, brigue, bulevar, chantre, dichote, displicentemente (?q.v. displicente), embuste, enfezado, esgalgado, esguelha, estampido, fanhosear, flibusteiro, fosforescente, fox-trot, hemicrania, horto, itureu, lengalenga, maniatar, milícia, murzelo, neurastenia, prestidigitador, puta, rumor, sumo, tremó.

Deste minicorpus, as palavras aboletada, brigue, bulevar, chantre, dichote, fanhosear, flibusteiro, fox-trot, hemicrania, itureu, murzelo, puta, e tremó não têm entrada no dicionário. As palavras enfezado, milícia, e sumo não têm a explicação pretendida, tendo em conta o sentido que se procurava. O advérbio displicentemente não tem entrada, mas existe displicente.
Deve notar-se que, de todo o corpus, apenas fox-trot (por ser inglês) e puta (por ser calão) não vêm registadas no Vocabulário da Língua Portuguesa de Rebelo Gonçalves (obra que data de 1966), que inclui displicentemente.
Do mesmo modo, o acrescento de termos técnicos é, em certos casos, estranho. Por exemplo, porque será que há uma entrada para jambo, mas não para outros pés métricos greco-latinos, provavelmente mais comuns (dáctilo, espondeu, e troqueu)?

Apesar disso, o Dicionário Verbo da Língua Portuguesa é uma ferramenta preciosa para o utilizador médio (incluindo professores e estudantes), mas está longe de responder a todas as dúvidas dos consulentes (mais uma vez, é um dicionário que não se pode usar sem recorrer a outros) — isto não quer dizer, todavia, que seja um fraco dicionário, pelo contrário. Dentro dos objectivos que nortearam a sua elaboração, pode dizer-se que o Dicionário Verbo da Língua Portuguesa responde a quase todos. Repito a grande vantagem desta obra: nas suas entradas apresenta uma estrutura pouco comum, pela profundidade e qualidade de escrita, e integração de exemplos: os verbetes têm uma definição, não apenas valores aproximados que são dados por sinónimos.


publicado por Ricardo Nobre às 09:00 | referência | comentar

RÁDIO
TSF — Rádio Notícias (emissão directo)
BBC Radio 4 (emissão directo)
BBC World Service (emissão directo)
BBC Radio 3 (emissão directo)
BBC Radio 5 Live (emissão directo)
LIGAÇÕES DE REFERÊNCIA
Informação Geral
BBC News
The Guardian
Público
Times
Diário de Notícias


Cultura
The TLS
BBC | Entertainment & Arts
The Guardian | Culture
Telegraph | Culture
New York Times | Arts
DN | Artes
Ípsilon
El Mundo | Cultura
El País | Cultura
Público | Culturas
Le Monde| Culture

LITERATURA
Bibliotecas
Biblioteca Nacional de Portugal (Porbase)
The British Library
Library of Congress
Bibliothèque nationale de France (Opale)
Biblioteca Nacional de España
National Library of Scotland
Biblioteca da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (SIBUL)
Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra
University of Cambridge Library (Newton)
Oxford University Libraries (SOLO)
Harvard Libraries (HOLLIS)


Editoras
Cambridge University Press: Catálogo de Literatura; Catálogo de Estudos Clássicos
Oxford University Press: Catálogo de Literatura; Catálogo de Estudos Clássicos; More than Words (Oxford World’s Classics)
Routledge: Catálogo de Literatura; Catálogo de Estudos Clássicos
Penguin Books


Revista CLASSICA — Boletim de Pedagogia e Cultura

LÍNGUA PORTUGUESA
Vírgulas
Sujeito e Predicado

Vocativo

Oração Causal

Oração Concessiva

Oração Condicional

Oração Conformativa

Oração Final

Oração Proporcional

Oração Temporal


Uso do apóstrofo


Vocabulário estudado
à
Alcaida
contracto
contrato
de
de mais
demais
grama
majestoso
para
presidenta
sedear
sediar
se não
senão
seriação


Livro de Estilo

Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (1945)
Código de Redacção Interinstitucional
Dicionário da Língua Portuguesa (Priberam)
Dicionário da Língua Portuguesa (Porto Editora)
LX Conjugator (conjugação verbal)
MorDeb
Corpus do Português Europeu
Corpus do Português
Corpus Lexicográfico do Português
CETEMPúblico
Corpus Rede de Difusão Internacional do Português
Transliteração do Alfabeto Grego
Associação de Informação Terminológica
Acordo Ortográfico de 1990
Norma Portuguesa de Metrologia

APONTADORES
Bandeira ao Vento
Blogtailors: o blog da edição
Cadê o Revisor?
Detective Cantor
Lóbi do Chá
Memento…
Pesporrente
Português em Dia
Rascunho.net
Relógio D'Água Editores
A Senhora Sócrates
O Vermelho e o Negro
ARTIGOS RECENTES

PÚBLICO Menos

Novo PÚBLICO

Acordo na Faculdade de Le...

Acordo Ortográfico no CCB

Onde o latim acaba e o in...

Balanço de um colóquio

Diogo Infante deixa o D. ...

Memória curta

Também quero o subsídio e...

Governo de salvação nacio...

Quando os escritores não ...

Golpe de estado militar

TOMBO

Março 2012

Fevereiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Julho 2010

Junho 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

SUBSCREVER FEEDS