Segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2008
Continuação deste texto.

Pergunta 23
É uma pergunta que parece estar relacionada com os pronomes relativos das frases:
“A casa estava situada num monte alentejano, onde, no Verão, recebia muitos visitantes.”
“Há automóveis na rua, cujos proprietários estão ausentes.”
“O negócio em que o António se meteu deu-lhe prejuízo.”
“O caminho que segui foi o mais directo.”
Vejamos:
Na primeira frase, temos um pronome relativo invariável, desempenha a função de complemento circunstancial de lugar onde; a frase equivale a “A casa estava situada num monte alentejano. Num monte alentejano, no Verão, a casa recebia muitos visitantes”: a frase está correcta.
Na frase “Há automóveis na rua, cujos proprietários estão ausentes.”, cujos desempenha a função de adjunto adnominal ou complemento determinativo (designações da gramática tradicional). Equivale a “Há automóveis nas ruas, os proprietários dos automóveis estão ausentes”: frase correcta.
A terceira frase tem o pronome no caso oblíquo, caso atribuído pela preposição “em”. Equivale a “O negócio deu-lhe prejuízo. O António meteu-se no negócio”: frase correcta.
Finalmente, a última frase equivale a “O caminho foi o mais directo. Segui o caminho.” O pronome relativo desempenha a função sintáctica de complemento directo.
Eu sei que a pergunta é “Qual é a frase incorrecta?”. Como todas as frases estão correctas, presume-se que o erro exista na pontuação da segunda frase, que tem uma vírgula a isolar a relativa. Ora, isto torna-a uma oração subordinada relativa explicativa. E explica o quê? Nada, porque a frase está incompleta, e por isso errada. Uma alternativa correcta seria, por exemplo, “Há automóveis na rua, cujos proprietários estão ausentes, a impedir a passagem do autocarro.”, ao lado de “Há automóveis na rua cujos proprietários estão ausentes.”, sem vírgula já é restritiva, o que torna a oração relativa obrigatória na frase.

Pergunta 25
Pergunta difícil: mas o verso eneassílabo anapéstico é o acentuado na 3.ª, 6.ª, e 9.ª sílaba, como toda a gente sabe.

Pergunta 28
Esta será das perguntas mais interessantes deste concurso. Repare-se na marota da vírgula a separar o sujeito do predicado na hipótese “Maio frio e ventoso, faz o ano formoso.” A culpa é de quem? Certamente de um “lamentável erro informático”. Lamentável é o que este concurso se está a transformar. Adiante: pede-se um provérbio que não exista, não que esteja mal escrito, de maneira que a resposta só pode ser “Maio frio e Inverno chuvoso, Verão caprichoso.” Porque quando eu andava na escola Maio não era no Inverno, nem vinha antes do Inverno para predizer o Verão.

Pergunta 30
Muito curiosa a classificação inexacta da 2.ª pessoa do plural do “infinitivo PESSOAL presente”.


publicado por Ricardo Nobre às 21:26 | referência | comentar

7 comentários:
De Anónimo a 26 de Fevereiro de 2008 às 01:47
Pois, para mim, a hipótese 23A não está correcta, não senhor.

Afinal quem é que recebia muitos visitantes no Verão? A casa, certo? Mas a partícula "onde" remete-nos sempre para o monte, e significa, não que é onde a casa se situa - pois isso já tinha ficado expresso imediatamente antes - mas que é onde se recebiam muitos visitantes no Verão. E é isso que está errado, porque o "onde" tem a ver com o monte, mas o "recebia" refere-se à casa. A frase pretendia dizer que na casa se recebia visitantes, mas acaba por desviar o local desses para o monte. E a intenção não é essa, ou tería que dizer "[monte] onde SE recebia muitos visitantes". Ou "A casa estava situada num monte alentejano que, no Verão, recebia muitos visitantes".
Já se quisermos dizer que era a casa, diremos: A casa estava situada num monte alentejano e, no Verão, recebia muitos visitantes.

À mon avis bien sûr.

:-)

Abraço,

Paula

PS - Já agora... Hoje deu-me para franzir o sobrolho àquele "para mais" do segundo texto. Porquê?...


De Ricardo a 26 de Fevereiro de 2008 às 07:22
O problema é que a pergunta pede-nos para escolher entre certo e errado, quando em linguística esses conceitos não existem...
Por outro lado, erro, erro, só encontro na vírgula: como já disse aqui, só a ortografia pode estar errada, porque há convenções fixas. De resto, na língua há tendências...
Claro que esta é a minha interpretação e a leitora responderá ao teste como entender.
Quando ao "para mais", não vejo problemas. Há outras expressões como "mais a mais" que são igualmente legítimas.


De Anónimo a 26 de Fevereiro de 2008 às 21:24
Obviamente que, no fim de tudo, cada qual responde como crê ser o correcto, e penso que esse aspecto está ultrapassado à partida. A questão é que não são apenas os erros ortográficos que importam (essa premissa não está correcta), mas também os sintácticos. E na 23 A há mesmo erro, Ricardo! Está de caras, para mim.

Obrigada quanto ao "para mais" e "além do mais". Ocorreu-me a eventualidade de estarmos já tão habituados a um desvio feito pela oralidade, que nos não déssemos conta de que a expressão não deveria ser utilizada com esse sentido. Mas já me está a passar!

:-)


De Anónimo a 26 de Fevereiro de 2008 às 22:54
Quanto à pergunta 23, tenho impressão que a utilização de cujos na maneira como a frase está construída referir-se-ia à rua e não aos automóveis... então retirando a vírgula, 'cujos' passa ser um pronome relativo à rua.

parece-me.

RMG


De Cristina a 29 de Fevereiro de 2008 às 15:12
Paula,

Olá, bom ver-te por cá! Na opção 23 A, se fosse o monte a receber os visitantes, então, "o monte alentejano" passaria a sujeito da segunda oração, sendo assim susbstituída pelo pronome relativo QUE. Não concordas?
A frase é realmente ambígua!

Bem-haja!


De Anónimo a 3 de Março de 2008 às 00:33
«Para: linguaportuguesa@expresso.pt
De: Deniz Costa
Data: 02/03/2008 19:59
Assunto: Aníbal, António, Elsa, Fernando, João, Luísa.

Excelentíssimas senhoras e excelentíssimos senhores da CTC

Venho chamar-lhes a atenção para alguns erros e imprecisões que detectei - ver http://linguaportuguesa.aeiou.pt/
cnlp08/php/testes3correccao.html - na correcção do 3.º teste do CLP, em curso, que poderão afectar, aqui e ali, a regularidade da competição.
[Colocarei as minhas observações entre parêntesis rectos, a azul, para que mais facilmente se distingam do texto publicado pela CTC.]
Assim:


- Erros no 1.º texto -

1. estrema
A palavra correcta é extrema (superlativo absoluto sintético de «externo» [«externa»]</a>) que significa «situado…» [«situada…»]</a> na extremidade…

2. importância [importancia]</a>

[Ainda no 1.º texto, faltou-lhes, decerto por distracção ou problema informático, assinalar erro em “posso assegurar-vos de que todas as nossas especialidades…”. Pois eu asseguro-lhes que correcto seria “posso assegurar-vos que todas as nossas especialidades…”. E saibam que me assegurei disso junto de vários e bons especialistas da língua.]</a>

Questão n.º 5
… O acento tanto pode ser agudo ou [como]</a> circunflexo e nunca grave.

Questão n.º 6
Esta expressão idiomática advém do uso antigo da escrita com estilete em tábuas enceradas. Quando se desejava reescrever ou começar de novo, era necessário apagá-la [apagá-las]</a>, transformando-a numa tábua «rasa», limpa e com a superfície encerada, livre de traços [transformando-as numas tábuas «rasas», limpas …]</a>.

Questão n.º 19
… Exemplos: batelzito/bateizitos; papelzinho/papéizinhos [papeizinhos]</a>.


- Erros no 2.º texto -

3. fez [fêz]</a>

5.
… Mais um caso de palavras homófonas que podem levar à confusão, embora sejam totalmente diferentes, apenas com a mesma pronúncia. [Asseguro-lhes que tenho lido explicações mais bem escritas.]</a>

6. sozinho [sózinho]</a>

Questão n.º 22
Trata-se do discurso indirecto livre, forma de expressão que, em vez de apresentar a personagem na sua voz própria (discurso directo) ou de informar objectivamente o leitor sobre o que ele [ela]</a> teria dito …

Questão n.º 23
… Assim sendo, não podemos aceitá-la, visto que o sujeito não pode ser «casa» ou «monte alentejano», mas deveria estar explícito o sujeito ou indeterminado («se recebia») ou alguém (por exemplo, o lavrador, João). [Asseguro-lhes que vale a pena reler a frase. Ora experimentem, devagar, em voz alta:
“Assim sendo, não podemos aceitá-la, visto que o sujeito não pode ser «casa» ou «monte alentejano», mas deveria estar explícito o sujeito ou indeterminado («se recebia») ou alguém (por exemplo, o lavrador, João).”
Que raio de português é esse? Asseguro, de novo, às excelentíssimas senhoras e excelentíssimos senhores da CTC que tenho lido explicações muitíssimo mais bem escritas. E, até, mais convincentes. A meu ver, a frase da opção B, “Há automóveis na rua, cujos proprietários estão ausentes”, apresenta incorrecção - a vírgula - mais evidente do que a da opção A.]</a>

Questão n.º 26
A frase C contém a expressão «garfo dela», que é uma cacofonia, pois pela união [da união]</a> dos sons destas duas palavras que se encontram juntas resulta uma expressão grosseira que deverá ser evitada.

Questão n.º 27
… Estar num impasse» corresponde tão só [Na página 1471 do dicionário de referência diz que é “tão-só”, mas os senhores é que sabem...]</a> …

Questão n.º 28
«Verão caprichoso» não faz sentido nesta sequência de provérbios. Se Maio for frio e o Inverno chuvoso, então o Verão pode ser qualquer coisa, «aquilo que vier», casualmente? [Se se trata de perguntar aos concorrentes, respondo com todo o gosto: e porque não?]</a> Todos os outros existem e estão repertoriados. [Ficaria bem À CTC mencionar, em abono dos 3 provérbios existentes, pelo menos uma obra que repertorie cada um deles. O mesmo valeria para o alegado provérbio da questão n.º 27, “Guardanapo que não ata, não desata.” (vírgula intrusa, não lhes parece?). Esquivando-se a tal contributo didáctico, a CTC dificilmente se livra da suspeita de contrafacção das fontes. Por exemplo, o “Maio frio e molhado” ser bom para a vinha é coisa, sobretudo na parte do molhado, para que não encontro, por mais que peça, bênção de nenhum vitivinicultor, bem pelo contrário. Consta, não estou em condições de confirmar, que o padre Salvador Parente, no seu magno “O Livro dos Provérbios” repertoria (afeiçoei-me ao verbo, que querem?) um provérbio muito semelhante a “Maio frio e molhado é bom para a vinha e para o gado.”. Ainda assim, já não seria o mesmo provérbio.]</a>


Cumprimentos e muito obrigado.
Deniz Marques da Costa - CLP214,
antigo campeão* desta coisa.»

_____________________________
* Por distracção dos deuses.
D.


De Anónimo a 6 de Março de 2008 às 17:22
Olá! Não me dei ao trabalho de concorrer a este campeonato, mas, ao dar uma vista de olhos no "teste", uma questão suscitou-me particular interesse. Na frase «A casa estava situada num monte alentejano, onde, no Verão, recebia muitos visitantes.» haverá "erros"? Ora bem, li vários comentários, mas nenhum vai ao encontro do que considero ser mais interessante. Já pensaram que em «A casa estava situada num monte alentejano, onde, no Verão, [eu] recebia muitos visitantes» podemos ter ali um pro (sem realização, claro)? Podem dizer-me: "ah, e tal, não há um antecedente (expresso ou não) para que isso possa acontecer...", mas tentem adequar esta frase a um contexto de fala expontâneo e digam-na em voz alta, considerando que conhecem um monte alentejano onde está (ou estava) situada uma casa (que é o objecto que têm vindo a descrever no diálogo). Nesse monte, costumavam dar umas festazitas... É-vos estranha, esta interpretação? Por favor, ataques de fúria, por acharem que o que disse é uma barbaridade, ou comentários construtivos: punkecas(arrroba)gmail(ponto)com
Cumprimentos


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