Sexta-feira, 4 de Maio de 2007
Já tinha sido referido neste blogue que está a decorrer o debate na AR sobre a situação das línguas clássicas em Portugal. Reproduzo a notícia do PÚBLICO de hoje, da autoria de Isabel Leiria.

Petição em defesa do ensino das línguas clássicas é debatida hoje na AR. Ministério da Educação está a preparar alteração à reforma do secundário.

Menos de um por cento do total de 64.500 alunos inscritos nas formações gerais do 10.º ano optaram por matricular-se este ano no curso de Línguas e Literaturas. Em todo o país são apenas 581. Sendo que em 2004/2005 eram 1440 e em 2005/2006 eram 873, de acordo com o levantamento feito pelos promotores da petição Em favor das Línguas Clássicas em Portugal., que vai ser hoje debatida no Parlamento.

Os mais de oito mil subscritores da petição consideram a divisão do antigo agrupamento de Humanidades em dois cursos distintos — Ciências Sociais e Humanas e Línguas e Literaturas — levou a que o ensino das línguas clássicas passasse a ser “residual” nas escolas secundárias. Por isso, reclamam a adopção de medidas legislativas que revertam a situação criada pela última reforma do secundário (em vigor desde 2004).
Segundo o Instituto de Estudos Clássicos da Universidade de Coimbra, um dos promotores da petição, há muitos concelhos e mesmo sete distritos (como Viseu, Beja, Santarém ou Viana do Castelo) onde não existe o curso de Línguas e Literaturas. Em Lisboa e no Porto só duas escolas têm esta via de estudos, sendo que apenas uma na capital oferece o Latim como opção. Em toda a Região Centro apenas três dos 102 estabelecimentos secundários leccionam o agrupamento de Línguas e Literaturas.
Para além da excessiva especialização, e que leva a que as escolas não consigam ter alunos suficientes para criar uma turma, os peticionários criticam outros aspectos do currículo. Como o facto de as disciplinas de Literatura Portuguesa e de Latim aparecerem “como concorrentes, em opção alternativa e não como complementares”. Ou ainda que estas duas matérias não possam ser estudadas pelos alunos de Ciências Sociais e Humanas, agrupamento que suporta a candidatura às licenciaturas de História, Filosofia ou Direito.
Na petição chama-se a atenção para o risco de estar a privar-se os jovens de conhecer “os valores que constituem o génese do património cultural, ético e cívico ocidental”. Os subscritores entendem mesmo que as escolas, enquanto serviço público, têm de assegurar um mínimo de ofertas que garanta a liberdade de escolha por áreas de formação. A solução seria passar pela criação de um curso mais “abrangente” de Humanidades, que englobasse os agrupamentos de Ciências Sociais e Humanas e Línguas e Literaturas.
O próprio Grupo de Avaliação e Acompanhamento da Implementação da Reforma do Secundário já fez uma proposta semelhante. Questionado pelo PÚBLICO, Rui Nunes, assessor de imprensa do Ministério da Educação, confirmou que a tutela está a preparar uma alteração ao decreto-lei da reforma do secundário nesse sentido, como forma de combater a “perda de alunos”, mas não adiantou mais pormenores.


Artigos relacionados: Professores e linguistas debatem ensino do português a partir de segunda-feira. Discutir como se ensina Português. Em Coimbra só sete alunos estudam Latim no 10.º ano.


Lembro ainda que a próxima quinta-feira é o dia das Clássicas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Serão acolhidos os alunos do secundário, mas todos os que estiverem interessados numa visita às nossas instalações serão bem-vindos!


publicado por Ricardo Nobre às 10:37 | referência | comentar

8 comentários:
De S.V a 4 de Maio de 2007 às 11:47
Na escola onde estou a estagiar, em Cascais, parece que o 12º ano ainda tem uma turma de Línguas e Literaturas, mas nos outros anos já não houve gente suficiente para abrir essa turma. Gostava de saber de quem foi a brilhante ideia de fazer um agrupamento para uma área em declínio relativamente ao número de alunos que a escolhem. Há decisões muito estúpidas, porque é óbvio que aconteceria isto: não há gente suficiente para abrir uma turma.
Aqui há uns meses fui à escola secundária onde andei e reparei que no 10º ano havia 3 turmas de Ciências Sociais e Humanas, mas nenhuma de Línguas. È de referir que foi uma escola em que, há nove anos, se conseguiu uma turma inteira de humanidades com a opção de latim; e de todos os que tiveram latim, só eu e outra é fomos para letras, o que mostra que há quem vá para direito, psicologia, filosofia, sociologia, etc. e tenha interesse na disciplina. Para além disso, também as outras línguas, francês e alemão, e a literatura portuguesa são quase extintas. Sim, porque a disciplina de português actual é coisa de crianças e deveria haver um equivalente do Português A, pelo menos para Ciências Sociais e Humanas.
A única conclusão a que posso chegar é que não quiseram tornar o ensino das línguas mais especializado, mas sim extingui-lo.
É das coisas mais estúpidas no ensino: existirem opções abertas a nível nacional e depois haver um número mínimo de alunos que torna quase impossível que essas opções sejam levadas à prática. Se os senhores do ministério não fossem tão forretas, podiam pagar a mais alguns professores, para que os alunos pudessem realmente ter um ensino que vai ao encontro das suas preferências, em vez de serem obrigados a seguir as escolhas dos outros. Quem quer ir para ciências, é uma maravilha, há em todo o lado. Agora, línguas ou artes, já é preciso ir à procura de escolas a não sei quantos quilómetros de casa...


De Manuel a 4 de Maio de 2007 às 13:05
Cara S.V. peço-lhe autorização para reproduzir integralmente este seu comentário no meu blogue.

8)

Pode ver o meu blogue seguindo a ligação pelo meu nome.


De S.V. a 4 de Maio de 2007 às 13:18
Autorização concedida
:)


De Ricardo a 4 de Maio de 2007 às 22:21
Como se fosse possível aprender literatura sem saber história, filosofia sem literatura etc.


De Manuel a 6 de Maio de 2007 às 23:37
o que interessa são os euros, as letras vendem mal, desde que a malta consiga ler as legendas dos filmes basta de cultura...


De catarina a 5 de Agosto de 2007 às 19:38
caro manuel devo-lhe dizer que todas as insinua�es que faz no seu �ltimo coment�rio s�o absolutamente ridiculas, pois eu penso, como uma aluna de ciencias sociais e humanas com a inicia�o de um curso de linguas estrangeiras que as letras s�o absolutamente procuradas, e que n�o interessa o dinheiro, mas sim a mentalidade da pessoa, pois voc� pode tirar um doutoramento seja em que curso for,e pode n�o ter um centavo, pois hoje em dia, as pessoas s�o rotuladas burras se n�o tiverem ao menos um curso profissional... digo-lhe muito expressamente que penso que o senhor n�o tem qualquer mentalidade para dizer tal barbaridade, pois as pessoas entendidas de letras, como eu pr�pria, sentimo-nos ofendidas.
Deixe-me que lhe diga uma coisa: nos dias de hoje, � preciso ter o 12� ano de escolaridade para ser recepcionista de um hotel, e o 9� ano de esolaridade para fazer uma cama de hotel... se perceber a mensagem por detr�s deste enigma, pode ser que n�o esteja totalmente rendido � sua mentalidade descripta na mensagem anterior.
atentamente: Catarina Fonseca
p.S eu sou uma rapariga com 15 anos e penso ter muito mais integridade e respeito pelo que os outros fazem, sem ver que tenho, claramente, uma mentalidade muito mais madura e responsav�l do que v�s.


De Ricardo a 5 de Agosto de 2007 às 22:24
Catarina,

Respondo-lhe em vez do Manuel porque provavelmente ele não irá ler o reparo que a Catarina fez às suas palavras.
Penso não me enganar se disser que o Manuel apenas reproduzia, caricaturalmente, o que a sociedade geral pensa e não a sua própria ideia: caso contrário não teria, como eu, tirado um curso de Línguas e Literaturas Clássicas na Faculdade de Letras e não estaria a fazer Mestrado em Estudos Clássicos, na mesma faculdade.
Por isso, a Catarina terá todos os motivos para se revoltar contra muita gente que acha que para Letras vão apenas os burros ou os que fogem à Matemática, mas não vale a pena "apontar as armas" ao Manuel.
Os meus melhores cumprimentos,
Ricardo Nobre

PS: Manuel, se entretanto leres o que escrevi, desculpa a inconfidência!


De B! the Fishbone =P a 7 de Outubro de 2007 às 04:14
Obrigada por postarem este artigo sobre o declínio do curso de linguas e literaturas. Sou uma estudante que conclui este ano (12º) o mesmo curso e também fui prejudicada,digamos, pela não-abertura de turmas por falta de alunos. Terminara o meu 9º ano, e na minha escola secundária + 3ºciclo havia o curso de L. e L. . Infelizmente não me pude inscrever porque não havia número suficiente para abrir turma. Restavam-me apenas duas opções: ou mudar para o curso de ciências sociais e humanas, ou mudar para a escola que tinha alunos suficientes para a turma. Mudei-me para a dita escola.
A minha perspectiva do curso de linguas e literaturas não é boa, não apenas por eu não a considerar viável como o nível de aprendizagem dos alunos que o frequentam e que eu verifiquei ao longo da minha aprendizagem secundária é pouco razoável. O que quero dizer é que, 90% dos meus colegas que frequentam o mesmo curso que eu, têm uma função de "fugir à matemàtica". Ora, quem eu vi que queria fugir à matemática deu-se mal com o latim. Consideram-no "muito difícil" (pois o latim não é considerado a matemática das línguas"?).
O Latim: outra das disciplinas que na minha visão é essencial para a aprendizagem do português, tanto em termos etimológicos como gramaticais, entre outros.
A literatura portuguesa é outro "problema": Os meus colegas consideram esta "uma seca"; ou porque não gostam de ler ou escrever, ou porque não demonstram o mínimo interesse na literatura portuguesa. " Os Maias é uma seca", "bolas ó stôra, explique lá aí o keke é uma 'clepidra'(Clepsidra)" " Ain ó stora, Herculano? Prefiro ler o código da vinci..."
Considero-me excluída do grupo dos "desinteressados", não sendo a única, obviamente. Mas, por favor, é bom que alguém faça alguma coisa para fazer "renascer" os cursos de línguas clássicas e estudos literários portugueses.

(O comentário é longo...peço desculpa :P :) )


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