Sexta-feira, 25 de Maio de 2007
Por ter sido o dia em que se inauguravam as feiras do livro, ontem voltou a falar-se dos hábitos de leitura dos portugueses e dos seus hábitos de compra de livros. As conclusões mostram-se algo preocupantes, visto que acabam por reflectir a nossa mediocridade cultural, que se relaciona com a formação média que (não) temos. Enfim, nada de surpreendente nos resultados das sondagens de ontem.
No entanto, quero falar de um dos itens dessas sondagens. Os portugueses não compram livros em feiras, mas sim em livrarias e hipermercados. Estranho? Vamos por partes.
1) Se o português é adepto de hipermercados e é lá que faz as suas compras, é natural que acabe por passar pela secção dos livros e comprar alguns.
2) O português adora centros comerciais e as livrarias fazem um grande investimento nessa área (há Fnac no C. C. Colombo e nos Armazéns do Chiado, Bulhosa nas Twin Towers e nas Amoreiras, Bertrand no C. C. Colombo, no Vasco da Gama, etc., só para mencionar algumas e só para me referir a Lisboa). Acaba por haver atracção, o que me parece muitíssimo bem.
3) As feiras dos livros são efemérides, acontecem principalmente no Verão e os preços que aí se praticam não são melhores do que os dos outros sítios. Qual é o desconto principal da feira do livro? 10%, que é o desconto que a Fnac, o Continente ou o El Corte Inglés oferecem diariamente. Assim, não me parece estranho que as pessoas não comprem na feira do livro e optem pela livraria. A feira do livro vale apenas pelos preços dos livros do dia, a 40% de desconto.
4) Outro aspecto a ter em conta é o facto de a classe dos compradores de livro ser média e média-alta. Os que não vão à feira da ladra, que é o que a organização da feira do livro lembra (não faltam as farturas, acho que só faltam os carrosséis). Se se pode comprar sossegada e comodamente no El Corte Inglés, que interesse há em ir para o Parque Eduardo VII, onde não há sítio para se estacionar o carro (a menos que o deixem no estacionamento do El Corte Inglés), com o piso íngreme (muito a descer, mas depois muito a subir), com vento, frio, chuva, sol, calor, grandes enchentes de carrinhos de bebé a baterem-nos nas canelas, enquanto os pais olham para o lado, para os livros? A portentosa vista para o rio não chega.
Em 77 anos muitas foram as mudanças na sociedade portuguesa. As feiras do livro mantêm-se iguais — e depois os organizadores queixam-se da adesão das pessoas a essas demonstrações de cultura de duvidoso interesse.
Não sou contra a realização das feiras do livro, mas se os preços são os mesmos que encontro todos os anos, não se lhe pode chamar feira. Se se publica muito e muita porcaria em Portugal, menos interesse há em lá ir. Nas livrarias também temos os bons livros estrangeiros.
Não sou contra a realização das feiras do livro, mas assim vou continuar sem lá ir.


publicado por Ricardo Nobre às 08:15 | referência | comentar

3 comentários:
De Alexandra a 26 de Maio de 2007 às 11:33
Tenho de concordar consigo relativamente ao facto das feiras do livro serem efemérides, no entanto, há que ter em conta que a informação relativamente à sua realização está bem difundida, e relativamente às Feiras do Livro de Lisboa a Porto, a data já é bem conhecida e isso devia ser um motivo para afluência às mesmas.

Quanto aos descontos, e tendo em conta a minha visita à feira do livro, garanto que, pelo menos este ano, no geral são superiores a 10%. Sendo que se encontram por lá verdadeiras promoções. Para além dos conhecidos livros do dia, outros de encontram com descontos de 40% e inclusivé, superiores. Uma editora, a Saída de Emergência tem uma promoção em que, na compra de quaisquer dois livros, oferece um de quatro livros, à escolha.

O motivo da mudança no valor dos descontos prende-se com uma alteração no regulamento da feira, em que, os livros com
mais de 18 meses têm desconto livre pelo que os Editores podem assim praticar descontos de 20, 30, 40 e 50%, sem qualquer limitação regulamentar.

Outra alteração ao regulamento da Feira permitiu, pela primeira vez, a venda de livros em língua estrangeira.

Sou absolutamente a favor da realização de feiras do livro. Nas feiras do livro que já visitei este ano encontrei livros com verdadeiros descontos algo que não vejo nas livrarias tirando as excepções que são a FNAC e a Bertrand mas, nem todos os portugueses as têm perto de casa ou trabalho.

Quanto ao estacionamento, a Parque Eduardo VII é servido por duas estações de metro e para além disso, há paragens de autocarro nas proximidados.

As Feiras do Livro de Lisboa e Porto pecam por alguns aspectos, entre eles, a má organização, a falta de inovação e de algumas condições (a título de exmplo, a falta de electricidade, este ano na feira do livro de lisboa).

Cumprimentos.


De Ricardo a 26 de Maio de 2007 às 11:48
Alexandra,

Em primeiro lugar, muito obrigado pelo seu contributo neste blogue.
1) O texto partiu dos resultados de estudos difundidos no dia 24 acerca do local onde os portugueses compram livros. Compram-se e vendem-se poucos livros em Portugal, toda a gente sabe, mas os meios de comunicação social parecem espantar-se com o facto de os locais de venda escolhidos não serem as feiras, daí a referência ao facto de se tratar de efemérides.
2) Referi o estacionamento por oposição aos grandes parques dos centros comerciais. Eu pessoalmente não tenho carro, pelo que ando de transportes, com todo o gosto. Mas se as feiras são locais onde as famílias vão, havemos de concordar que pôr famílias inteiras nos transportes, com carrinhos de bebé, não é cómodo: eu sei que a estação do Marquês tem elevador, mas ainda assim...
Agradeço, mais uma vez, o seu contributo e as informações que deu, nomeadamente quanto aos descontos e promoções que este ano poderemos encontrar na Feira do Livro de Lisboa.
Cordiais cumprimentos,

Ricardo Nobre


De Susana Alves a 26 de Maio de 2007 às 14:16
Eu gosto é da feira de Coina!


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