Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

Até há uns anos, o ensino da língua portuguesa fazia-se exclusivamente por meio da literatura. Vieram teorias e contrateorias sobre o ensino da língua materna e parece que a língua que deve ser ensinada é a da outra norma: a o dia-a-dia, a norma da televisão e dos jornalistas. O ensino da língua deixa de ser feito por meio de obras de arte, do apelo à imaginação e criatividade; o ensino passou a deixar de desafiar, de sugerir, para simplesmente fazer ver como é a língua, e não como deveria ser.

Foi de dentro das universidades que saiu esta mudança: enquanto a filologia conhecia uma feroz cisão entre linguística (actualmente o curso de linguística da Faculdade de Letras de Lisboa chama-se “Ciências da Linguagem”) e literatura (já há universidades em que há departamentos de “ciências literárias”), surgiam as “ciências da cultura”, que ninguém sabe ainda muito bem o que é — porque não é nada.

Como em todas as revoluções, caiu-se em extremos. A escola deixa a literatura para um papel de tal maneira secundário que é possível fazer as cadeiras de português sem ter lido uma linha de Saramago (nem as perguntas dos exames o exigem — agora também se disserta sobre “cultura” e o quotidiano).

Tem havido a tentativa por parte de muitos de que se volte a ensinar literatura — que pode coexistir com aquilo que a linguística considera a norma. É preciso fazer ver que a escola tem o dever de ser normativa, dar regras, e não divagar sobre a pertinência ou impertinência de se ensinar a ‘arte’ de bem escrever e de bem falar.

A literatura pode, pois, servir para ensinar mais do que bom português: o que a televisão e jornais — e também a internet — estão muito longe de fazer. Não é preciso censurar todos os galicismos ou anglicismos que entram na língua, não é preciso reencontrar a vernaculidade de uma língua que nunca foi vernácula, mas é preciso que nos voltemos para a literatura enquanto expressão artística da língua mas também da humanidade. A História começa com a escrita, e isso deve querer dizer alguma coisa.

Um professor da minha faculdade é da opinião de que vale a pena viver só para ler a Ilíada. Vale a pena viver só para ler os outros textos que se ensinam — hoje — na escola portuguesa?


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publicado por Ricardo Nobre às 10:50 | referência | comentar

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