Terça-feira, 17 de Março de 2009

O poeta António Botto morreu faz hoje 50 anos. Texto do sítio da DGLB:

António Botto nasceu numa aldeia do concelho de Abrantes em 1897 e morreu no Rio de Janeiro no dia 17 de Janeiro de 1959, em consequência de atropelamento. Ainda criança veio com os pais para Lisboa, registando em alguns livros vivo testemunho do seu conhecimento da faina portuária e do quotidiano do bairro popular de Alfama, que seria cenário da novela dramática António (1933), da peça em três actos, Alfama (1933), e de boa parte da sua obra poética. Autor também de contos infantis, reunidos em O Livro das Crianças (1931), em O Meu Amor Pequenino (1934) e mais tarde em Os Contos de António Botto para Crianças e Adultos (1942). Seriam no entanto sobretudo as Canções (1ª edição: 1921) que lhe dariam lugar de relevo na história da literatura portuguesa contemporânea. O trabalho numa livraria da baixa de Lisboa proporcionou-lhe o convívio com alguns dos espíritos mais cultos da época, como Fernando Pessoa, dos quais terá apreendido, ainda que de forma muito empírica, o essencial de uma muito moderna atitude de irreverência face ao cânone poético então ainda vigente. Como se a própria inconstância fosse a constante mais sistemática de uma identidade pessoal também em desalinho dos cânones sociais e morais vigentes, António Botto partiu para Angola (1924-1925), foi expulso por transgressão da ordem pública em 1942, quando trabalhava no Governo Cilvil de Lisboa, e é já muito doente e perturbado emocionalmente que em exílio voluntário se fixa no Brasil em 1947.

 

No âmbito de uma afirmação literária onde o versilibrismo parece ser expressão privilegiada de um desacato que é também formal, terão sido no entanto em boa parte as ressonâncias populares de uma atitude essencialmente confessional que lhe deram consistência e o notabilizaram. Nada mais adequado do que o fado a moldar esta espécie de desnorte da predisposição lírica: são de António Botto muitas das letras que a voz popular transmite de geração em geração, entre o canto e o desencanto do sentimento amoroso, entre a exaltação do corpo e a disforia da perda. E aí onde é acessório o escândalo de uma opção sexual marginal aos costumes de então, ganha tanto maior significado na nossa história literária a apreensão, em 1923, da 2ª edição das Canções: aí onde a censura não é tanto a dos costumes quanto a da sua expressão poética. Aí onde a transgressão parece ser a regra e o mote do poeta.

Ver ainda este artigo no Jornal de Notícias.



publicado por Ricardo Nobre às 07:33 | referência | comentar

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