Sábado, 19 de Novembro de 2011

Toda a gente a dizer que o papel de Diogo Infante foi fundamental para atrair mais pessoas ao teatro do Rossio. Falam em taxas de ocupação a rondar os 90%. Não sei, sei falar de mim. Os anos em que Diogo Infante lá esteve coincidiram com a minha ida mais regular ao Teatro Nacional. Guardo na memória excelentes peças com excelentes actores como Édipo e Jardim Suspenso. Em breve lá irei ver o Eurico. Mas desde que Teixeira dos Santos despediu vários directores-gerais de diversos organismos do Estado porque não fizeram a avaliação dos seus funcionários a tempo, sem olhar ao excelente trabalho que lá tinham realizado, já não nos deveríamos espantar com nada. Gregos, cedei o passo aos próximos clientes do partido no poder, poderia dizer Propércio.



publicado por Ricardo Nobre às 09:54 | referência | comentar

Em política, a memória é sempre muito curta. A redução de salários no sector privado desencadeou críticas de vários comentadores e políticos. Há anos, um ministro da Economia promovia Portugal no estrangeiro com o argumento de que os salários eram baixos. Hoje, o secretário-geral do mesmo PS critica a solução dos nossos novos governantes externos. Era importante os políticos perceberem que quando falam representam um organismo superior a eles. No caso, o ministro que fez cornichos na ex-casa da democracia (ali em S. Bento, onde se decidiram, durante muitos anos, o futuro do país) falava ao serviço de um partido, que agora já não entende a "medida" como significativa para a concorrência. Coerência era o mínimo que se pedia, já que sentido de estado seria pedir demais.


publicado por Ricardo Nobre às 09:41 | referência | comentar

Quarta-feira, 16 de Novembro de 2011

Como ninguém me vai dar isto, os deputados da Assembleia da República devem dar o exemplo.

Está online a petição «Congelamento do Subsídio de Férias e Natal dos Deputados da Assembleia da República»: porque há quem precisa e não tem.



publicado por Ricardo Nobre às 00:08 | referência | comentar

Domingo, 13 de Novembro de 2011
Na antiga Roma republicana, aquilo a que na Grécia de hoje se chama Governo de Salvação Nacional, em funções durante escassos cem dias, tinha o nome de Ditadura. Em períodos de acentuada crise, o ditador governava os destinos da república. Assim em Roma e na Grécia a História repete-se. Até porque, no editorial do Financial Times de hoje, se diz que a nossa democrática União Europeia obriga a que países democráticos sejam governados por dirigentes não eleitos. Até que a crise os separe.


publicado por Ricardo Nobre às 10:08 | referência | comentar

Sexta-feira, 11 de Novembro de 2011

A propósito da (extraordinária e lúcida) crítica que António Marujo fez publicar hoje no Ípsilon, o suplemento mais ou menos cultural do Público, ao livro O Último Segredo, pergunto-me qual será o dia em que José Rodrigues dos Santos decidirá fazer investigação jornalística (das dele, não confundir com o jornalismo sério) sobre Homero. Atenção que os resultados podem ser surpreendentes, e variar entre o "afinal não era cego" e o "Homero nunca existiu".

Precisamos de um José Rodrigues dos Santos em todas as áreas do saber. Pode ser que descubra, finalmente, que "não foi Homero o autor da Ilíada e da Odisseia", ou mesmo que o autor da Ilíada não é o mesmo do da Odisseia. E se vem a descobrir escutas que indiciam que estas obras eram transmitidas oralmente e que só no tempo dos Pisístratos foram efectivamente redigidas? Bem... era caso para abrir o Telejornal com a notícia durante uma semana.

Só tenho de discordar de António Marujo na classificação do livro. Deu-lhe uma estrela a mais do que eu teria dado.



publicado por Ricardo Nobre às 22:02 | referência | comentar

Foram já dois os “capitães de Abril”, Vasco Lourenço e Otelo Saraiva de Carvalho, a fazerem declarações e promessas de golpe de estado militar, por não concordarem com as opções políticas actuais. Eu também não concordo com quase nada que este governo fez até agora, mas, uma vez eleito democraticamente pela maioria dos eleitores portugueses, tenho de respeitar essas decisões. Vasco Lourenço e Otelo Saraiva de Carvalho esquecem-se de que há diferenças entre 1974 e 2011. Há trinta e tal anos, tiveram o apoio popular, e o governo não. Agora quem tem o apoio do povo é o governo (saiam dos seus cuidados revolucionários e vejam as sondagens), os militares não.
Não tivesse eu respeito pela história e mandaria os “capitães”, actualmente reformados e engordados, ir jogar às cartas num jardim próximo.


publicado por Ricardo Nobre às 09:19 | referência | comentar

Quinta-feira, 10 de Novembro de 2011

Todos os dias se fala e escreve sobre a Grécia, fazendo referências mais ou menos irónicas aos antepassados: é com a tragédia grega, ou mesmo a comédia grega, misturadas com outras brincadeiras que os comentadores, certamente profundos conhecedores desta literatura antiga, adornam os seus textos ou discursos. Mas a Grécia da Antiguidade não é só a do século V a.C., aquela que conheceu os tragediógrafos e comediógrafos, Tucídides, Péricles e Demóstenes... No início do século II da nossa era, escrevendo sobre o principado de Tibério, o historiador Tácito (Annales, 2.55) documenta, acerca de Pisão, governador da Síria e inimigo de Germânico:

No entanto Cn. Pisão, para mais adiantar seus intentos, entrava, sem ser esperado, em Atenas; e repreendendo com palavras severas os habitantes assustados, atacava indirectamente Germânico por haver feito, contra a dignidade do povo Romano, tamanhas distinções, não a esses Atenienses, já extintos por tantas calamidades, mas a uma bastarda descendência de diversas nações, e que só era insigne por sua aliança com Mitridates contra Sula, e com António contra o divino Augusto. Deitou-lhes ainda em rosto crimes antigos, tais como as tentativas infelizes, que haviam feito contra os Macedónicos, e as violências que uns contra outros haviam cometido (...).

A tradução é de José Liberato Freire de Carvalho (1830).

Já então os gregos eram uma bastarda descendência de um antepassado longínquo (quase seiscentos anos; menos que isso separa-nos dos descobrimentos). Acontece, porém, que no original latino se lê conluuiem, o mesmo é dizer 'excremento'.



publicado por Ricardo Nobre às 14:45 | referência | comentar

Quarta-feira, 9 de Novembro de 2011

Manuel Alegre, Vasco Graça Moura, Mário de Carvalho e Hélia Correia são algumas das presenças confirmadas na mesa-redonda de poetas e prosadores, a realizar no próximo dia 6 à tarde da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

E de facto, por esses dias, entre 5 e 7 de Dezembro, diversos académicos de 10 universidades diferentes expõem os seus trabalhos e debatem alguns resultados sobre a sua investigação e reflexão acerca da Literatura Portuguesa. O objectivo é auscultar a nossa literatura, das origens à contemporaneidade, naquilo que ela tem de mais clássico, no verdadeiro sentido do termo. O colóquio internacional A Literatura Clássica ou os Clássicos na Literatura: uma (re)visão da Literatura Portuguesa das origens à contemporaneidade começa com conferências sobre Ruy Belo e Nuno Júdice (que estará presente), por Aires Nascimento (Univ. de Lisboa) e Paolo Fedeli (Univ. de Bari, Itália), respectivamente e encerrará, quase à hora de almoço do dia 7, com uma conferência de Maria Helena da Rocha Pereira (Univ. de Coimbra) sobre Hélia Correia. Pelo meio, outros professores e investigadores de Lisboa e Coimbra, e da Universidades de Oxford, do Porto, de Aveiro, de Évora, Aberta, Católica, do Minho, etc., falam de D. Duarte, do Cancioneiro Geral, de Camões, António Fereira, Bocage, Camilo Castelo Branco, Miguel Torga, Sophia, Gonçalo M. Tavares, entre tantos outros.

Tudo isto no Anfiteatro III da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Para mais informações, consultar a página do colóquio.



publicado por Ricardo Nobre às 08:00 | referência | comentar

Terça-feira, 8 de Novembro de 2011
Voltámos a ler e a ouvir, infelizmente, que os políticos deixam os seus cuidados pessoais e profissionais para assumir as funções governativas. Quem melhor do que Camilo Castelo Branco, na voz do seu protagonista de A Queda dum Anjo, Calisto Elói, para comentar esse mesmo sacrifício?
Calisto Elói, enternecido até às lágrimas pela sorte da terra de D. João I, voltou-se para a esposa, e disse, como o agricultor Cincinato:
— Aceito o jugo! Assaz receio, mulher, que os nossos campos sejam mal cultivados este ano.


publicado por Ricardo Nobre às 18:00 | referência | comentar

Segunda-feira, 7 de Novembro de 2011
Preciso de citar aqui parte do editorial do PÚBLICO de hoje:
Ainda é cedo para compreender os cortes que o Governo realmente tenciona fazer nos transportes públicos de Lisboa e do Porto. Mas o que já se sabe (e o que não se sabe) é mais do que suficiente para fazer disparar os sinais de alarme. Lançam-se para a praça pública propostas que afectam o quotidiano e o direito de milhares e milhares de pessoas que trabalham à noite, uma parte das quais vive em zonas suburbanas que só há poucos anos foram ligadas ao metropolitano. Os números essenciais não são conhecidos: quantas pessoas serão afectadas e quanto dinheiro se vai poupar? A sensação que fica é a de que estes planos foram pouco pensados e de que não estão minimamente enquadrados numa política de transportes públicos.
Há um certo primarismo nesta política de cortar às cegas cujo objectivo é remendar os prejuízos astronómicos das empresas públicas do sector e o respectivo impacto no défice. Nos primeiros nove meses do ano, os apoios do Estado a essas empresas aumentaram 2121 % face a todo o ano de 2010 - um número inimaginável e terceiro-mundista.
Fundir empresas, como prevê o plano estratégico do Governo para os transportes, é um passo correcto e necessário para inverter este estado de coisas. Mas não se pode acrescentar ao desvario financeiro o desvario dos cortes irracionais na rede de transportes públicos, sem compreender primeiro quais os serviços que são insubstituíveis. O preço da cegueira será acrescentar despesa à despesa: outro cálculo que ainda não está feito é o custo para os cidadãos e para a economia destes cortes indiscriminados.
Ouve-se dizer que estamos numa economia de guerra. Só que, durante as guerras, os estados não abandonam os cidadãos. E é exactamente isso que o Governo estará a fazer, se estas propostas impensadas forem para a frente.


publicado por Ricardo Nobre às 20:55 | referência | comentar | ler comentários (1)

Domingo, 6 de Novembro de 2011
O estudo encomendado pelo governo para diminuir os custos operativos dos transportes colectivos da região de Lisboa prevê o fim de várias carreiras de autocarro, uma de eléctrico (o 18), o meio de transporte típico que os turistas mais procuram em Lisboa.

O ministro já disse que apenas há propostas, e que nada está decidido. Toda a gente sabe que o estudo não foi feito por nenhum especialista em transportes, nenhum dos envolvidos escreveu um artigo de jornal sobre transportes públicos, muito menos artigos científicos. Sim, estas coisas estudam-se em moldes sérios e criticamente sustentados.

Os nomes das autoridades do estudo são os nomes de pessoas que tinham como missão reduzir despesas. E o estudo prova que o estado encomenda estudos sabendo à partida o que quer que eles concluam.

Quando se ouve um responsável do governo dizer que é preciso acabar com sobreposições entre a rede do metro e da Carris, podemos concluir, sem dúvidas, que essa pessoa não só nunca andou de transportes, como nunca pensou criticamente sobre o assunto.

Entre estações de metro pode haver várias paragens de autocarro. Há dezenas de estações de metro que não têm acesso facilitado, não só a deficientes, como a pessoas com outras dificuldades de locomoção. Já se disse neste blogue (http://livrodeestilo.blogs.sapo.pt/272213.html) que a estação de metro da Cidade Universitária serve o Hospital de Santa Maria, o maior do país, mas tem uma única escada rolante que apenas sobe, mas não desde o comboio até à rua. Não há elevadores.

Além de vedar o acesso universal aos transportes públicos, o governo quer também que quem paga passes e bilhetes cada vez mais caros ande mais a pé. Uma vista de olhos pelas carreiras que se prevê venham a encerrar estão algumas que não têm problemas de lotação.

Estão nesta lista carreiras cujo número começa por 7, ou seja, fazem parte da Rede Sete. Parece-me que esta é uma imensa fraude e que a Carris andou a mentir aos seus utentes... Estamos perante uma empresa ignorante, a que faltam estudos sérios e críticos. O objectivo da Rede Sete afinal foi reformular percursos, alguns deles tão mal estudados que mudaram diversas vezes. O 16 ia para a Praça do Chile. Passando a ser 716, começa a ir apenas para S. Sebastião. Não por muito tempo... Actualmente avança até ao Arco do Cego.

Porque não se reduzem os custos da empresa com um corte severo nas chefias da empresa, não só na quantidade de assalariados milionários, como na sua quantidade? Com a publicidade instalada nos autocarros, com o preço dos passes e bilhetes, com o dinheiro dos contribuintes, o que está a mais na Carris é o salário dos dirigentes.

O mesmo para a CP. Só quem nunca andou de comboio pode aceitar que uma empresa destas dê despesa. Como é que a quantidade de passageiros, suburbanos e de longo curso, não pagam todas as despesas operacionais da empresa naquelas linhas deficitárias? Porque é que em vez de automotoras velhas e dispendiosas não estão a circular veículos modernos, ecológicos, rápidos e que sejam, de facto, alternativas às rodovias? Não sei. Faltam estudos.



publicado por Ricardo Nobre às 15:30 | referência | comentar

A primeira notícia do Público de hoje é, claro, sobre a Grécia e as dificuldades de se formar um novo governo com o actual primeiro ministro. Como vem escrito o nome de Papandreou? Assim, Papandreou, que é a forma correcta de transliteração, e também Papandreu, que é a forma fonética. O autor do artigo, que está na Grécia ao abrigo do programa Público Mais, que se decida qual das versões usa na mesma notícia. As duas à vez, não.


publicado por Ricardo Nobre às 11:32 | referência | comentar

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