Sábado, 31 de Outubro de 2009

O André anda há anos a chamar a atenção (ou melhor, a reclamar) dos preços dos livros em Portugal. Ele tem-se referido, essencialmente, a traduções: por exemplo, um livro inglês recebe na versão portuguesa um preço que pode facilmente ultrapassar o dobro da original, quando não são o quádruplo do valor da Amazon (o que, recorde-se, inclui mais uns euros de expedição por correio).
Vou falar apenas em literatura, não em livros técnicos ou ensaio.
O que faz os livros no original inglês serem tão baratos? Se falarmos de livros da Penguin, estamos perante livros de pequeno formato, com capas bonitas e papel reciclado. Material amigo do ambiente e barato, mas não mau (o papel é tratado de modo a não envelhecer depressa de mais), porque os livros podem ser abertos sem se partirem pela lombada. A esse respeito, é necessário dizer que os livros da Relógio d’Água, que publica quase exclusivamente traduções, passados anos, abrem-se e a cola estala e a capa salta dos cadernos. A Relógio d’Água é das editoras mais caras em Portugal.
Claro que a Penguin é uma grande editora e tem uma distribuição espantosamente grande pelos países de língua inglesa, têm tiragens de milhares e milhares de exemplares, que correspondem às vendas. As editoras portuguesas têm um mercado mais reduzido, mas, que eu saiba, só a Porto Editora e algumas chancelas da Leya apostaram em África (o Brasil está fora, não por causa do Acordo Ortográfico, mas porque a diferença que nos separa não é a grafia, é estrutural: sintáctica e lexical). Para não dizer que livros mais baratos estariam ao alcance de mais pessoas.
Do mesmo modo, a oferta de livros portugueses em grandes plataformas como a Amazon é reduzidíssima (mas existe, a preços inacreditáveis): talvez fosse altura de se pensar em lançar livros nas grandes livrarias virtuais.
Todos estes componentes, por si, explicam que os livros de língua inglesa sejam muito mais baratos do que os portugueses. Mas, se isto é assim em livros originais, como acontece nas traduções? Tomemos por exemplo novamente a Penguin e os livros que integram a colecção “Oxford World’s Classics” que sejam traduções. De novo, os livros ingleses são pequenos, têm papel reciclado bom, não muito grosso, capas bonitas. Os livros portugueses da Cotovia, que publicou a Odisseia, a Ilíada, as Metamorfoses de Ovídio, bem como obras mais pequenas como a Arte de Amar e Amores, de Ovídio, e as Odes de Horácio têm folhas grossíssimas, fita marcadora, encadernação luxuosa, de capa dura e sobrecapa, sem a alternativa brochada. Nos Estados Unidos da América e no Reino Unido, um livro de ensaio sai encadernado e, passado algum tempo, é publicada uma versão brochada, a quase metade do preço (por vezes saem em simultâneo). Não me lembro de a literatura ter uma encadernação de luxo, menos em situações excepcionais (ou seja, edições de luxo ou de coleccionador que se assumem como tal).
Se a Cotovia tem edições luxuosas de obras minúsculas de Ovídio, a Oxford ou a Penguin não gastam papel assim. A Arte de Amar vem num volume — Love Poems — que inclui a Arte de Amar, os Amores, os Remédios de Amor e Cosméticos para Mulheres. A Relógio d’Água tem volumes independentes para A Sonata de Kreutzer e para A Morte de Ivan Iliitch, de Tolstói. Na Oxford, essas novelas fazem parte de um volume, de dimensões normais, com outras obras. E o volume da Oxford vai ser sempre mais barato do que o da Relógio d’Água. A Presença tem quatro volumes de Guerra e Paz, cada um mais caro do que o volume único da mesma obra na Penguin ou na Oxford (um volume da Presença custa mais do dobro do que estas traduções).
De resto, como o André também demonstrou, as traduções inglesas do russo, do turco, do chinês, do latim, do grego, do finlandês são feitas a partir do original. Em Portugal, isso não acontece assim, além do que as traduções são, genericamente, más. Mas nós pagamo-las a preço de ouro.
Por outro lado, há em Portugal organismos do Estado (como a DGLB), municípios, ou instituições (como a Fundação Gulbenkian) que patrocinam edições de livros de comercialização difícil. Às vezes, parece que os editores apenas usam esses patrocínios para ficarem com mais dinheiro, porque o preço é um preço normal no nosso mercado… se a ideia é vender livros de comercialização difícil não seria inteligente serem mais baratos?
De resto, não nos podemos esquecer de que os direitos de autor são um mito. Trata-se antes de mais de ‘direitos de editores’: os autores (e tradutores) recebem, quando muito, 10% (e há editoras que dão menos) dos lucros.
Por tudo isto, o André tem toda a razão em afirmar que o preço dos livros em Portugal é pornográfico.


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Quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

"Klassich ist das Gesunde, romantisch das Kranke".


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publicado por Ricardo Nobre às 21:01 | referência | comentar | ler comentários (2)

Domingo, 25 de Outubro de 2009

As Edições Colibri publicaram há meses Incandescências, pequeno livro (56 páginas) de poesias de Maria Vitalina Leal de Matos. Aqui se reúnem poemas que a autora (Professora Catedrática Jubilada da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa que dedicou a sua investigação aos Estudos Literários, Pessoa e Camões, principalmente) foi escrevendo desde jovem e que coligiu em 1996.

O livrinho é uma “montagem” constituída por poemas escritos desde 1967 até 1990 (mas há poemas sem data). Desta reconstrução resulta, mais do que um percurso poético, uma antologia de belos poemas em que o mundo exterior perturba o interior do sujeito: a linguagem plasma essa intersecção. São, assim, evidentes as metáforas e lindas sinestesias — “Os acordes rutilam no fogo da lareira”.

Os poemas, de simplicidade formal, evocam a beleza, o olhar, o silêncio, glosando temas enraizados numa tradição literária de origem romântica, e que recordam por vezes (também pela linguagem) Antero ou Pessoa. A epígrafe é sugestiva dessa singeleza: “Tudo nos separa. O amor é a ponte.”



publicado por Ricardo Nobre às 11:44 | referência | comentar

Sábado, 24 de Outubro de 2009

O quadro de Jean-Auguste Ingres que representa Édipo a olhar para a esfinge ("Édipo e a Esfinge", 1825) está desde ontem em exposição no Museu Berardo, no Centro Cultural de Belém (em Lisboa), vinda do Museu do Louvre. Ao lado da pintura de Ingres, encontra-se uma outra (representação de 1983 da peça do pintor francês), de Francis Bacon, que esteve no Louvre, mas que pertence à colecção Berardo. Segundo o Público, "a inauguração oficial está marcada para o dia 2 de Novembro, ficando patentes até 10 de Janeiro de 2010".


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publicado por Ricardo Nobre às 07:43 | referência | comentar

Sexta-feira, 16 de Outubro de 2009

Experts say they have proved a statue fragment found in West Sussex depicts the Roman emperor Nero as a young man.



publicado por Ricardo Nobre às 07:20 | referência | comentar

Quinta-feira, 15 de Outubro de 2009

Fewer than 600 miles from the North African coast, nestled along both banks of the narrow River Tiber, Rome sits between the Apennine mountains to the East and the Mediterranean shore to the West.



publicado por Ricardo Nobre às 14:41 | referência | comentar

Sexta-feira, 9 de Outubro de 2009

O sítio da TSF Rádio Notícias corrigiu a grafia do nome do jornal inglês mais importante no domínio económico e financeiro: Financial Times deixa de aparecer escrito como Finantial (como, aliás, aparece aqui e aqui, por exemplo).



publicado por Ricardo Nobre às 17:16 | referência | comentar

A votação decorreu durante meses e os resultados foram divulgados ontem na BBC Four.

Em primeiro lugar ficou TS Eliot, em segundo John Donne, e em terceiro Benjamin Zephaniah. A relação dos 10 melhores resultados é esta.



publicado por Ricardo Nobre às 07:15 | referência | comentar

Segunda-feira, 5 de Outubro de 2009

Descubra as diferenças:

É disto que a notícia da TSF quer falar.



publicado por Ricardo Nobre às 22:35 | referência | comentar

Na capa de 2666, de Roberto Bolaño, obra publicada em Portugal pela Quetzal, lê-se uma citação da Time: "Uma obra-prima. O acontecimento literário da década." Claro que é motivo para desconfiar. Na Time o que se lê é "It [2666] is also a masterpiece, the electrifying literary event of the year [2008]." Por muita liberdade poética que se queira dar à tradução, year nunca pode ser década.


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publicado por Ricardo Nobre às 10:32 | referência | comentar

Domingo, 4 de Outubro de 2009

Por vezes, somos levados a pensar que determinada palavra ou construção sintáctica estão erradas ou são mal empregues porque nunca as tínhamos ouvido, mas a língua é muito mais do que aquilo que uma pessoa só, por muito especialista que seja, pode pensar dela. Além disso, o gosto pessoal define muita coisa, mas não a norma. É por isso que é estranho ler isto, quando os dicionários comuns (Houaiss, Porto Editora, e Priberam, pelo menos), a 5.ª edição do Vocabulário da Academia Brasileira, e até o Vocabulário do Professor Rebelo Gonçalves dizem que certo pode ser advérbio, a traduzir o inglês right ou a ser usado regularmente em português.



publicado por Ricardo Nobre às 11:35 | referência | comentar

Sexta-feira, 2 de Outubro de 2009

Com organização do Departamento de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, terá lugar na próxima terça-feira pelas 18h30, no Salão Nobre da Reitoria da Universidade de Lisboa, uma mesa redonda subordinada ao tema “Nas encruzilhadas do mito: das origens à actualidade”, com Eduardo Lourenço, Vasco Graça Moura, e Marília Futre Pinheiro. No texto de apresentação do evento lê-se que “Nesta mesa redonda pretende-se sublinhar a pervivencia de alguns mitos da Grécia antiga nos dias de hoje através de três contributos e três perspectivas diferentes.”



publicado por Ricardo Nobre às 13:25 | referência | comentar

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