Sábado, 28 de Fevereiro de 2009

Os livros académicos das melhores editoras do mundo são sempre muito caros, por isso merecem nota os saldos promovidos pela Oxford University Press (até 3 de Março) e pela Princeton University Press, donde faço sobressair os que têm que ver com os estudos clássicos (para outras disciplinas, basta navegar nos menus das páginas das ligações).



publicado por Ricardo Nobre às 22:05 | referência | comentar

Pela segunda vez em dois anos, a Biblioteca Nacional da Escócia sofreu alguns danos no seu património bibliográfico por causa de uma inundação, desta vez causada pela ruptura de um cano no 12.º andar. Segundo a notícia da BBC, “[t]he fire service was called to the country's legal deposit library on George IV Bridge just after 1800 GMT and the water supply was cut off within 10 minutes. Some 15 firefighters worked to clear the building with three pumps.” O edifício reabre ao público na segunda-feira.

A National Library of Scotland (em Edimburgo) detém um acervo de 14 milhões de itens, e em Setembro de 2007 havia já sofrido uma inundação em cinco andares depois de o sistema contra incêndio ter sido activado durante obras de remodelação.



publicado por Ricardo Nobre às 16:56 | referência | comentar

Marguerite Yourcenar nasceu em Bruxelas a 8 de Junho de 1903 e foi a primeira mulher a ser eleita para a Academia Francesa, em 1980. A propósito da reedição em língua espanhola do livro Con los Ojos Abiertos: conversaciones con Matthieu Galey, Javier Aparicio Maydeu publica hoje no El País este artigo, de onde se extraem os seguintes passos:

Filtrado por el largo alambique de la cultura clásica aprendida de niña (Tácito y Racine sustituyeron en su infancia a los cuentos de Andersen y Perrault), de sus provechosas lecturas de Proust buscando también las reminiscencias del tiempo perdido y de su querencia por la reescritura de un tiempo pretérito, su interés por la Historia emanada del individuo destila esas apócrifas Memorias de Adriano (1951) que constituyen su obra maestra, modélico relato de la evocación que adopta formas de novela histórica o de epístola moralista, en la que se exhibe espléndida su prosa aristocrática y austera de fraseo aseverativo, escasos adjetivos ("juegan muy malas pasadas"), impecable sintaxis de ecos greco-latinos, discurso autoritario, suntuario, y sutil voluntad epigramática, una prosa argumentativa y pontificadora que transcurre por la página como las espesas aguas de un río. La magia de la palabra evocadora resucita a Adriano, cuya voz solemne fluye en un monólogo fecundo que reflexiona en torno al poder, al amor homosexual o a la memoria personal de las edades del hombre y del paso irremediable del tiempo ("Ciertas porciones de mi vida se asemejan ya a las salas desmanteladas de un palacio demasiado vasto...", "Me esfuerzo por recobrar un instante"), que concluye con la muerte, a la que debemos afrontar sin temor, como reza la frase final, aforística y grave como tantas de las suyas, "Tratemos de entrar en la muerte con los ojos abiertos". Al mismo tiempo que fijaba los cánones de la novela histórica actual y cantaba al hombre solo y dueño de su destino, Yourcenar fue capaz de afianzar para siempre los dominios del soliloquio restaurador del pasado en la narrativa contemporánea, que luego se han visto enriquecidos con En el nombre de la tierra, de Vergílio Ferreira; El libro de familia, de Patrick Modiano; Se está haciendo cada vez más tarde, de Tabucchi, o Elegía, de Philip Roth.

Su pasión por la historia la llevó a reconstruir el Renacimiento en Opus nigrum (1968) a través de la personalidad de Zenón, el alquimista imaginario que Yourcenar se inventa confiriéndole entidad de personaje histórico merced a su infalible empatía lingüística y a una ambientación de época que cuida cada detalle con precisión de arqueólogo. Como sucede en Memorias de Adriano, tampoco aquí importa tanto la intriga cuanto la recreación de una época, ni la acción novelesca adquiere en su narrativa siempre introspectiva el valor que sí tienen en cambio el pensamiento y la conciencia. Yourcenar estima el monólogo porque edifica su obra en torno a la voz, de modo que la palabra sirva entonces al propósito de poner en escena la conciencia de sus personajes, a quienes literalmente les da la palabra, les deja hablar. Su trilogía inacabada El laberinto del mundoRecordatorios (1973), Archivos del norte (1977) y ¿Qué? La eternidad (1988) — va en busca de sus orígenes familiares sin pretensiones autobiográficas ("el público que busca confidencias personales en el libro de un escritor es que no sabe leer"), y sus personajes de ficción son entonces sus antepasados de verdad, pero también a ellos les da la palabra, y habla apenas de sí misma acabada de llegar al mundo, al final de Archivos del norte, con la distancia de la tercera persona pero con la inmensa ternura del recuerdo infantil, "Es demasiado pronto para hablar de ella. Dejémosla dormir sobre las rodillas de Madame Azélie; dejemos que sus ojos nuevos sigan el vuelo de un pájaro". Proust y Tolstói están muy cerca de estas evocaciones familiares nacidas por igual de los archivos y de la invención de la memoria, dispuestas, entre la crónica genealógica y el gran fresco novelesco, "en la inmensidad del tiempo".


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publicado por Ricardo Nobre às 13:48 | referência | comentar

Na versão electrónica do Times, Erica Wagner comentou ontem este fenómeno:

(...) St George's Day is in April — on the 23rd, to be precise — and is believed to coincide with Shakespeare's birthday, so you'd have thought that adding World Book Day into the mix would be just perfect, wouldn't you? But no — our little island nation, eccentric to the last, clearly thinks that it's best not to interfere with the huge annual celebrations (...) that ordinarily mark the Bard's birth, and so set apart World Book Day with its very own dedicated festival. (...)

But then there's the “World” bit, too. English-speaking nations are peculiarly bad at reading what might be called world literature. The translator Daniel Hahn, writing on Booktrust's website devoted to translated fiction makes a valiant defence of our reading habits. Only 3 per cent of books in this country are in translation; in Europe the figure is closer to ten times that. Hahn, acclaimed for his translations of the novels of José Eduardo Agualusa, argues that “reading should open readers' minds, broaden their horizons. But we'd be more open-minded, our horizons broader, if we all started reading English-language writers from cultures in Africa and Asia, more than we would, I think, if we read more close-to-home fiction translated from Dutch or Welsh.” It's a fair point — and there's little to be gained in giving ourselves a scolding. (...) Why think of them as translated books, anyway? Why not think of them as simply books? (...)

And translation itself — if you have even a passing acquaintance with another language — offers rich opportunities for entertainment. (...)

The trick is to keep expanding your horizons. That said (...) why not broaden them across the Channel? (...)

 



publicado por Ricardo Nobre às 08:48 | referência | comentar

Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2009

Notícia da Lusa, citada pelo Público:

A Associação de Professores de Português (APP) pede decisões “claras e definitivas” sobre a implementação do Acordo Ortográfico no ensino, defendendo a entrada em vigor da nova ortografia em simultâneo com o novo programa de Língua Portuguesa.

(…) O ministro da Cultura anunciou este mês que o Acordo Ortográfico deverá entrar em vigor ainda durante o primeiro semestre de 2009. Relativamente ao sistema de ensino, o semanário Sol adiantou que a sua aplicação deverá arrancar no próximo a título experimental num conjunto de escolas.

Segundo a APP, tudo o que tem vindo a saber-se sobre a implementação da nova ortografia é “sempre excessivamente vago”, lamentando, por outro lado, que a associação não tenha sido ouvida sobre esta questão: “Nunca nos pediram a nossa opinião sobre a melhor forma de implementar [o Acordo Ortográfico]. Isso poderia facilitar decisões mais consensuais”.

(…) “Parece-nos muito mais razoável que a nova ortografia entre em vigor quando haja mudança do programa. Tanto quanto sabemos, o Ministério quer introduzir o novo programa em 2010/2011, mas publicamente nunca assumiu nem se comprometeu com essa data”, lamentou o responsável [Paulo Feytor Pinto, da APP].

A associação concorda com a realização de uma experiência piloto num conjunto de estabelecimentos de ensino, já que “nenhum professor português tem a experiência com os seus alunos de mudança de ortografia”. “Ninguém em Portugal pode dizer como é que se faz”, lembrou.

(…)

 

Editores e livreiros "expectantes" e "disponíveis" para cooperar

A nova direcção da APEL está “expectante” relativamente ao Acordo Ortográfico e “disponível” (…) para “colaborar e cooperar” quando “for chamada para tal”, disse à [Lusa] o presidente da associação, Rui Beja.

(…) “A posição da APEL foi dada a conhecer em tempo oportuno por Baptista Lopes [o anterior presidente] e eu tive a oportunidade, na audição parlamentar que houve sobre o tema, de tomar uma posição bastante contrária à aprovação do Acordo nos termos em que estava a ser feita e acabou por ser feita”, disse.

(…) “A situação agora é esta: temos um Acordo ratificado e promulgado, um Acordo para pôr em prática, e a APEL está disponível para colaborar, para cooperar e para dar a sua opinião quando for chamada para tal.” (…)

“Aquilo que vem nos jornais, na comunicação social, é manifestamente insuficiente para sabermos o que está na intenção das entidades oficiais quanto à aplicação do Acordo”, justifica Rui Beja. (…)

Por exemplo, questiona o presidente da APEL, “que se passará em relação ao ensino? Quando é e como é que vai ser feita a introdução do Acordo Ortográfico? Que se passará nesse âmbito com os livros escolares? Que se passa com o Vocabulário técnico-científico, instrumento fundamental para que o Acordo possa funcionar com suporte nessa área, uma vez que há diferenças de terminologia que excedem a ortografia?”.

Acresce a estas a questão dos apoios às transformações que inevitavelmente terão de ocorrer, e em não pequena monta “É o Fundo para a Língua Portuguesa que vai ser utilizado para apoiar? E para apoiar o quê, e quem, e como?”, pergunta Beja.

O responsável máximo da APEL confia em que todas estas questões serão a seu tempo “esclarecidas”. “Para saber as linhas com que temos de nos coser”, observa.

Preocupa igualmente Beja um conjunto de questões relacionadas com as bibliotecas escolares, as bibliotecas municipais, os livros adoptados e os livros incluídos na categoria de obras aconselhadas para leitura dos mais novos. Sobre esta matéria sintetiza a sua preocupação numa pergunta: “Que ortografia haverá nesses livros quando, nas bibliotecas, a ortografia é anterior ao Acordo?”. (…)



publicado por Ricardo Nobre às 13:28 | referência | comentar

Público: "O grupo editorial Leya estima que a adaptação de cada manual escolar ao novo Acordo Ortográfico poderá custar entre quatro e cinco mil euros, pelo que admite o aumento dos preços de venda às famílias."

 

 

Jornal de Notícias: "A Confederação Nacional das Associações de Pais considerou um "desrespeito" o aumento do preço dos manuais escolares, admitido na quinta-feira pelo grupo editorial Leya, sugerindo que as escolas seleccionem manuais de outras editoras."



publicado por Ricardo Nobre às 11:50 | referência | comentar | ler comentários (3)

Começaram ontem as emissões do novo canal de informação português: a TVI 24 (será que o seu nome tem alguma coisa que ver com a France 24?). Ainda não percebi nele a publicitada novidade (os mesmos programas dos outros canais, mas com nomes diferentes, não contam). Na internet, o canal está presente neste endereço. Lamento não ter encontrado nele uma secção cultural, assim como não há na sua grelha um programa desse género (o que espelha uma realidade na casa mãe).

Note-se, em contrapartida, que a RTP N tem uma programação cada vez melhor (há um Guarda Livros e um Ler +, Ler Melhor, por exemplo).



publicado por Ricardo Nobre às 11:36 | referência | comentar | ler comentários (1)

Ainda há alguém que se lembre do professor Fernando Charrua? Em Março de 2007 é noticiado pelo jornal Público que o primeiro-ministro, José Sócrates, afinal não é licenciado em engenharia. Em Maio, no meio de reportagens em directo da Praia da Luz, de onde tinha desaparecido havia pouco tempo Madeleine McCann, outra notícia indigna o país: Fernando Charrua é afastado dos quadros da Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) porque disse piadas sobre a licenciatura do primeiro-ministro. Margarida Moreira, a directora da DREN, responsável pela decisão, não foi na altura advertida nem demitida. Por estes dias a mesma mulher volta a ser notícia: chegou à internet uma carta redigida por ela, e ficou-se a saber que a pessoa responsável pela Educação na Região Norte não sabe escrever.

Se em Maio de 2007 Fernando Charrua foi afastado das suas funções por ter dito umas piadas, creio que nada há a obstar a que esta senhora seja igualmente afastada: não estou, evidentemente, a dizer que deve ser demitida (o desemprego já é bastante elevado) — apenas se exige que volte para a escola para aprender português.



publicado por Ricardo Nobre às 10:48 | referência | comentar

Segundo informação do Ministério da Cultura, está patente no Museu Nacional de Arte Antiga (sala de exposições temporárias), até ao dia 29 de Março, o quadro “Súplica de Inês de Castro”, de Vieira Portuense (pintor neoclássico). A obra, executada para o Palácio da Ajuda no início do século XIX, desapareceu em 1807, quando foi levada para o Brasil na sequência das Invasões Francesas, e só foi recuperada no ano passado.


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publicado por Ricardo Nobre às 09:51 | referência | comentar

Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009

A Reuters é citada pelo Público numa notícia cujo título diz "Egipto: sarcófagos em madeira encontrados por arqueólogos japoneses". Mas na primeira frase da notícia lemos algo diferente: "Arqueólogos japoneses que trabalham no Egipto descobriram quarto sarcófagos de madeira e alguns objectos que podem ter 3330 anos, anunciou o Governo Egípcio." Afinal, o sarcófago é de ou em madeira? Em rigor, as duas formas estão correctas, mas em madeira é galicismo e de madeira, português vernáculo, é preferível e até soa melhor.



publicado por Ricardo Nobre às 16:42 | referência | comentar

Lembro-me de ouvir a minha professora de Português do 12.º ano dizer que tinha escolhido o manual que tínhamos porque nos permitia “fazer coisas”. Havia manuais melhores no mercado, mas que, pela informação, exercícios, textos, e aparato fornecidos, tiravam trabalho ao professor nas aulas. Por isso, o meu manual de Português do 12.º ano era usado mais como antologia dos textos a estudar, dotados de pequenas contextualizações a autores e períodos literários. Olhar para manuais escolares (os meus, mais antigos, mas também os que hoje são adoptados nas escolas, de acordo com os novos programas) agora, quando tenho completa alguma formação superior, e quando o ministério pretende que estes sejam revistos, para escândalo de editoras, é um exercício curioso.

Curioso porque a qualidade dos manuais — na sua componente física (o papel, o aspecto tipográfico, as cores, e as imagens), na sua componente científica (os saberes que estão expressos, a sua validade e correcção), e na sua componente pedagógica (a maneira de dizer esses saberes, de os simplificar à partida, para depois os ir complexificando durante uma demonstração) — é bastante questionável e há sérios motivos para que pais e educadores exijam aos políticos e editoras uma revisão profunda dos conteúdos dos livros escolares (manuais e os chamados auxiliares).

Não quero fazer deste texto um ataque a nenhuma editora em particular, nem a autores em específico. Por isso, escolhi um livro de literatura portuguesa (talvez uma das disciplinas mais difíceis de ensinar, pela falta de preparação de leitura dos alunos que vêm do ensino básico) que não vou identificar. Não pretendo ser exaustivo, por isso vou cingir-me a uma amostragem limitada: algumas páginas que dizem respeito a Almeida Garrett.

No geral, encontramos de imediato erros graves de português:

- ortográficos: Eurípedes em vez de Eurípides, Filinto Elíseo em vez de Filinto Elísio, Vilafrancada em vez de Vila-Francada, ecletismo em vez de eclectismo…

- de pontuação: “Produz na altura tragédias (…) de que avultam um Catão, e uma Mérope.”; “através de excursos, à narração, que será…”

- sintácticos, de onde sobressaem frases sem verbo: “Da mesma época, uma história em verso da pintura europeia, intitulada O Retrato de Vénus (1821), denunciada por José Agostinho de Macedo como ímpia e imoral, o que valeu a Garrett um julgamento e posterior absolvição em tribunal.”; “Nesses excursos digressivos, ecos, em tom irónico, da polémica clássicos/românticos”.

Existem casos de mau português, com repetições do género “Segue de perto a estrutura e as regras clássicas de Os Lusíadas (10 cantos, Invocação, Dedicatória, Narração in medias res). Ao longo do poema, inúmeras paráfrases d’Os Lusíadas reforçam o lado de obediência aos cânones e regras clássicas.” Além disso, não há motivo para que “Invocação”, “Dedicatória”, e “Narração” sejam grafadas com maiúscula; a existência dessas partes constituintes do poema não faz delas o cânone clássico, pois não é disso que se trata… Outro exemplo: “Para além do herói romântico que nos apresenta, o poema apresenta outras inovações românticas (…); a mitologia pagã está igualmente ausente no poema.” O desagradável homeoteleuto de “igualmente ausente” só pode querer dizer que aquilo que é dito também está mal dito: “igualmente” implicaria, a meu ver, um par (X não aparece, e Y é igualmente ignorado). Não é isso que vemos aqui.

Uma afirmação como “a substituição do conceito de imitação de modelos pelo de criação ab nihilo”, aplicado ao romantismo, pode ser tida como séria? O romantismo é nihilista? O primado do sentimento, a hipertrofia do sujeito, e consciência do eu, verdadeiras características do romantismo, são nihilistas? Isso implicaria dizer que a tradição medieval, resgatada do esquecimento e reintroduzida no imaginário nacional, não existiu, apareceu do nada. Ora, nada disto é verdade: além do que a frase “a substituição do conceito de imitação de modelos pelo de criação ab nihilo” contraria tudo o que foi dito antes, pois o texto pretendeu até este momento apontar as influências poéticas de Garrett no poema Camões.

A frase “Como se vê, neste Prefácio [da Lírica de João Mínimo], há ainda alguma incompreensão de Garrett sobre o que seja verdadeiramente o classicismo e o romantismo.” é no mínimo curiosa. Quem a escreveu parte do princípio de que Garrett teria de compreender uma oposição verdadeira, ou, no limite, compreender dois conceitos da história literária que ainda hoje estão em discussão. Talvez a verdadeira incompreensão seja de quem escreveu o livro sem ter lido uma linha das obras sobre as quais fala.

A datação das obras é outro problema frequente. “Um pouco depois, duas obras-primas no campo da poesia lírica, as Flores sem Fruto e Folhas Caídas (ambas publicadas em 1853).” Nada mais errado: as Flores sem Fruto foram publicadas em 1845 (e esta foi a única edição em vida do autor), só as Folhas Caídas são de 1853. Na secção sobre vida e obra, lemos que a Lírica de João Mínimo é de 1827, quatro páginas depois (já na secção “A primeira ‘fase’ de Garrett”) a mesma obra é datada de 1828 (por duas vezes): ora, estas três tentativas estão erradas, pois a obra foi publicada em 1829.

Muito mais haveria a dizer sobre este livro de literatura portuguesa. No entanto, penso que o meu ponto de vista ficou claro. Numa altura em que o Acordo Ortográfico de 1990 vai entrar em vigor, acresce a necessidade de atenção aos pormenores: os livros têm de ser todos revistos à lupa para que a grafia das palavras não oscile. É importante que os manuais escolares sejam cuidadosamente revistos por entidades superiores. A simplificação do complexo, em literatura como noutra área do saber, pode ser pedagógica, mas não pode introduzir erros, espalhar lugares-comuns e preconceitos já ultrapassados.



publicado por Ricardo Nobre às 12:16 | referência | comentar | ler comentários (1)

Investigadores da Universidade de Reading, perto de Londres, concluíram quais são as palavras mais antigas da língua inglesa e de outras línguas indo-europeias. Essas palavras, que têm cerca de 40 mil anos, são as correspondentes a “eu”, “nós”, “dois”, e “três”.

A BBC informa que foi através que um modelo computorizado que aqueles investigadores puderam levar a cabo a sua pesquisa, acreditando-se agora que se pode concluir quais as palavras irão desaparecer (por exemplo, “squeeze”, “guts”, “stick”, “bad”) e que se pode datar a utilização de outras: “At the root of the effort is a lexicon of 200 words that is not specific to culture or technology, and is thereby likely to represent concepts that have not changed across nations or millennia”, diz a BBC, que cita Mark Pagel, biólogo evolucionista da mesma universidade: “We have lists of words that linguists have produced for us that tell us if two words in related languages actually derive from a common ancestral word. (…) We have descriptions of the ways we think words change and their ability to change into other words, and those descriptions can be turned into a mathematical language”.

O trabalho, fruto de cooperação entre linguistas, biólogos, e outros especialistas, partiu de relações de palavras “in order to develop estimates of how long ago a given ancestral word diverged in two different languages. They have integrated that into an algorithm that will produce a list of words relevant to a given date. ‘You type in a date in the past or in the future and it will give you a list of words that would have changed going back in time or will change going into the future,’ Professor Pagel told BBC News. ‘From that list you can derive a phrasebook of words you could use if you tried to show up and talk to, for example, William the Conqueror. There's lots of words he wouldn't have understood — like ‘big’, ‘bird’, ‘heavy’, and 'here'. The words he would've used would've derived from a different common ancestral word to the English words that we're using today.’”

Os resultados da investigação permitem ainda saber a frequência com que uma palavra é usada e a velocidade com que varia através do tempo. Daqui decorre que, como já se previa, as palavras mais comuns são as mais antigas: “For example, the words ‘I’ and ‘who’ are among the oldest, along with the numbers ‘two’, ‘three’, and ‘five’. The number ‘one’ is only slightly younger. The number ‘four’ experienced a linguistic evolutionary leap that makes it significantly younger in English and different from other Indo-European languages.”

Em contrapartida, as palavras que têm mais variação são as que poderão desaparecer mais depressa, sendo substituídas por outras: “For example, ‘dirty’ is a very rapidly changing word; there are 46 different ways of saying it in the Indo-European languages, all words that are unrelated to each other. As a result, it is likely to die out soon, along with ‘stick’ and ‘guts’. Verbs also tend to change quite quickly, so ‘push’, ‘turn’, ‘wipe’ and ‘stab’ appear to be heading for the lexicographer's chopping block.”

O Professor Pagel afirmou também que algumas destas palavras devem ter pelo menos 40 mil anos: “The sound used to make those words would have been used by all speakers of the Indo-European languages throughout history. (…) Here’s a sound that has been connected to a meaning — and it's a mostly arbitrary connection — yet that sound has persisted for those tens of thousands of years.” A teoria assim exposta confirma a crença, desde Saussure, de que o signo linguístico é arbitrário: “The work casts an interesting light on the connection between concepts and language in the human brain, and provides an interesting insight into the evolution of a dynamic set of words.”

O trabalho desenvolvido por esta equipa de investigadores pode ser experimentado neste endereço.



publicado por Ricardo Nobre às 09:53 | referência | comentar

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