Quinta-feira, 31 de Julho de 2008

É estranha, empírica, omissa, ambígua, e confusa a relação que a gramática tradicional tem com a pontuação. A gramática moderna (estruturalista, generativa, entre outras escolas) não costuma contemplá-la nos seus estudos, por se considerar parte da ortografia (que, como se sabe, não é parte da gramática, actualmente dividida entre fonética/fonologia, morfologia, sintaxe, e semântica, havendo ainda quem inclua a pragmática). Apesar disso, as normas ortográficas que nos regem não contemplam qualquer referência a sinais de pontuação.
Nos próximos dias, vou tentar demonstrar como a pontuação actua sobre todas estas vertentes (da ortografia à pragmática). Entendo, ainda assim, que os sinais de pontuação (nomeadamente as vírgulas) servem, primordialmente, para hierarquizar os constituintes sintácticos; outros, como os pontos de exclamação e interrogação, actuam sobre a pragmática, a semântica, e a fonética frásica.



publicado por Ricardo Nobre às 08:00 | referência | comentar | ler comentários (6)

Quarta-feira, 30 de Julho de 2008

Li tudo o que havia a ler em defesa do Acordo Ortográfico. O Prof. Marcelo é o mais lacónico (apesar de ter duas páginas no Sol, não soube dizer que benefícios há no tal documento) e assusta-me a influência que ele tem junto das pessoas; o Prof. Carlos Reis é o mais acabado defensor, mas a mim não me convence porque não dá um argumento do âmbito linguístico. Continuo totalmente contra. E agora convido todos a lerem este artigo do The Times.



publicado por Ricardo Nobre às 10:53 | referência | comentar | ler comentários (2)

Manhã cedo, ligo o iGoogle e no Google Reader leio esta notícia do Público: “Apesar dos alunos terem conseguido resultados mais positivos a Português: Notas de Matemática baixam na segunda fase de exames em relação a 2007”. A construção “apesar dos alunos terem conseguido resultados” é agramatical, porque a contracção da preposição com o artigo só é possível em sintagmas nominais; quando eles iniciam uma oração, não há contracção, como aliás postula o Livro de Estilo deste jornal (cf. “apesar da chuva, o tempo está agradável” vs “apesar de a chuva não parar de cair, o tempo está agradável”). É muito fácil encontrar erros semelhantes na comunicação social (ainda esta semana lia o mesmo no Expresso), o que leva a pensar que se esta jornalista tivesse ido fazer o exame de Português não teria contribuído para a subida da nota. Cita-se, outra vez neste blogue, um excerto da obra Áreas Críticas da Língua Portuguesa, da autoria de João Andrade Peres e Telmo Móia (2.ª ed., Lisboa: Caminho, 2003, 222): “há razões estruturais que aconselhariam a não contrair preposições e artigos (ou pronomes) quando estes últimos aparecem à cabeça de uma oração dependente dessa preposição.” Depois de exemplos como “Surpreendeu-me o facto de o Paulo ter vindo visitar-me.” e “Isto depende de ele querer ou não.”, dizem os autores que no primeiro caso “a preposição de precede uma oração complemento (...) e o artigo ou pronome em causa (...) faz parte de um sintagma nominal integrado nessa frase (...). A este tipo de contextos opõem-se aqueles em que o artigo (ou pronome) faz parte de um sintagma nominal que não pertence a uma oração complemento, mas antes depende directamente da preposição, formando com ela um argumento ou um modificador, casos em que normalmente se faz a contracção”, como na interpretação que dei no meu comentário ao referido texto “o facto da acção significa que a acção tem um facto”.



publicado por Ricardo Nobre às 07:43 | referência | comentar

Terça-feira, 29 de Julho de 2008

Para provar que a literatura latina não é aquilo que normalmente se aprende na escola e se lê amiúde, façam o favor de ler o poema de Lucano: De Bello Ciuili (Guerra Civil ou Farsália). Aconselho, para quem não sabe latim, a tradução da Oxford.

 

Votos de boas leituras,

 

Um Classicista



publicado por Ricardo Nobre às 21:18 | referência | comentar

Sábado, 26 de Julho de 2008

O Diário de Notícias começou hoje a entrega de livros de pequeno formato oferecidos com o jornal, às segundas, quartas, sextas, sábados, e domingos. Os títulos em causa incluem importantes obras (30 romances e contos) de alguns dos melhores autores da literatura universal — eis a colecção completa (a negrito os que considero obrigatórios):
26 de Julho: Coração Débil, de F. Dostoiévski (tradução de Natália Nunes);
27 de Julho: A Metamorfose, de F. Kafka;
28 de Julho: Histórias Eróticas, de G. Boccaccio (tradução de Urbano Tavares Rodrigues);
30 de Julho: A Minha Mulher, de A. Tchekov (tradução de Luiz Pacheco);
1 de Agosto: O Ingénuo, de Voltaire (tradução de João Gaspar Simões);
2 de Agosto: A Morte de Ivan Ilitch, de L. Tolstói (tradução de Adolfo Casais Monteiro);
3 de Agosto: A Peste Escarlate, de J. London;
4 de Agosto: Três Contos, de M. Gorky (tradução de Egito Gonçalves);
6 de Agosto: O Pregador Atormentado, de T. Hardy;
8 de Agosto: Carta ao Pai, de F. Kafka;
9 de Agosto: A Voz Subterrânea, de F. Dostoiévski;
10 de Agosto: Juventude, de J. Conrad;
11 de Agosto: Herbert West: Reani mador, de H. P. Lovecraft;
13 de Agosto: O Estranho Caso do Dr. Jeckyll e do Sr. Hyde: R. L. Stevenson;
15 de Agosto: Um Cântico de Natal: C. Dickens;
16 de Agosto: Onde Vivi e para que Vivi, de H. D. Thoreau;
17 de Agosto: A Fera na Selva, de H. James;
18 de Agosto: A Ciganita, de M. de Cervantes;
20 de Agosto: Histórias do Bom Deus, de R. M. Rilke;
22 de Agosto: O Retrato, de N. Gógol;
23 de Agosto: A Arte da Guerra, de Sun Tzu;
24 de Agosto: O Barco Aberto, de S. Crane;
25 de Agosto: O Crime de Lorde A. Savile, de O. Wilde;
27 de Agosto: O Rapaz Perdido, de T. Wolfe;
29 de Agosto: Um Coração Simples, de G. Flaubert;
30 de Agosto: A Queda da Casa de Usher, de E. A. Poe;
31 de Agosto: Contos, de F. Dostoiévski;
1 de Setembro: Um Embuste Perfeito, de I. Svevo;
3 de Setembro: O Retrato do Sr. W. H., de O. Wilde;
5 de Setembro: Cartas a um Jovem Poeta, de R. M. Rilke.

Os livros são editados pela Quasi Edições e rondam as 90 páginas.


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publicado por Ricardo Nobre às 10:24 | referência | comentar | ler comentários (3)

Por ocasião dos 15 anos do grupo de teatro de tema clássico da Faculdade de Letras de Coimbra, o Thíasos, Helena Damião, do blogue De Rerum Natura, entrevistou Delfim Leão, responsável pelo grupo. Fala-se também da importância dos clássicos (literaturas e culturas) como elemento-chave para a educação. Essa conversa pode ser lida na íntegra aqui.



publicado por Ricardo Nobre às 09:38 | referência | comentar

Quinta-feira, 24 de Julho de 2008

O tempo não estica.



publicado por Ricardo Nobre às 22:21 | referência | comentar

Terça-feira, 22 de Julho de 2008

Os habitantes da ilha de Lesbos, na Grécia, reclamavam a proibição do uso da palavra lésbica para referir a mulher homossexual, porque se sentiam ofendidos. Tratava-se de um caso que, tal como sucede com o Acordo Ortográfico, pretendia que fosse a lei a mudar os hábitos de uma comunidade de falantes. No dia 3 de Maio, eu dava a causa como perdida: sabe-se hoje que foi.

Nota etimológica: o uso de lésbica como designação de mulher homossexual explica-se pelo facto de, alegadamente, Safo, poetisa do século VII antes da nossa era que aí viveu, ter tido essa orientação sexual. Muitos críticos rejeitam essa possibilidade (pois Safo tinha uma relação com o poeta Alceu), enquanto outros a dão como certa. Independentemente disso, a sua poesia (considerada na chamada poesia arcaica grega) consegue arrebatar-nos tantos séculos depois: pela simplicidade e pela doçura, principalmente. Muitos dos poemas da poetisa encontram-se traduzidos por Frederico Lourenço na antologia Poesia Grega de Álcman a Teócrito, da Cotovia.



publicado por Ricardo Nobre às 22:57 | referência | comentar | ler comentários (1)

Segunda-feira, 21 de Julho de 2008

Indiferente às diversas petições, aos diversos pareceres de linguistas melhores do que a Academia das Ciências de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras juntas, o presidente da república promulgou hoje o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990, que altera a grafia de centenas de palavras.

Provavelmente a maior derrota que o português sofreu desde que foi "inventado".



publicado por Ricardo Nobre às 15:50 | referência | comentar | ler comentários (1)

Sábado, 19 de Julho de 2008

A frase que se encontra em baixo do título do blogue é uma adaptação do seguinte enunciado: omnia, patres conscripti, quae nunc uetustissima creduntur, noua fuere, ‘tudo, caros senadores, que agora se acredita ser antiquíssimo já foi novidade’. Trata-se de uma afirmação do imperador Cláudio (transmitida por Tácito, Annales, 11.24.7) durante um debate sobre a permissão da entrada de representantes gauleses no senado romano.



publicado por Ricardo Nobre às 10:47 | referência | comentar

Sexta-feira, 18 de Julho de 2008

Causa-me espanto o facto de, tanto tempo depois de uma avalanche de especialistas em gramática (com formação em tudo menos linguística, naturalmente, pois a maior parte papagueava menos de meia dúzia) terem vindo para os jornais, blogues, rádios, televisões criticar a TLEBS, não tenha havido ninguém que explicasse em condições decentemente aceitáveis qual é a diferença entre porque enquanto conjunção subordinada causal e porque como uma conjunção coordenada explicativa.



publicado por Ricardo Nobre às 07:43 | referência | comentar

Quinta-feira, 17 de Julho de 2008

Há dias, numa entrevista ao Diário de Notícias, Pilar del Río, mulher de José Saramago e presidente da Fundação com o nome do marido, interrompe o jornalista para dizer que só um ignorante é que não a chama presidenta. Depois começa a discorrer sobre a necessidade de se fazer a distinção de género em substantivos que designam certo tipo de cargos.

Os principais dicionários de português registam, de facto, presidenta como sendo o feminino de presidente. No entanto, também registam presidente como substantivo de dois géneros (como, de resto, outras palavras do mesmo tipo, como acompanhante, ajudante, amante, estudante, falante, etc., mas não, e.g., almirante, por razões etimológicas, pelo que se usa almiranta). Estas palavras provêm do particípio presente latino (terminados em -ans/-ens, -ntis): deste modo, há razões históricas para manter os substantivos terminados em -ante e -ente como sendo comuns ao género masculino e feminino.

Há falantes que ainda usam juiz ou primeiro-ministro também como feminino (as formas juíza e primeira-ministra estão há muito consagradas), mas será justo dizer que esses falantes são todos ignorantes?



publicado por Ricardo Nobre às 07:31 | referência | comentar | ler comentários (2)

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