Sexta-feira, 29 de Fevereiro de 2008
Está na página da Internet para quem quiser ler: historia e radio. Com 20 anos, na TSF ainda não se sabe escrever história e, mais irónico ainda, rádio.


Na mesma página, ainda se lê a mensagem Parabéns TSF! Eu diria um bocado melhor: Parabéns, TSF!, com vírgula obrigatória a isolar o vocativo.


publicado por Ricardo Nobre às 21:15 | referência | comentar | ler comentários (1)

Reproduzo o texto do PÚBLICO de hoje, de Ana Machado, sobre os 20 anos da Rádio (com correcções).

A TSF faz 20 anos
TSF: Um projecto que quer continuar a ir “ao fim da rua e ao fim do mundo”
“Hoje, como há 20 anos, tudo o que se passa, passa na TSF”. Quem o garante é Paulo Baldaia, o director da rádio que hoje completa duas décadas de existência. Recém-chegado, Paulo Baldaia ocupou em Janeiro a cadeira deixada por José Fragoso. Mas não herdou só a cadeira de director. Herdou todo o trabalho de organização das comemorações dos 20 anos da estação. Hoje é dia de soprar as velas.
“Este é o maior desafio da minha vida de jornalista e tenho muito orgulho do convite que me foi feito. Tenho a melhor redacção do mundo. Reagem muito bem a um acontecimento”, lembra como na noite do atentado a Ramos Horta e Xanana Gusmão, no passado dia 11. “De repente tinha seis pessoas na rádio, de madrugada”.
Baldaia vive os últimos dias a correr. “Não é todos os anos que conseguimos celebrar”, diz, sobre a efeméride que só acerta na data de quatro em quatro anos, maldição de quem nasce a 29 de Fevereiro.
Há 20 anos Emídio Rangel, um dos fundadores da TSF, inaugurava a emissão, um minuto antes das sete da manhã, com uma de declaração de intenções sobre o que ia ser a nova rádio que queria romper com o modelo instituído, de rádio e de jornalismo, em Portugal. Depois o arranque das notícias era dado por Francisco Sena Santos: “Paz no fisco durante três meses... ” Nascia a primeira rádio dedicada 24 horas por dia, sete dias por semana, à informação. Hoje, como há 20 anos, a declaração de Emídio Rangel volta a ouvir-se à mesma hora.
“Fizemos a diferença há 20 anos. Houve um momento em que até a comunidade política teve de se adaptar à TSF”, conta Baldaia sobre uma maneira de fazer jornalismo que a rádio em directo inaugurou. “Mas isso foi há 20 anos e não vai voltar a acontecer. Hoje é preciso saber chamar as pessoas certas à antena, cativar novas audiências, novas gerações. Temos de nos adaptar”, defende enquanto dava ordens e responde a dúvidas sobre os preparativos da festa.
Para Paulo Baldaia, os 20 anos da TSF encontram não só uma rádio mas um site e o papel da Internet no projecto não pode ser ignorado: “A audição de rádio na Internet está a crescer de dia para dia, tem de se melhorar a produção de informação no site e saber quem podemos ir buscar para nos ouvir. Hoje o país não é o mesmo. É certo que fizemos uma grande revolução e temos de honrar a nossa história. Somos líderes na informação de rádio e líderes na rádio entre a classe A e B. Mas temos de olhar em frente.”
Apesar de já se ter falado muito da rádio como um meio em declínio, Paulo Baldaia acha que a rádio tem ainda muito para dar: “Olho com muito optimismo para o futuro, tenho uma visão positiva do meio .”

O dia de hoje
E conta como vai ser o dia de hoje na TSF, um dia que se quer que seja especial. “Vamos lembrar o que acontecia em 1988, como o congresso da UGT ou a telenovela brasileira que passava — o Roque Santeiro, que celebrizou a personagem de Sinhozinho Malta (Lima Duarte) e a Viúva Porcina (Regina Duarte).”
João Paulo Baltazar coordena uma grande reportagem sobre a história da TSF, feita pelo elemento mais novo da redacção da rádio, a jornalista Joana Dias [correcção: o artigo teve acertos discretos em vários sítios, mas há que dizer que a reportagem foi feita por Maria Miguel Cabo e teve sonorização de Alexandrina Guerreiro].
Está também marcado um debate que junta à mesma mesa os cinco directores que a TSF conheceu até hoje. Paulo Baldaia é o mais novo. Emídio Rangel, David Borges, Carlos Andrade e José Fragoso são os convidados. O jornalista Carlos Vaz Marques modera.
Vão poder ouvir-se ainda, ao longo do dia, depoimentos de 20 personalidades sobre os últimos 20 anos, entre eles Durão Barroso, Cavaco Silva, Xanana Gusmão, José Saramago, Júlio Pomar ou Pinto Balsemão. “Vamos ter os depoimentos em vídeo no site.”
E, para cumprir com um dos mais marcantes slogans da TSF — “Por uma boa história, por uma boa notícia, vamos ao fim da rua, vamos ao fim do mundo” — vai estar um repórter no fim da rua, à beira Tejo, à conversa com António Costa, o presidente da Câmara de Lisboa. A conversa será sobre o ordenamento da zona ribeirinha. No Porto, o fim da rua é na baixa da cidade com uma visita guiada pelo presidente da Câmara, Rui Rio. E vai estar outro repórter, o correspondente na América Latina, Nuno Amaral, em Ushuaia, na Argentina, capital da província da Terra do Fogo, a cidade mais austral, conhecida precisamente como o fim do mundo.



Ligar
+ ao artigo do PÚBLICO
+ ao programa Denise e Maria Delfina especial aniversário
+ ao programa Sinais especial aniversário
+ à reportagem Rua Ilha do Pico, 32, Cave
+ à página do aniversário

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publicado por Ricardo Nobre às 21:09 | referência | comentar

No Ministério da Educação não há verba para um mísero dicionário de língua portuguesa.”, diz Helder Guégués a propósito da ortografia inexacta de Ecoescolas, um projecto de um ministério que de educação tem pouco.


publicado por Ricardo Nobre às 20:47 | referência | comentar

Há 20 anos, a esta hora, começavam as emissões (piratas) da TSF Rádio Jornal, hoje TSF Rádio Notícias. Esse primeiro momento pode ser ouvido aqui. Durão Barroso, Xanana Gusmão, José Saramago, Cavaco Silva, José Sócrates, Carlos Lopes, Ricardo Salgado, Rui Vilar, Pinto Balsemão, Eduardo Lourenço, Santana Lopes, D. José Policarpo, Carvalho da Silva, Maria José Morgado, Ludgero Marques, José Eduardo Moniz, Catarina Furtado, Jorge Sampaio, Júlio Pomar, Herman José, e Mariza são as vinte e uma personalidades que dão o seu testemunho sobre os 20 anos da TSF. Os testemunhos estão no canal da Rádio no YouTube.

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publicado por Ricardo Nobre às 07:00 | referência | comentar

Quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2008

A TSF Rádio Notícias comemora amanhã 20 anos.
A então TSF Rádio Jornal começava a revolucionar todo o conceito de rádio em Portugal: 24h em directo, com notícias de meia em meia hora. Hoje, ainda tem o estatuto de rádio regional, mas cobre quase todo o território português em FM.
Não posso fazer ligação ao sítio desta rádio sobre a sua história porque tal página não existe. Mas há esta página com os acontecimentos mais marcantes da estação.
Amanhã, toda a programação comemorará os 20 anos da Rádio. Depois das 7h da tarde, a não perder a reportagem sobre os primeiros tempos da rádio, pirata, em 1984: “Rua Ilha do Pico, 32, Cave”.

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publicado por Ricardo Nobre às 21:25 | referência | comentar

Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2008
Começa hoje o 18.º Salão Português de Línguas e Culturas. Até sexta-feira, no Centro de Congressos de Lisboa.
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+ ao programa cultural

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publicado por Ricardo Nobre às 11:03 | referência | comentar

Aos 20 anos (é já no próximo dia 29), a TSF atravessa a maior crise de sempre.
O portal da Internet é um desmazelo, os podcasts restritos a poucos programas, as divisões dos temas das notícias discutíveis, as notícias que eram exclusivas ou em primeira mão deram lugar às notícias de sempre, via Lusa e outras agências de notícias. O modo de fazer as notícias é questionável. Há um grande acontecimento no âmbito económico e vai falar o editor de economia do Sol?! E não era melhor ideia haver um editor de Economia na TSF, alguém especialista que tivesse discernimento para falar sobre todos os assuntos dessa área? Ah, e que não dissesse o que eu, totalmente alheado da Economia, não saiba já, por dedução.
O excessivo peso do desporto, o pouco debate sobre assuntos sociais e culturais — a este respeito, notem-se as grandes excepções que são o programa de Manuel Vilas-Boas, Encontros com o Património e o componente cultural dos convidados do Pessoal… e Transmissível —, a perda de tempo que na maior parte das vezes é o programa Mais Cedo ou Mais Tarde (que devia chamar-se “pouco interessante”), entre outras, são motivos para que sinta uma certa desilusão com a Rádio. O fim de A Semana Passada e das revistas do ano é, simplesmente, um escândalo. Não me refiro à qualidade da música: o que era e o que é.
Não se depreenda daqui que a TSF é uma rádio má: é a única que consigo ouvir com gosto (menos a parte do desporto, claro). Há profissionais muito bons e depois há outros mais medíocres. Continua a haver muito boas reportagens, rubricas de humor com piada, ou outras rubricas úteis, por exemplo, a Clínica Geral.
Sei que o director da TSF entrou há pouco tempo. Nota-se pouco a diferença em relação ao anterior e eu, que não ouço a Rádio apenas no carro, como a maior parte das pessoas, faço votos para que Paulo Baldaia mexa na grelha, e que renove finalmente o sítio da Rádio. Aqui tem de haver dois componentes básicos: as notícias e a Rádio propriamente dita. As notícias têm de ter uma divisão mais correcta — “Portugal” não pode ser só política (porque não uma divisão “Política”?) —, mais bem redigidas (e já agora corrigir o URL ‘ocio’ na parte das “Artes”), todas as notícias que vão para o ar têm de estar disponíveis no sítio. E, já agora, colocar a publicidade em sítios mais discretos. Não basta já o peso que têm no ar, quanto mais ainda vê-la a saltar na Internet.
Quanto ao componente “Rádio” de que falei, conviria ter todos os programas disponíveis para audição (se há problemas com direitos de autor ou tamanho de ficheiros, por exemplo, que fique disponível apenas uma semana), uma grelha com a programação exacta e não feita à pressa — e, como sugestão pessoal, uma página-base para cada um dos programas, alimentada pelo autor, onde se poderia ouvir os programas, ler sobre eles... (um pouco como já acontece com o blogue do Mais Cedo ou Mais Tarde). E já agora uma parte com uma pequena história da TSF, com as caras (sim, queria ver as fotos) que fazem a rádio, também era boa ideia.

PS: Actualmente, não se pode ouvir na Internet o trabalho especial sobre os 20 anos da Rádio... irónico.
PPS: A Reportagem TSF desta semana (sexta-feira depois das 19h e domingo depois das 10h) é sobre os primeiros tempos da Rádio, quando funcionava em modo pirata na cave de um prédio. Mas esta promoção não surge no sítio: outra coisa a corrigir.

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publicado por Ricardo Nobre às 08:02 | referência | comentar | ler comentários (2)

Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2008
Os concorrentes do Campeonato da Língua Portuguesa receberam o seguinte comunicado da Comissão Técnico-científica, a propósito do primeiro texto do segundo teste:

A Comissão Técnico-científica do Campeonato da Língua Portuguesa apreciou atentamente as opiniões dos concorrentes reclamando acerca de várias questões respeitando ao primeiro texto do 2.º Teste. Analisadas as considerações que quiseram fazer o favor de enviar, foi parecer da CTC que as circunstâncias decorrentes aconselhariam a uma decisão que ultrapassasse não apenas os erros realmente existentes, mas também as questões que, podendo ser mais polémicas, não facilitariam a superação integral do problema criado.
Assim, a CTC toma a decisão de neutralizar essa pergunta, atribuindo a todos os concorrentes o ponto respectivo.
Certamente que algumas das questões apresentadas não são pacíficas nem constituem erro, como explicaremos. Como a acção da CTC não deve ser ficar-se pela tentativa singela de solucionar diferendos, numa perspectiva pedagógica e de troca de impressões juntamos a esta nota o nosso parecer sobre cada uma das questões levantadas.
(...)

«Ninguém dá mais um paço»
Comecemos pelo erro «paço», que deve ser corrigido pela palavra correcta «passo».
Quanto ao imperativo negativo, não pode ser considerado errado, embora no português da norma seja: «Ninguém dê mais um passo». No entanto, conforme já foi mesmo referido por um dos participantes que contestou a construção da frase, «certos tempos do indicativo podem ser utilizados com valor de imperativo». Na pág.477 da Gramática de referência é enunciado o seguinte: «Com o presente atenuamos a rudeza da forma imperativa»
Mas, por vezes, esta forma do presente do indicativo em vez de atenuar a rudeza da forma imperativa, intensifica a ordem, tornando-a mais peremptória, pela forma oral utilizada. É o caso desta frase.

«Não via um palmo diante do nariz»
De facto, a frase idiomática habitual é «não via um palmo adiante do nariz».
A diferença, porém, entre «adiante» e «diante» é praticamente nula, pois «diante» significa «na frente», «defronte», «em frente de».
«Adiante» significa «na frente», «em tempo futuro», «depois». Haveria, certamente, mais legitimidade em dizer-se «diante do nariz», mas o povo, por vezes, acrescenta «a», no princípio da palavra (fenómeno fonético denominado «prótese») (Exemplos: «alevanta» em vez de «levanta», «amanda» em vez de «manda»). Daí que «não via nada diante do nariz» (por causa do nevoeiro) tem todo o sentido.
Não há no dicionário de referência nada que diga que «não ver um palmo diante do nariz» significa «ser estúpido» diferentemente de «não ver um palmo adiante do nariz» que significaria (segundo um participante) apenas «não ver nada». Ora esta expressão idiomática pode ter ambas conotações.

«Tivéssemos unidos»
Esta frase aparece em vez de «estivéssemos unidos». A situação é muito diferente da que se apresenta na anterior, pois aqui há um erro. A supressão da primeira sílaba transforma o verbo «estar» em «ter», dando-lhe um sentido totalmente diferente. Por isso, não se pode aceitar este erro, mesmo entre participantes com menos de 15 anos, porque não é um caso de oralidade ou de expressão popular, mas de pura falta de conhecimento ou desleixo, que, infelizmente, encontramos em muitos adultos.

«Poder-nos-ia ter sucedido alguma desgraça»
Em relação ao reparo que alguém fez sobre a construção desta frase, considerando-a errada, cumpre-nos dizer o seguinte, acompanhando a própria argumentação desse participante:
Invocando a pág.316 do capítulo «Pronomes Pessoais – colocação dos pronomes átonos» da Gramática de referência, leia-se:
«Quando o verbo principal está no particípio, o pronome átono não pode vir depois dele. Virá, então, proclítico ou enclítico ao verbo auxiliar, de acordo com as normas expostas para os verbos na forma simples. Exemplos: «Tenho-o trazido sempre». «Que se teria passado?»
A partir desta citação, o participante conclui que seria antes correcto dizer: «Poderia ter-nos sucedido».
O que acontece, porém, é que, na frase em questão, há dois verbos principais: «poder» no futuro perfeito, conjugado reflexamente, e «suceder», no infinito composto. Por isso, esta construção está correcta, segundo as normas da conjugação verbal do futuro perfeito («poder-nos-ia ter sucedido»).
Mas vejamos uma outra hipótese registada na mesma Gramática de referência, na pág.318, que se poderá aplicar à mesma frase e que se adequa melhor a este exemplo.
Tendo em conta a colocação dos pronomes átonos no Brasil, diz a Gramática:
«Pôde-se pôr o pronome depois dos futuros (do presente e do passado) (exemplo: poderá se reduzir», «poderia se reduzir». Deixando de ligar-se aos futuros, para unir-se ao infinitivo, deixou igualmente de interpor-se-lhes aos elementos constitutivos.»
Portanto, o que a Gramática de referência aqui refere não é uma regra, mas apenas uma proposta, ou melhor, uma liberdade de aplicação («Pôde-se pôr»).
Assim, é correcta a frase:
«Poderia nos ter sucedido», o que não invalida a frase em questão: «Poder-nos-ia ter sucedido….»

Serros e cerros
Ao elaborar-se o texto, tinha-se em mente a palavra «cerros», que significa «outeiro, pequena elevação de terreno», amplamente empregada por escritores célebres como Eça de Queirós, Aquilino Ribeiro, Camilo, etc. Por isso, o primeiro ímpeto foi marcar erro à palavra «serros». Mas o que é certo é que «serros» está registada com o sentido de «serrania, conjunto de serras, aresta de monte, espinhaço». Desta forma, optámos, então, por não marcar erro, visto que a palavra existe e é empregada na mesma área semântica.


A isto, reagi assim:

Exmos Senhores,

Aproveito o clima de polémica em que o concurso se encontra envolvido para terminar a minha participação, desejando que para o ano, a haver campeonato, a CTC seja constituída por linguistas e não por amadores do estudo científico da língua.

Com os meus melhores cumprimentos,
Ricardo Nobre



publicado por Ricardo Nobre às 20:51 | referência | comentar | ler comentários (4)

O Departamento de Literaturas Românicas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa promove o Curso Livre de Literatura Portuguesa 2008, organizado pelas Professoras Fátima Freitas Morna, Isabel Rocheta, Maria Sousa Tavares, e Serafina Martins.
O tema deste ano é Fernando Pessoa.
O curso decorrerá no Anfiteatro III da Faculdade, de 1 de Abril a 27 Maio, às terças-feiras, entre as 18h15 e as 19h45. As inscrições são feitas nos Serviços Académicos da Faculdade de Letras e a propina é de 40€ para estudantes e 75€ para o público geral.
O programa do curso é este:
1 de Abril: “Pessoa: a correspondência”, Manuela Parreira
8 de Abril: “Pessoa: relações ibéricas”, Antonio Sáez Delgado
15 de Abril: “Pessoa: a fotobiografia”, Maria José Lancastre
22 de Abril: “Pessoa: a edição”, Richard Zenith, João Dionísio
29 de Abril: “Pessoa: a herança clássica”, José Pedro Serra
6 de Maio: “Pessoa: os herdeiros”, Fernando J. B. Martinho
13 de Maio: “Pessoa: o virtuosismo de Bernardo Soares”, António M. Feijó
20 de Maio: “Pessoa: o filme Conversa Acabada”, João Botelho
27 de Maio: “Pessoa e o cânone”, Vítor M. Aguiar e Silva

Como se vê, as sessões são um luxo... e recomendam-se.


publicado por Ricardo Nobre às 07:36 | referência | comentar

Segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2008
Continuação deste texto.

Pergunta 23
É uma pergunta que parece estar relacionada com os pronomes relativos das frases:
“A casa estava situada num monte alentejano, onde, no Verão, recebia muitos visitantes.”
“Há automóveis na rua, cujos proprietários estão ausentes.”
“O negócio em que o António se meteu deu-lhe prejuízo.”
“O caminho que segui foi o mais directo.”
Vejamos:
Na primeira frase, temos um pronome relativo invariável, desempenha a função de complemento circunstancial de lugar onde; a frase equivale a “A casa estava situada num monte alentejano. Num monte alentejano, no Verão, a casa recebia muitos visitantes”: a frase está correcta.
Na frase “Há automóveis na rua, cujos proprietários estão ausentes.”, cujos desempenha a função de adjunto adnominal ou complemento determinativo (designações da gramática tradicional). Equivale a “Há automóveis nas ruas, os proprietários dos automóveis estão ausentes”: frase correcta.
A terceira frase tem o pronome no caso oblíquo, caso atribuído pela preposição “em”. Equivale a “O negócio deu-lhe prejuízo. O António meteu-se no negócio”: frase correcta.
Finalmente, a última frase equivale a “O caminho foi o mais directo. Segui o caminho.” O pronome relativo desempenha a função sintáctica de complemento directo.
Eu sei que a pergunta é “Qual é a frase incorrecta?”. Como todas as frases estão correctas, presume-se que o erro exista na pontuação da segunda frase, que tem uma vírgula a isolar a relativa. Ora, isto torna-a uma oração subordinada relativa explicativa. E explica o quê? Nada, porque a frase está incompleta, e por isso errada. Uma alternativa correcta seria, por exemplo, “Há automóveis na rua, cujos proprietários estão ausentes, a impedir a passagem do autocarro.”, ao lado de “Há automóveis na rua cujos proprietários estão ausentes.”, sem vírgula já é restritiva, o que torna a oração relativa obrigatória na frase.

Pergunta 25
Pergunta difícil: mas o verso eneassílabo anapéstico é o acentuado na 3.ª, 6.ª, e 9.ª sílaba, como toda a gente sabe.

Pergunta 28
Esta será das perguntas mais interessantes deste concurso. Repare-se na marota da vírgula a separar o sujeito do predicado na hipótese “Maio frio e ventoso, faz o ano formoso.” A culpa é de quem? Certamente de um “lamentável erro informático”. Lamentável é o que este concurso se está a transformar. Adiante: pede-se um provérbio que não exista, não que esteja mal escrito, de maneira que a resposta só pode ser “Maio frio e Inverno chuvoso, Verão caprichoso.” Porque quando eu andava na escola Maio não era no Inverno, nem vinha antes do Inverno para predizer o Verão.

Pergunta 30
Muito curiosa a classificação inexacta da 2.ª pessoa do plural do “infinitivo PESSOAL presente”.


publicado por Ricardo Nobre às 21:26 | referência | comentar | ler comentários (7)

Domingo, 24 de Fevereiro de 2008
Tal como das outras vezes, Livro de Estilo pretende problematizar o teste do Campeonato da Língua Portuguesa — e não necessariamente dar as respostas sem uma apreciação crítica acerca de algumas questões linguísticas levantadas.

Primeiro texto
No primeiro texto, surge a forma cotidiano, perfeitamente aceitável em português brasileiro (PB). No entanto, é manifestamente dominante a variante europeia do texto. Assim, é erro.
A palavra pantalha é tão “bonita” que deve ser encorajado o seu uso na SIC e na Sociedade da Língua Portuguesa.

Pergunta 3
Pede-se a expressão correcta de entre estas:

- as blusas amarelas-canário
- as camisas verdes-escuras
- os cavalos puro-sangue
- os vestidos rosas-claro


Ora, sabe-se que o plural de amarelo-canário é amarelos-canários ou amarelos-canário.
O plural do substantivo verde-escuro é verdes-escuros, mas o plural do adjectivo é verde-escuros. Assim, se rosa-claro existir, o plural do adjectivo também não pode ser rosas-claro.

Pergunta 5
É um caso em que há uma hipótese mais correcta do que outra. Claro que as palavras proparoxítonas são sempre acentuadas, mas só dois tipos de acento podem figurar na antepenúltima sílaba.

Pergunta 7

Qual é a classe de «quantos» na frase «Ele perguntou quantos filhos ela tinha.»?
- advérbio de quantidade
- determinante interrogativo


A forma quanto pode ser, segundo diversos dicionários (nenhum igual a outro, como sempre), adjectivo, determinante interrogativo, pronome interrogativo, pronome relativo, advérbio, e substantivo. Nesta frase, “quantos” introduz a oração subordinada completiva de “perguntou”, equivalente a “quantos filhos tens?”. Logo, em rigor, tratar-se-ia de um quantificador interrogativo, só que, como quanto não quantifica o nome que determina (filhos), pode designar-se determinante interrogativo.
Quanto à primeira hipótese, lembre-se que a classificação tradicional (baseio-me na Nova Gramática do Português Contemporâneo) não contempla “advérbio de quantidade”.

Pergunta 8
“Consoante sonora” significa que a sua realização fonética implica a vibração das cordas vocais. Nessa medida, f contrasta com v.

Pergunta 11
Poucas perguntas deste campeonato são tão mal formuladas que não se percebe o que se quer:

Na frase «As aves fazem os ninhos sobre as árvores de grande porte.», «aves», quanto ao sentido e forma, tem a classificação de:
A. hiperónimo
B. heterónimo
C. homónimo
D. sinónimo


Não tem a classificação de nada disso pelo simples facto de que “aves” só pode ser hiperónimo quando se estabelece uma relação entre esta palavra e outra (por exemplo, “ave” é hiperónimo de “canário” e de “periquito”). É por isso que os termos “hipónimo” e “hiperónimo” se enquadram naquilo a que se chama “relações semânticas de hierarquia entre as palavras”. Do mesmo modo, o vocábulo “ave” também pode ser homónimo de “ave”, forma de saudação; para não contar que “ave” pode ser até sinónimo de, por exemplo, “pássaro”. Sozinho, “quanto ao sentido e forma” não é nada.

Pergunta 12
Eu percebo que no terceiro teste se pretenda excluir muita gente com perguntas pretensiosamente difíceis. Mas falar em “tonalidade especial de categoria e de aspecto”, nomeadamente no âmbito da gramática tradicional pouco mais é do que dizer “escolha à vontade porque nós já nos estamos nas tintas”. Vejamos:

A frase «Eu tive de tomar esta atitude.» tem a seguinte tonalidade especial de categoria e de aspecto:
A. disposição ou determinação
B. necessidade ou obrigatoriedade
C. intenção
D. futuro imediato


Duas hipóteses podem estar correctas, a A. e a B., porque parece que a resposta depende da forma como a frase é lida. A ausência de ponto de exclamação parece apontar para algo mais cordial do que uma ordem — mas note-se como se juntou a necessidade com a obrigação: uma mistura muito pouco séria em termos científicos. Ah, esquecia-me que este campeonato não tem nada que ver com “termos científicos” — não vá uma “tecedeira” dizer que é feminino gramaticalmente correcto de “tecelão”.

Pergunta 16
O significado de “trintanário” foi inquirido na grande final do ano passado...

Pergunta 21

Recordando o escritor cabo-verdiano Gabriel Mariano, diga que figura de estilo é visível nestes versos: «Bandeira erguida no vento / em mãos famintas erguida / guiando os passos guiando / nos olhos livres voando / voando livre e luzindo / luzindo a negra bandeira»
A. epífora
B. anáfora
C. epanadiplose
D. hipérbole


Recorde-se que “epífora” (“repetição de uma ou várias palavras no final de um verso, de uma estrofe, de uma frase ou um período”, segundo o dicionário Houaiss) é o contrário de “anáfora” (“repetição de uma palavra ou grupo de palavras no início de duas ou mais frases sucessivas, para enfatizar o termo repetido”). Por sua vez, “epanadiplose” significa “repetição de um termo no início de um verso ou frase e no fim do seguinte; epanástrofe” (também segundo o dicionário Houaiss) ou, no dicionário da Porto Editora, “repetição de uma palavra ou expressão no princípio e no fim do mesmo verso ou frase”. Nos Elementos de Retórica Literária de Lausberg, vem claramente a dizer que a anadiplose também é epanadiplose e epanástrofe (pág. 169). O Dictionnaire de rhétorique de G. Molinié distingue epanadiplose de anadiplose como sendo aquela uma variedade desta.

Continua...


publicado por Ricardo Nobre às 20:58 | referência | comentar | ler comentários (13)

Segundo vídeo comemorativo dos 50 anos do artista brasileiro Cazuza.

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publicado por Ricardo Nobre às 09:44 | referência | comentar | ler comentários (1)

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BBC News
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The Guardian | Culture
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Oxford University Libraries (SOLO)
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Cambridge University Press: Catálogo de Literatura; Catálogo de Estudos Clássicos
Oxford University Press: Catálogo de Literatura; Catálogo de Estudos Clássicos; More than Words (Oxford World’s Classics)
Routledge: Catálogo de Literatura; Catálogo de Estudos Clássicos
Penguin Books


Revista CLASSICA — Boletim de Pedagogia e Cultura

LÍNGUA PORTUGUESA
Vírgulas
Sujeito e Predicado

Vocativo

Oração Causal

Oração Concessiva

Oração Condicional

Oração Conformativa

Oração Final

Oração Proporcional

Oração Temporal


Uso do apóstrofo


Vocabulário estudado
à
Alcaida
contracto
contrato
de
de mais
demais
grama
majestoso
para
presidenta
sedear
sediar
se não
senão
seriação


Livro de Estilo

Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (1945)
Código de Redacção Interinstitucional
Dicionário da Língua Portuguesa (Priberam)
Dicionário da Língua Portuguesa (Porto Editora)
LX Conjugator (conjugação verbal)
MorDeb
Corpus do Português Europeu
Corpus do Português
Corpus Lexicográfico do Português
CETEMPúblico
Corpus Rede de Difusão Internacional do Português
Transliteração do Alfabeto Grego
Associação de Informação Terminológica
Acordo Ortográfico de 1990
Norma Portuguesa de Metrologia

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