Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008
Feita por Bárbara Wong, no PÚBLICO de hoje (com correcções mínimas).
 

Faltam "políticas corajosas" para alterar rede de escolas
A Clássica quer usar a nova lei, unir-se ao Politécnico e criar a maior instituição do país. Discussão pública começa hoje

António Nóvoa, reitor da Universidade de Lisboa, foi das vozes mais críticas à lei do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES). Mas vai aplicá-la através de ligações com o Politécnico e com as escolas de enfermagem da cidade. Para isso vão ser criadas cinco áreas para juntar as escolas e centros de investigação: Ciências da Saúde; Ciências e Tecnologias; Artes e Humanidades; Direito, Administração e Economia; e Ciências Sociais.
A partir de hoje, o programa estratégico vai estar on-line para ser debatido. O objectivo é ter os estatutos prontos até Março. Quanto à lei: faltam “políticas corajosas” para alterar a rede de escolas e o estatuto dos docentes.

Com a ligação ao Instituto Politécnico de Lisboa (IPL) e às escolas de enfermagem, a Universidade de Lisboa (UL) vai ser a maior do país?
Ser maior é irrelevante. As maiores não são necessariamente as melhores.

Com os novos estatutos, como vai ser a UL?
Vai ser uma universidade com melhor organização em dois domínios. No primeiro, investigação e pós-graduação, vamos apostar em áreas de fronteira. Hoje, o que se faz de melhor em muitas áreas, faz-se em domínios de ligação entre disciplinas. O segundo é a racionalização de oferta formativa porque é impensável a situação que se vive na região de Lisboa, onde há muitas instituições e muita oferta.

Esse não é um problema em todo o país?
Nós temos vindo a criticar esta situação há dez ou 15 anos, mas é particularmente grave em Lisboa. São precisas políticas corajosas e determinadas da parte das instituições. Gostaria que a iniciativa fosse do Governo, mas as instituições também devem agir e é nesse sentido que temos vindo a fazer uma ligação com o IPL e as escolas de enfermagem.

Em termos práticos, como é que vai funcionar essa ligação?
Faz-se de duas maneiras. A primeira, que eu considero a mudança mais importante introduzida pelo RJIES, é o esforço de ligar as escolas através da investigação e da pós-graduação. A segunda é a de juntarmos esforços em áreas de saber.

Porque é que há essa necessidade de juntar as faculdades em áreas?
Porque não é possível de outra maneira, quando se junta às nove faculdades da UL um conjunto de áreas de investigação e mais oito escolas do IPL.

Há faculdades que receiam perder autonomia?
É rara a grande universidade internacional que não esteja organizada em grandes áreas. Contrariamente ao que tem sido dito, estas não diminuem a autonomia e identidade das faculdades. Bem pelo contrário. Há áreas em que a mudança é inevitável. Se queremos ser a universidade que se afirma pela sua tradição nas letras e humanidades, isso obriga à renovação.

Não vão ser essas cinco grandes áreas que vão controlar o que se faz em cada faculdade?
As áreas estratégicas vão ocupar competências que até agora estavam centralizadas no senado. Vai haver mais proximidade, porque não faz sentido ter no senado professores de Direito a discutir Medicina. No entanto, esta é uma mudança que obriga as faculdades a trabalharem em conjunto.

Não vai haver fusão da UL com o IPL?
Esse é um dos erros do RJIES. É uma lei pouco ambiciosa nesse aspecto. Mas nós somos mais ambiciosos e vamos definir um projecto de consórcio e caminhar em conjunto. Vamos celebrar acordos onde prevemos programas de pós-graduação, centros de investigação, promover a mobilidade dos estudantes neste espaço mais alargado. E ainda caminhar para uma gestão conjunta com centros de recursos partilhados. Além disso, a gestão administrativa e financeira pode ser mais eficiente.

Os alunos estão preocupados com estas mudanças?
Há alguns receios que são próprios dos processos de mudança, mas a esmagadora maioria das associações de estudantes apoia este processo e gostaria que fôssemos mais longe.

Uma das críticas que tem feito é a falta de um novo estatuto para a carreira dos professores. Mantém-na?
O RJIES é uma lei que não permite a diversidade de organização e o estatuto continua a ser o mesmo. Como é que se renova uma instituição com as mesmas pessoas? A UL não tem docentes ou funcionários a mais, mas há professores a mais em certos lugares e aí temos que encontrar mecanismos de eficiência.

Qual é o maior problema?
O maior problema é o envelhecimento do corpo docente. O drama é não sermos capazes de recrutar jovens, porque as carreiras estão fechadas. Contudo, com a mudança na UL, podemos encontrar uma solução, porque, para determinadas áreas, vamos precisar de massa crítica. Desde Dezembro e até Março vamos recrutar quase uma centena de jovens investigadores aproveitando a política do Governo no quadro da ciência. Esta é uma revolução invisível.

A reorganização da UL vai permitir mais financiamento?
A reorganização vai permitir criar maior capacidade competitiva, porque vamos ter mais massa crítica para concorrer a fundos da ciência. Além disso, vamos criar oferta de formação mais inovadora, que será mais atraente para os estudantes do ponto de vista da formação e empregabilidade. Se ganharmos estes dois objectivos, teremos mais financiamento.



publicado por Ricardo Nobre às 14:55 | referência | comentar

Há uns tempos, ouviu-se dizer que a senhora Ministra da Educação queria que as escolas com nomes de santos mudassem de nome. Não sei se a ideia sempre avançou ou se Maria de Lurdes Rodrigues e os seus secretários de estado se aperceberam que Santo Agostinho, por exemplo, fez mais pela cultura ocidental do que eles alguma vez na vida conseguirão fazer. Eu sei que em Portugal não há escolas com esse patrono.
No entanto, o Estado é laico. Eu, como ateu, venho por este meio mostrar o meu apoio à iniciativa e propor que se alargue ao caso de nomes de padres ou papas. Pedro Hispano e António Vieira não devem ter escolas com os seus nomes.
Da minha proposta faz parte uma lista de sugestões de novos nomes para os estabelecimentos de ensino portugueses, nomes de personalidades que, de modo marcante na nossa cultura (principalmente nomes que digam alguma coisa aos alunos portugueses), merecem essa bela homenagem. Eis a lista. Aceitam-se novas propostas.
Escola Secundária de Marco Paulo
Escola Secundária de Toni Carreira
Escola EB 2+3 de Mikael Carreira
Escola do Primeiro Ciclo da Floribella
Escola Secundária de José Castelo Branco
Escola Secundária de Gato Fedorento
Escola Secundária de Lili Caneças
Escola Secundária de Jorge Nuno Pinto da Costa
Escola EB 2+3 de Soraia Chaves
Escola Secundária de Quim Barreiros
Escola do Primeiro Ciclo das Chiquititas
Escola Secundária de Margarida Rebelo Pinto
Escola Secundária de Pedro Santana Lopes
Escola Secundária de Mónica Sintra
Escola EB 2+3 de Paulo Bento
Escola Secundária de José Mourinho
Escola Secundária de Carolina Salgado

ACTUALIZAÇÃO
Escola EB 2+3 de Eusébio da Silva Ferreira
Escola Secundária de Nuno Gomes
Escola Secundária de Cristiano Ronaldo
Instituto Superior de Engenharia Civil de "Engenheiro" José Sócrates

Foi o meu contributo para a causa laicizista.


publicado por Ricardo Nobre às 08:30 | referência | comentar

Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2008

Sábado estreia no Cinearte, teatro da Barraca, a peça Antígona, de Sófocles (a partir da tradução de Maria Helena da Rocha Pereira).

A profundidade de Sófocles a analisar problemas como a fractura entre a lei natural e a lei do estado. A contradição entre a Justiça e a Lei, a tirania que se serve de decretos casuísticos para fundamentar e apoiar a sua “vontade de poder” e a desobediência de quem se torna intolerante perante o domínio do arbitrário transformado em lei, fazem de Antígona o texto mais exemplar e duradouro da tragédia grega.
Depois de um enorme percurso sobre as Antígonas da dramaturgia universal A BARRACA fixou-se no texto luminoso de Sófocles. A peça com 2500 anos é ainda uma lição sobre os extremismos dos nossos dias. O conflito que opõe Antígona ao poder autoritário acaba por ser o elogio do equilíbrio e do diálogo como forma de salvar as democracias.


Maria do Céu Guerra

Encenação: Maria do Céu Guerra
Elenco: Rita Lello (Antígona), José Medeiros (Creonte), João D’Ávila, Jorge Gomes Ribeiro, Maria do Céu Guerra, Mariana Abrunheiro, Rita Fernandes, Pedro Borges, Ruben Garcia, Sérgio Moras, Tiago Cadete

Horários: de quinta-feira a sábado, às 21h30; domingo às 16h.
Bilhetes a 12,5 € (menores de 25 anos, maiores de 65, estudantes, reformados, e grupos com mais de 15 pessoas: 10€); às quintas, é preço único, 5€.


publicado por Ricardo Nobre às 21:07 | referência | comentar | ler comentários (1)

Terça-feira, 29 de Janeiro de 2008
Depois de um engenheiro electrotécnico fazer parte da equipa de administração da RTP, que admiração nos traz um advogado ser ministro da Cultura?
Convirá ler, a propósito desta remodelação, o que diz Pedro Sales no Zero de Conduta:

Há dois António Pinto Ribeiro. Um é o ex-programador da Culturgest e um dos princiais especialistas em política da cultura. O outro é advogado, especializado na defesa dos direitos humanos. O Governo nomeou António Pinto Ribeiro para ministro da cultura. O advogado.



publicado por Ricardo Nobre às 20:45 | referência | comentar

Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2008
No décimo aniversário da morte de José Cardoso Pires (o escritor morreu no dia 26 de Outubro de 1998), prepara-se a publicação de um texto inédito, Lavagante. Segundo a Agência Lusa, este texto "nunca foi publicado em livro. Houve uma primeira edição, muito reduzida, publicada em 1963 na revista “O Tempo e o Modo”, com o título “Um lavagante e outros exemplares”, com a menção de que se tratava de um capítulo do próximo romance de Cardoso Pires, segundo a explicação das Edições Nélson de Matos."
A mesma fonte esclarece, a propósito do novo projecto editorial que

Nesta editora, que lança os seus primeiros primeiros títulos em Fevereiro, Nélson de Matos propõe-se fazer um trabalho “mais minucioso, mais pessoalizado, que os grandes grupos não podem fazer”, e privilegiar os autores de língua portuguesa.“Estou optimista e vou fazer um trabalho com rosto e com assinatura”, declarou Nélson de Matos, 62 anos, que começou a sua actividade editorial nos anos 70.A obra de Cardoso Pires, com 92 páginas, vai surgir na colecção Mil Horas de Leitura, dedicada à literatura, e deverá estar nas livrarias em finais de Fevereiro, juntamente com dois outros títulos da nova editora.



publicado por Ricardo Nobre às 20:48 | referência | comentar

Sábado, 26 de Janeiro de 2008
Está disponível, através do sítio da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, um texto intitulado A Faculdade de Letras na Universidade de Lisboa: uma visão estratégica. O texto, proveniente do Conselho Científico desta escola, considera que seria negativa "a constituição da área [de Artes, Humanidades, e Ciências Sociais] como uma nova unidade orgânica, com estatutos e orgãos de governo próprios, em detrimento das actuais unidades orgânicas, que seriam desmembradas ou diluídas conforme a sua dimensão, e ficariam incapacitadas de se pronunciar representativamente sobre o seu próprio futuro."
No documento, apontam-se os problemas e as soluções que o Conselho Científico julga existirem relativamente à reestruturação científica da Universidade de Lisboa, em fase de discussão.
Destaco as seguintes citações (o que não é pretexto para não se ler todo o texto, que é de extrema importância):


 

A Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa é uma instituição de ensino graduado, pós-graduado e investigação em humanidades e ciências sociais. A avaliação externa regular dos seus cursos de licenciatura tem sublinhado o seu carácter de referência neste âmbito. No que diz respeito ao ensino pós-graduado, é a maior instituição congénere em Portugal. Oferece perto de quarenta programas de pós-graduação, muitos dos quais de doutoramento. A produtividade destes, medida por exemplo em número de teses defendidas nos últimos anos, é a mais alta a nível nacional (a título de exemplo, entre 2001 e 2007 foram defendidas com sucesso 750 dissertações de Mestrado e 151 teses de Doutoramento.) A Faculdade de Letras acolhe ainda dezasseis centros de investigação, seis dos quais classificados com Excelente e um com Muito Bom nas suas áreas de referência. A maioria dos investigadores destes Centros é docente da Faculdade e vários docentes da Faculdade são investigadores em Centros externos, o que significa que existe um grau importante de articulação entre investigação e ensino e entre instituições. A percentagem de doutores no seu corpo docente ultrapassa os 80%. Um número significativo destes desempenha cargos em instituições públicas e organizações não-governamentais e exerce actividades de serviço à comunidade.
Em diversos domínios científicos, as ofertas curriculares da Faculdade de Letras são únicas em Portugal; noutros, competem com poucas escolas portuguesas. E em vários destes domínios a Faculdade de Letras actua como a principal escola do país, graduando a todos os níveis parte considerável do pessoal docente e investigador de outras instituições nacionais.


 

a Faculdade de Letras concebe vir a oferecer uma licenciatura em Humanidades, bem como participar em outras licenciaturas da Universidade e, desejavelmente, numa licenciatura futura de toda a Universidade. Tratar-se-ia, em todos estes casos, de uma experiência única na Universidade portuguesa, que recupera para o primeiro ciclo a tradição da educação liberal não especializada que marca as grandes universidades mundiais e as distingue de meras escolas técnicas ou aplicadas. Numa licenciatura da Universidade os alunos circulariam pelas várias Faculdades, desenhando, dentro de limites e sob supervisão, planos de estudos próprios e multidisciplinares. A formação final dos licenciados faria finalmente justiça à designação de universitária, universitária por oferecer aos alunos o acesso a todo o espectro do saber, anulando praticamente a Universidade tal como tem existido, como uma colecção de escolas vocacionais, e resolveria, por fim, a difícil questão da empregabilidade dos seus alunos.


 

É intenção da Faculdade de Letras manter um ensino das línguas de nível universitário, em que língua, linguística, literatura e cultura se articulam. Para além do ensino de português como língua estrangeira, em que foi pioneira em Portugal, pretende incrementar a formação linguística dos novos professores e dos professores em exercício, estando disponível para dinamizar a formação contínua dos professores do 1º ciclo do ensino básico. Disponibiliza-se também para formar alunos de todas as faculdades da UL em línguas estrangeiras para fins específicos, como vem acontecendo com o inglês na Universidade, com o alemão e o francês para Ciências da Saúde ou o alemão para Direito e Música. Pretende desenvolver ainda a área da Tradução, que recentemente conheceu um notável incremento, quer no 1º quer no 2º Ciclo, bem como assegurar a manutenção e desenvolvimento da área da Interpretação de Conferência.


 

A Faculdade de Letras manifesta assim a sua intenção firme de aproveitar a oportunidade única de, dentro do novo regime jurídico das instituições do ensino superior, modificar a sua forma de governo e poder adaptá-la às condições actuais, nomeadamente da Universidade de Lisboa. No clima que esperamos de debate franco dentro da sua futura assembleia estatutária espera poder chegar a soluções consensuais de simplificação governamental, assegurando modos de representatividade, responsabilidade pessoal e controlo fundamentais que permitam o desenvolvimento das suas actividades, a experiência rigorosa de novos projectos e, em todos os casos, a sua plena integração na Universidade a que pertence desde 1911.


publicado por Ricardo Nobre às 11:08 | referência | comentar

Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2008
Da reunião de ontem, resultaram alguns esclarecimentos importantes sobre a reorganização científica da Universidade de Lisboa — nomeadamente no que à Faculdade de Letras diz respeito.
Estiveram presentes para esclarecer as dúvidas dos alunos o Presidente do Conselho Directivo da Faculdade de Letras, o Presidente da Associação Académica de Lisboa (que levantou poucas simpatias, pois a Associação de Estudantes da Faculdade de Letras não faz parte da AAL), e dois vogais, representantes dos alunos, do conselho directivo daquela faculdade.
A ideia de que a Faculdade de Letras ia ser extinta, mudar de nome, etc. foi apelidada de rumor. Penso que a declaração que a Lusa fez precisamente há uma semana ajudou nesse rumor: "Ao longo do dia de ontem, a Lusa tentou contactar sem sucesso o presidente do Conselho Directivo."
A culpa, não sendo do presidente, também não foi de mais ninguém.
O que se debateu, e já não está em causa, é fazer passar o estatuto de Unidade Orgânica (autonomia administrativa, científica, e pedagógica) para uma “área” a congregar as duas áreas de saber das duas faculdades. A definição das áreas foi feita por números, assumiu o Presidente da AAL...
A Faculdade de Belas-Artes vai permanecer nas actuais instalações e não se mudam para a Cidade Universitária, nem vai ser incluída na Faculdade de Letras.
Vai continuar a ser debatida na Assembleia Estatutária da Universidade de Lisboa (de que fazem parte pessoas alheias à Academia, como Paulo Teixeira Pinto — note-se o rigor da selecção) a dependência dos centros de investigação em relação à unidade orgânica Faculdade de Letras. Actualmente, os centros dependem financeiramente da Fundação da Universidade de Lisboa e desenvolvem projectos científicos próprios, muitos aprovados pela FCT. Esperemos que essa dependência não sirva para a faculdade pagar as obras de recuperação do pavilhão poente.
Fiquei na dúvida se História e Geografia se mantêm na Faculdade de Letras, uma vez que podem ser consideradas Ciências Sociais, e esta é uma área à parte.


publicado por Ricardo Nobre às 07:46 | referência | comentar

Quinta-feira, 24 de Janeiro de 2008
Convocada pelo Presidente do Conselho Directivo da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, decorre hoje, 24 de Janeiro, às 11h, no Anfiteatro I, uma reunião com os alunos. Dela espero esclarecimentos por parte do responsável pela escola, que tem vindo a defender a reorganização da Universidade de Lisboa, com a sua agregação à Faculdade de Belas-Artes e a criação de uma área de Artes e Humanidades.
Livro de Estilo continua a acompanhar o processo de reorganização da Universidade de Lisboa.


publicado por Ricardo Nobre às 07:45 | referência | comentar

Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2008
Notícia da Lusa, citada pelo PÚBLICO.
Reagrupamento será feito em cinco áreas estratégicas
Faculdades da Universidade de Lisboa não perdem autonomia administrativa e financeira
As Faculdades da Universidade de Lisboa deverão reagrupar-se em cinco áreas estratégicas sem perder a sua autonomia administrativa e financeira, segundo a proposta apresentada hoje pela Assembleia encarregue de reformar os estatutos da Universidade.
A reforma que irá ser proposta à Universidade, ultimada numa reunião realizada hoje, "é bastante profunda e propõe a reorganização da Universidade em cinco ‘áreas estratégicas’ que não afectam a autonomia das actuais unidades orgânicas", disse à Agência Lusa André Caldas, representante dos estudantes na Assembleia Estatutária.
André Caldas salientou que estas alterações estarão num documento que irá ser distribuído no final do mês para discussão a toda a Universidade e não se tratam de deliberações definitivas.

Faculdades não irão perder identidade própria
"As faculdades vão continuar todas a ser elas próprias, mas vão organizar-se em conjuntos que terão órgãos de uma supra-coordenação científica e pedagógica", disse.
"Estas supra-estruturas são baseadas em áreas de conhecimento, não afectam a autonomia administrativa e financeira das instituições, mas traçam as linhas científico-pedagógicas das instituições", realçou.
Segundo a mesma fonte, estas alianças de coordenação científica-pedagógica pressupõem uma partilha de recursos e de saberes, e um aumento de sinergias relativas aos processos educativos e de investigação entre as faculdades.
Na proposta da Assembleia Estatutária, Letras formará uma "área estratégica" com Belas Artes, Medicina com Medicina Dentária e Farmácia, Ciências com Tecnologias, as Ciências Sociais organizar-se-iam com Psicologia e Ciências da Educação e Direito teria uma área à parte.
Cada uma destas áreas integraria ainda os institutos que fazem parte de cada faculdade e, posteriormente, as escolas do Instituto Politécnico de Lisboa (IPL), caso seja concretizada a celebração de um futuro consórcio entre as duas instituições.
"Saíram derrotados aqueles argumentos do ministro Mariano Gago de que defendiam a incapacidade da fundação se auto-gerir, e que nos parecem despropositados, porque há várias formas de gerir as Universidades que não a sua transformação em fundações", disse.
O representante dos estudantes na Assembleia realçou que "a realidade do argumento histórico" impediu que as alterações propostas fossem ainda mais profundas, como ficou notório pela contestação assumida nos últimos dias pelos professores e alunos da Faculdade de Letras, que temiam a extinção das actuais Faculdades como unidades orgânicas.
"Trata-se de um primeiro passo para uma reforma mais profunda e estou convicto que no futuro a tendência será para aprofundar o nível de agregação, assim que as identidades das instituições forem tomando forma dentro das próprias áreas estratégicas", afirmou.


publicado por Ricardo Nobre às 20:40 | referência | comentar

Terça-feira, 22 de Janeiro de 2008
No PÚBLICO de hoje, Bárbara Wong dá conta da crise em que a Faculdade de Letras de Lisboa se encontra mergulhada, dada a possibilidade de a faculdade vir a deixar de ser Unidade Orgânica da Universidade de Lisboa.
 

Alunos e docentes contra extinção de Letras de Lisboa
Depois dos professores, ontem, foi a vez dos alunos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa se manifestarem "frontalmente" contra a possível extinção da escola. Essa possibilidade, declara Álvaro Pina, presidente do conselho directivo de Letras, nunca se pôs. "Tem havido boatos: que a faculdade vai fechar, que vão acabar alguns cursos... São tudo coisas infundadas", diz.
O que é certo é que na passada sexta-feira os docentes reunidos em conselho científico "rejeitaram liminarmente" a extinção. A moção foi aprovada com 120 votos a favor, 32 contra e duas abstenções. Hoje, os professores voltam a reunir-se em plenário para apresentar uma "versão breve de um plano estratégico" para manter a faculdade, informam António M. Feijó e Ivo de Castro, professores catedráticos. Esse documento será entregue ao reitor da Universidade de Lisboa (UL).
A escola tem uma "imagem de marca forte", dizem os catedráticos. António M. Feijó refere que, nos últimos seis anos, foram defendidas 750 teses de mestrado e 151 de doutoramento. "Esta é uma instituição robusta do ponto de vista científico", orgulha-se. E tem um corpo docente reconhecido, acrescenta Ivo de Castro.
Álvaro Pina lembra que a faculdade está a "perder centenas de alunos por ano" e as consequências directas são a redução orçamental. Além disso, a escola "está numa escala diferente das outras" na capacidade de ter receitas próprias.
Amanhã, há uma reunião da assembleia estatutária da UL, da qual sairá um documento que será discutido pela academia, adianta o assessor da reitoria António Sobral.
"O que está em cima da mesa é tão-só a forma de organização da universidade. Da minha parte, o esforço é para encontrar as soluções que permitam melhores condições para os estudantes", defende Álvaro Pina.



publicado por Ricardo Nobre às 09:29 | referência | comentar

Segunda-feira, 21 de Janeiro de 2008
Ao mesmo tempo que o Presidente do Conselho Directivo convocou uma reunião com todos os alunos da Faculdade para a próxima quinta-feira, às 11h, no Anfiteatro I, lê-se mais uma notícia da Lusa, citada pelo PÚBLICO, acerca da possível extinção da Faculdade de Letras enquanto Unidade Orgânica da Universidade de Lisboa.


 

Faculdade de Letras de Lisboa
Alunos de Letras rejeitam fim da Faculdade enquanto unidade orgânica
Os alunos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (UL) manifestaram-se hoje "frontalmente contra" a reorganização científica da instituição em quatro áreas se isso significar a extinção das faculdades enquanto unidades orgânicas, afirmando que estas irão perder autonomia.
No âmbito dos trabalhos da Assembleia Estatutária, a Universidade de Lisboa está actualmente a discutir uma reorganização científica da instituição em quatro grandes áreas, o que poderá passar pela extinção das actuais faculdades enquanto unidades orgânicas.
Em comunicado, a direcção da Associação de Estudantes da Faculdade de Letras afirma que os alunos "posicionam-se frontalmente contra a reestruturação da Universidade (...) caso esta implique o desaparecimento das faculdades actualmente existentes para dar lugar à criação de quatro unidades orgânicas com órgãos de gestão comuns".
"Ciências da Saúde", "Ciências e Tecnologia", "Direito, Administração e Economia" e "Humanidades, Artes e Ciências Sociais" são as áreas propostas, sendo que actualmente a Universidade de Lisboa é constituída por nove unidades orgânicas: oito faculdades e um instituto.
Para os alunos de Letras, a existência de quatro unidades orgânicas vem retirar autonomia às actuais faculdades e permitir "uma acrescida ingerência de entidades externas".
"Por outro lado, afigura-se-nos como uma medida com claras intenções economicistas, no sentido de um corte ainda maior do financiamento, uma vez que as mesmas instalações e o mesmo material, já de si insuficiente, teriam, no caso da partilha de um mesmo espaço físico, de serem distribuídos por um número muito mais elevado de estudantes", acusa a Associação de Estudantes.
Professores também rejeitam a extinção da Faculdade de Letras enquanto unidade orgânica
Na sexta-feira, também os professores da Faculdade de Letras rejeitaram a extinção da Faculdade enquanto unidade orgânica, mas não se manifestaram contra a reorganização científica da instituição nas quatro áreas actualmente em discussão.
De acordo com a moção aprovada sexta-feira em plenário, os docentes "só aceitarão uma reorganização da estrutura institucional da universidade que consista na valorização do património cientifico-cultural existente, com a manutenção das actuais faculdades".
A moção, que será entregue ao reitor da UL, foi aprovada com 120 votos a favor, 32 contra e duas abstenções.
Para o presidente do Conselho Directivo da Faculdade de Letras, Álvaro Pina, a nova organização "permitiria uma melhor formação de estudantes, melhores condições de ensino e investigação e que os sectores mais dinâmicos e com maior capacidade de crescimento possam desenvolver-se sem os constrangimentos que resultam da actual organização orgânica da UL".



publicado por Ricardo Nobre às 21:59 | referência | comentar

Domingo, 20 de Janeiro de 2008
Há tempos apareceu no sítio da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa este texto, assinado pelo Presidente do Conselho Directivo. Não diz muito: fala em crises passadas, recente e presente e, em contexto de comemoração dos 150 anos do Curso Superior de Letras e dos 100 da Faculdade de Letras, desafia mudança.
Ontem apareceu esta notícia no sítio do PÚBLICO:

Professores falem em "mutilação de saberes"
Universidade de Lisboa: docentes da Faculdade de Letras "rejeitam liminarmente" extinção da faculdade enquanto unidade orgânica

Professores da Faculdade Letras da Universidade de Lisboa (UL), reunidos ontem em plenário, "rejeitaram liminarmente" a extinção da Faculdade enquanto unidade orgânica, mas não se manifestaram contra a reorganização científica da instituição em quatro áreas.
"Qualquer Universidade digna desse nome tem como unidade central do seu universo uma Faculdade de Letras. A mutilação de saberes imposta pela sua atomização ou extinção implicaria, 'ipso facto' o fim da Universidade", afirmam os docentes, em moção aprovada sexta-feira à noite, a que a Lusa teve acesso.
De acordo com o documento, aprovado em plenário do Conselho Científico da Faculdade de Letras, os docentes "só aceitarão uma reorganização da estrutura institucional da universidade que consista na valorização do património cientifico-cultural existente, com a manutenção das actuais faculdades".
O documento, que será entregue ao reitor da UL, foi aprovado com 120 votos a favor, 32 contra e duas abstenções. Do Conselho Científico fazem parte todos os professores doutorados da Faculdade de Letras, num total de cerca de 300 docentes.
Na quinta-feira, em declarações à Lusa, o presidente do Conselho Directivo da Faculdade de Letras, Álvaro Pina, anunciou que a Universidade de Lisboa está a discutir e a reflectir sobre uma reorganização científica em quatro grandes áreas, que poderá passar pelo fim das faculdades existentes enquanto unidades orgânicas da UL.
"Ciências da Saúde", "Ciências e Tecnologia", "Direito, Administração e Economia" e "Humanidades Artes e Ciências Sociais" são as áreas propostas, sendo que actualmente a Universidade de Lisboa é constituída por nove unidades orgânicas: oito faculdades e um instituto.
"Os professores não são contra a existência dessas quatro áreas, se essas áreas forem entendidas como áreas de coordenação de ensino e investigação e não como unidades orgânicas", explicou à Lusa Miguel Tamen, professor catedrático da Faculdade de Letras.
De acordo com o docente, se aquelas áreas se tornarem unidades orgânicas, as faculdades vão perder autonomia e órgãos próprios: "O conselho científico, o conselho pedagógico e o conselho directivo passam a ser comuns numa mesma unidade orgânica. As decisões seriam tomadas a um nível muito mais remoto", criticou.
O estatuto orgânico das quatro áreas propostas será votado quarta-feira em assembleia estatutária da Universidade de Lisboa. Prevê-se que seja decidido se serão áreas de coordenação ou unidades orgânicas. Se se optar pela segunda hipótese, as actuais faculdades deixam de existir.
"É um projecto unilateral e individual que não tem qualquer apoio da Faculdade de Letras. Os professores rejeitam liminarmente o projecto e reagiram com grande hostilidade à possibilidade de a faculdade ser extinta por decisão de uma assembleia estatutária", garantiu o docente.
No documento, os professores da Faculdade de Letras reafirmam ainda que só aceitarão "qualquer reorganização orgânica ou a criação de novas unidades" desde que essas decisões sejam tomadas por "assembleias representativas".
No plenário, os professores ponderaram ainda a apresentação de um documento que designaram "moção de censura" contra o presidente do Conselho Directivo da Faculdade de Letras por o responsável, alegadamente, ter transmitido à assembleia estatutária a sua posição em relação à reestruturação, "distorcendo o ponto de vista da faculdade". Prevê-se que seja votado terça-feira.
Ao longo do dia de ontem, a Lusa tentou contactar sem sucesso o presidente do Conselho Directivo.
Na quinta-feira, este responsável defendeu que a nova organização "permitiria uma melhor formação de estudantes, melhores condições de ensino e investigação e que os sectores mais dinâmicos e com maior capacidade de crescimento poderiam desenvolver-se sem os constrangimentos que resultam da actual organização da UL". "Serão sempre áreas de coordenação estratégica. Podem ser unidades orgânicas se isso for aprovado pela assembleia estatutária, ou podem não ser se isso for aprovado", afirmou.
A Lusa contactou igualmente o reitor da Universidade Lisboa, mas António Nóvoa remeteu para segunda-feira qualquer comentário ou esclarecimento.


publicado por Ricardo Nobre às 18:50 | referência | comentar

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contracto
contrato
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