Quarta-feira, 26 de Dezembro de 2007
Como foi Portugal, o mundo, e Livro de Estilo em 2007.

Janeiro
A Universidade de Cambridge anuncia o fecho do curso de Português.
Continuam as críticas à TLEBS. Anuncia-se uma “revisão”.
Exposição “Amadeo de Souza-Cardoso. Diálogo de Vanguardas”, na Fundação Gulbenkian, conhece retumbante sucesso.
É inaugurada a exposição “Vasos Gregos em Portugal” no Museu Nacional de Arqueologia.
É anunciado o fecho do Television Centre da BBC, em Londres.
Começo o blogue Broadcasting House, dedicado à rádio e à televisão, sem esquecer o jornalismo e publicidade.

Fevereiro
Muros da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa são pintados por apoiantes do PNR. A polícia é chamada à escola.
O referendo pelo aborto realiza-se no dia 11. Os portugueses votam maioritariamente pela despenalização até às 10 semanas.
Fica patente no Museu do Chiado uma exposição comemorativa do 150.º aniversário de Columbano Bordalo Pinheiro.
Programa da BBC Radio 4 debate o aparente fim do ensino das línguas clássicas no Reino Unido.
O jornal PÚBLICO é relançado com novo formato.
Helen Mirren galardoada com o Oscar de melhor actriz no filme The Queen.

Março
Alan Johnston, repórter da BBC, raptado em Gaza.
O caso “Universidade Independente” traz ao conhecimento público que José Sócrates não concluiu a licenciatura.
Estreia, na BBC Prime, da série Hustle.
Eleições para a Associação de Estudantes da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Concorre uma lista do PNR, que acaba o sufrágio com 81 votos, contra os 818 da lista adversária.
A campanha Allgarve humilha o governo e a nação portuguesa.
Sai o primeiro volume da Antologia Crítica do Conto Português.
Na RTP, estreia o programa Portugal, um Retrato Social, de António Barreto.
Termina, na HBO, a segunda temporada de Rome.
António de Oliveira Salazar é considerado o Melhor Português de Sempre, num programa da RTP.

Abril
Cartaz do PNR na praça do Marquês de Pombal revela xenofobia. Gato Fedorento respondem com ironia.
Paulo Portas regressa à liderança do CDS.
A petição “Em Favor das Línguas Clássicas”, com mais de 8 mil assinaturas, é entregue na Assembleia da República.
O papa Bento XVI determina o regresso do Latim à Igreja Católica.
Atentado de Seung-Hui Cho no campus da Universidade de Virginia Tech mata 32 pessoas. Foi o pior tiroteio numa escola americana.
Publico neste blogue o texto mais polémico de sempre: a apreciação crítica sobre a tradução do livro A Guerra dos Judeus, de Flávio Josefo, feita do inglês, a língua da Hélade.

Maio
Dá-se o acontecimento que se tornou no caso mais importante do ano, pelo menos em cobertura jornalística: desaparece Madeleine McCann, 3 anos, a passar férias na Praia da Luz.
Sarkozy é eleito Presidente da França.
É lançada no mercado livreiro a colecção “Biblioteca Independente”, das editoras Relógio d’Água, Cotovia, e Assírio e Alvim.
Incêndio no veleiro Cutty Sark.
Entidade Reguladora da Comunicação Social revela resquícios de salazarismo ao determinar o tempo que deve ser dedicado à política nas notícias da televisão.
Ingleses mantêm o exame da disciplina de História Antiga.
O professor Fernando Charrua é suspenso por ter dito uma piada sobre a não-licenciatura de José Sócrates.
Decorre a 77.ª Feira do Livro de Lisboa, igual a todas as outras.
Greve geral dia 30.

Junho
Portugueses são presos na Letónia por profanarem a bandeira do país.
Um aluno de Direito da Universidade do Minho esfaqueia um professor.
Sai a tradução das Metamorfoses, de Ovídio.
Tony Blair sai do governo inglês. Gordon Brown assume o cargo de primeiro-ministro.
O secretário-geral do UMP francês é apanhado a chamar “salope” à rival do MoDem.

Julho
Entra em vigor a lei que proíbe o fumo nos pubs ingleses, bem como em todos os espaços públicos fechados.
Depois de 114 dias de cativeiro, Alan Johnston é libertado.
Fernando Negrão, candidato à Câmara Municipal de Lisboa, diz que a Carris tem uma frota envelhecida, meses depois de a empresa ter renovado toda a frota de autocarros.
A Entidade Reguladora da Comunicação Social censura o jornal PÚBLICO.
Tornam-se públicos casos de pessoas a quem a Caixa Geral de Aposentações recusa a reforma. Nunca haveria de haver responsabilização por nenhuma das atrocidades cometidas por “juntas médicas” constituídas por pessoas sem licenciatura em Medicina.
Eleições na Câmara Municipal de Lisboa. É eleito António Costa, que abandonara o Ministério da Administração Interna.
Sai o último volume de Harry Potter. A Editorial Presença reedita Memórias de Agripina, de Seomara da Veiga Ferreira.
Acidente no aeroporto de Gongonhas, São Paulo, faz 200 mortos.

Agosto
O governo afasta Dalila Rodrigues da direcção do Museu Nacional de Arte Antiga.
Incêndios na Grécia. Mais de 60 pessoas morreram.
Morre Eduardo do Prado Coelho.

Setembro
Morre Luciano Pavarotti.
É inaugurada a exposição comemorativa do centenário do nascimento de Miguel Torga, na Biblioteca Nacional.
Começa o ano lectivo: a BBC anuncia que 750 alunos com idades entre os 9 e 10 anos, em 20 escolas inglesas, vão aprender Latim este ano. Maria Filomena Mónica alerta para a necessidade do ensino da Filosofia, Latim, e Grego.
Aquilino Ribeiro é transladado para o Panteão Nacional.
Santana Lopes deixa a entrevista com Ana Lourenço depois de lhe ter sido cortada a palavra para que a SIC mostrasse a chegada de José Mourinho a Portugal, demitido do Chelsea.
O texto resultante da revisão da Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário é posto a discussão pública.

Outubro
Um político brasileiro proíbe o uso dos gerúndios em documentos oficiais.
No discurso do 5 de Outubro, Cavaco Silva chama a atenção para a Educação em Portugal.
Sai a tradução portuguesa do De Trinitate, de Santo Agostinho. A edição bilíngue é publicada pelas Edições Paulinas. Os Livros Cotovia editam O Burro de Ouro, de Apuleio.
Na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, realiza-se o colóquio sobre a Sexualidade no Mundo Antigo, reunindo os maiores especialistas nas áreas da história, cultura e literatura antigas, desde a Pré-História a Roma.
O portal de notícias na internet da BBC comemora 10 anos.

Novembro
As associações de pais aprovam a medida do governo que pretende criar um exame para acesso à carreira docente.
O governo anuncia que Portugal vai ratificar o Acordo Ortográfico de 1990.
Mês profícuo em publicações de relevo. Saem as traduções de Harry Potter e os Talismãs da Morte e do livro V de Heródoto, enquanto a Biblioteca Independente reedita Os Doze Césares, de Suetónio. Publicados o volume da colecção Mitos e Lendas dedicado à Mitologia Grega e o Dicionário Gramatical de Verbos Portugueses.
Greve geral da função pública pára meio país no dia 30.

Dezembro
Estreia na BBC Radio 3 o programa Essay: Greek and Latin Voices, dedicado às literaturas clássicas.
É assinado em Lisboa o Tratado Reformador da União Europeia.
O Metro de Lisboa chega a Santa Apolónia.
O espaço Schegen é alargado aos países de leste, integrantes da União Europeia.


publicado por Ricardo Nobre às 10:47 | referência | comentar | ler comentários (1)

Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2007
O Acordo Ortográfico que volta a debate data de 1990 e — pode ler-se — “constitui um passo importante para a defesa da unidade essencial da língua portuguesa e para o seu prestígio internacional”. É a única motivação apresentada para que o acordo tenha sido assinado. Eu não concordo com ela.
É inegável que a língua com mais prestígio do mundo é a inglesa, que não tem qualquer acordo a regê-la. O inglês não precisa de unidade ortográfica para que as suas variantes britânica, americana ou australiana sejam inteligíveis. Mas não vou fugir ao tema: a vivacidade do inglês é muito própria e reside, também, no facto de não haver regras rígidas (para o hífen, por exemplo: “e-mail” já vem grafado sem hífen na edição de 2007 do Shorter Oxford English Dictionary). Além disso, as propriedades intrínsecas do inglês não são justificação para não aceitar o acordo da língua portuguesa. Justificação para não aceitar o acordo é o facto de ele não servir para nada e criar conflito com a tradição ortográfica portuguesa — desnecessariamente.
Ao contrário do que acontecia com a nomenclatura gramatical, que irá ser substituída pela Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário, o acordo ortográfico não tem na sua base uma necessidade urgente devida a desadequação científica. As actuais regras ortográficas, datadas de 1945, continuam a servir todos os utentes da língua portuguesa sem deficiências. Dizer-se que ajuda o ensino não é correcto. Não podemos partir do princípio que os alunos não são capazes de escrever “acção”, apesar de não pronunciarem o “c”. Não se aprende a escrever escrevendo o que se ouve: e isso é assim em português, em francês, em espanhol, em inglês, em grego, e certamente em quase todas as línguas vivas. Não se trata de medo de mudança, muito menos de conservadorismo (aliás, isto não é argumento para se dizer sim) — trata-se, antes de mais, de respeito pela tradição ortográfica, baseada na etimologia, na História da nossa língua. Toda a ortografia é mais etimológica do que fonética, e é o respeito pela etimologia que cria a tradição ortográfica de qualquer destas línguas que referi.

Um dos argumentos dos que são a favor do acordo tem que ver com a abertura dos mercados português e africano à indústria livreira brasileira. Ora, isto é uma enorme estupidez. Como toda a gente instruída sabe, o português do Brasil pouco tem de português como nós, portugueses, o usamos. O que ninguém diz é que o português do Brasil não é diferente do português europeu e africano por causa da ortografia — aliás, é das poucas coisas que temos de semelhante. As grandes diferenças registam-se no domínio do vocabulário, da fonética e fonologia, e da sintaxe — o português do Brasil tem construções que em Portugal são agramaticais. Obrigar Portugal e os PALOP a irem atrás de uma língua que já não é a sua está errado, e é desonesto!
Há quem afirme que o acordo privilegia a produção editorial brasileira. Ora, isto só acontece virtualmente, porque os brasileiros vão fazer menos alterações do que nós, e somos nós que nos vamos aproximar da escrita deles. Os PALOP não necessitam que as editoras brasileiras enriqueçam, ou que as portuguesas saiam dos seus territórios. Precisavam, antes de mais, de criar as suas próprias indústrias livreiras, no domínio da literatura e no domínio ensaístico.
Nas cimeiras internacionais, ao contrário do que se diz, vai continuar a haver a necessidade de traduzir os documentos para duas línguas diferentes. As variantes são línguas distintas — e isso vai ter de ser assumido em termos políticos. As alterações que a língua sofreu no Brasil não pode ser travada por decretos: nem se pode obrigar Portugal a adoptar uma ortografia que não se justifica por uma necessidade premente exigida pela evolução fonética. As alterações propostas podem ser simplificadoras, mas não decorrem de necessidades de uso, mas de convenções artificiais — a ortografia é a parte mais artificial de uma língua e, repito, rege-se antes de mais pela etimologia: que é a justificação dada pelo acordo de 1990 para manter algumas grafias, com o “h” inicial, por exemplo.
Não aceito o acordo porque ele não serve para nada (a unificação a que se alude também é ilusória).

Ligações:
Ler o Acordo de 1990.
Petição contra a implementação do acordo ortográfico da língua portuguesa de 1990; Não ao Protocolo Modificativo do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.
Reacções: artigo do PÚBLICO.
PS: Claro que todos os blogues e colunistas dos jornais agora falam do Acordo Ortográfico (quer para o defenderem, quer para o reprovarem). Poucos autores terão sequer lido os propósitos e as bases do acordo. É uma atitude natural e será legítima, mas não honesta.


publicado por Ricardo Nobre às 20:10 | referência | comentar | ler comentários (5)

Domingo, 9 de Dezembro de 2007
O episódio da prisão e acusação de Tício Sabino (4.68-70) é um dos momentos mais emocionantes dos Annales. Um caso de traição e amizade forjada, tão igual a outros contados na obra, mas tão singular na forma como está escrito...
É a história de um homem que nunca abandonou os amigos, mesmo quando perseguidos pelo regime (a esposa do falecido Germânico, Agripina, e seus filhos). Um conhecido de Tício Sabino, Latínio Latiar, aproxima-se, faz-se amigo, ganha-lhe a confiança, e prepara uma emboscada em que três testemunhas (todos eles ex-pretores) presenciam uma conversa comprometedora. O narrador conclui que as tristezas, quando precipitadas uma vez, mais dificilmente são caladas. E Tício acaba mesmo por insultar o imperador Tibério.
Os ex-pretores, Latiar e os que escutaram a conversa escondidos no tecto (num esconderijo não menos torpe do que o engodo abominável, diz Tácito), escrevem a Tibério a denunciar o comportamento de Sabino e o plano que usaram para o agarrar. Sabino é preso e punido. Tibério regozija-se, os delatores são louvados.
Para ler aqui.


publicado por Ricardo Nobre às 10:33 | referência | comentar | ler comentários (1)

Quinta-feira, 6 de Dezembro de 2007
Já tenho dito neste blogue que precisávamos que os professores portugueses fossem melhores cientistas e melhores pedagogos. Como não são, os resultados estão à vista:

A nível global, os alunos [portugueses] obtiveram 472 pontos nas competências associadas à Leitura, menos 12 do que a média global e menos 20 do que a média da OCDE. Para o secretário de Estado Adjunto da Educação, Jorge Pedreira, “os resultados estão aquém do que seria desejável”, evidenciando uma “disfunção” do sistema educativo português.


Era preciso muito, muito investimento no Ensino, o que, infelizmente, não dá votos. Era ainda preciso mudar a mentalidade da política de educação actual, que é: dar computadores, sim; formação, não!
Ligações úteis: sobre o estudo PISA; sobre as prioridades políticas.


publicado por Ricardo Nobre às 12:40 | referência | comentar | ler comentários (1)

A Editorial Presença anuncia o lançamento da obra A Última Estação, de Jay Parini:

O ano é 1910. Leo Tolstói é o escritor mais famoso de toda a Rússia e um dos mais lidos em todo o mundo. Mas, quase a chegar aos 82 anos, o autor de Guerra e Paz almeja apenas um pouco de sossego, longe dos repórteres e fotógrafos e dos conflitos no lar. Baseado nos diários daqueles que integraram o seu círculo mais próximo e também no legado do próprio Tolstói, este livro recria o último ano da vida do grande vulto das letras russas até aos derradeiros momentos que se seguem à sua dramática e desesperada fuga de casa, em Outubro de 1910.


Sem dúvida, na lista de Natal.


publicado por Ricardo Nobre às 09:39 | referência | comentar

Quarta-feira, 5 de Dezembro de 2007
“Um grupo de linguistas portugueses tomou a iniciativa de, antes do final do corrente ano, dirigir uma exposição à Ministra da Educação, com o objectivo de lhe sugerir uma via alternativa à adopção integral da TLEBS, independentemente das revisões, não conhecidas, que esta venha a sofrer.

Sendo difícil avaliar da viabilidade da iniciativa, que depende das adesões, os promotores pensaram que seria útil começar por acolher manifestações de interesse em participar, sem qualquer compromisso de subscrição do documento final. Pedem, por isso, aos Colegas portugueses docentes ou investigadores doutorados ligados ao sistema do Ensino Superior (universitário ou politécnico) e que têm a linguística, a língua portuguesa ou as línguas clássicas como objecto central do seu trabalho – portanto, docentes das áreas de Linguística, de Língua Portuguesa e sua Didáctica, de Estudos Portugueses (incluindo, nomeadamente, Estudos Literários e Comunicação) e de Línguas Clássicas – que enviem uma breve mensagem com uma manifestação de interesse sem compromisso.

Endereço para envio: terminologia_pt@yahoo.com

Informações que a mensagem deve conter:

• nome completo (ou profissional);
• área de trabalho;
• instituição de afiliação:
• categoria profissional;
• endereço electrónico e, se possível, telefone, para contacto.

Os promotores manterão absoluta discrição em relação às mensagens que receberem.
Logo que o esboço do documento esteja concluído, enviá-lo-ão aos interessados, para recolha de eventuais sugestões de alteração.
Na fase final, cada potencial participante receberá o texto final e a lista provisória de subscritores, podendo nessa altura decidir manter ou retirar o seu nome.”


Fonte: Sejamos Claros sobre a TLEBS Revista.



publicado por Ricardo Nobre às 20:32 | referência | comentar

Terça-feira, 4 de Dezembro de 2007
A Texto Editores acaba de lançar o Dicionário Gramatical de Verbos Portugueses, incluído na colecção “Universal”.
Esta obra, dirigida pelo Professor João Malaca Casteleiro, é “o resultado do trabalho de uma equipa experiente de lexicógrafos e vem preencher uma lacuna existente na lexicografia portuguesa.”
Efectivamente, e ao contrário de outros dicionários de verbos que se limitam a apresentar tabelas de conjugação (ultrapassados, pois, pelo recente LX Conjugator), ou dicionários sintácticos cujo corpus é limitado ou reduzido, este tem entradas para 12 648 verbos, fornecendo informação quanto à estrutura e funções sintácticas seleccionadas por cada um desses verbos (e regências), além da respectiva conjugação (através de 106 paradigmas). Pretende, assim, corrigir o lapso de todos os dicionários da língua (em particular do Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, que não classifica os verbos quanto ao tipo de argumento que selecciona).
A seguir, dou dois exemplos de entradas, com algumas adaptações. Nos exemplos não se testemunha a extensão real da entrada, antes se pretende mostrar de que modo as estruturas sintácticas são apresentadas.
Do verbo pedir:


1 trans. dir. [GN[Suj.] V GN[C. dir.]] ‘fazer pedido’: “Assim que entrei, pedi um café.” (...) [GN[Suj.] V FFinita[C. dir.]] ‘fazer pedido’: “O moderador pede que termines a exposição.” 2 trans. indir. [GN[Suj.] V GP(para + FNão finita) [C. prep.]] ‘fazer pedido’: “A testemunha pediu para não ser identificada.” (...)



Do verbo deparar (normalmente mal construído pelos jornalistas):


1 trans. dir. [GN[Suj.] V GN[C. dir.]] ‘fazer aparecer inesperadamente’: “A bomba no metro deparou muito pânico.”; ‘encontrar inesperadamente’: “Deparámos um cão morto na esquina.” 2 trans. indir. [GN[Suj.] V GP(com)[C. prep.]] ‘encontrar inesperadamente’: “Deparei com um bom emprego e logo me candidatei.” 3 trans. dir. indir. [GN[Suj.] V GN[C. dir.] GP(a)[C. indir.]] ‘fazer aparecer inesperadamente’: “A morte do padre deparou muito pesar aos paroquianos.”; 4 pron. [GN[Suj.] V-se] ‘aparecer inesperadamente’: “Os gatunos depararam-se à nossa frente.”; [GN[Suj.] V-se GP(com)[C. prep.]] ‘encontrar inesperadamente’: “O condutor deparava-se com um engarrafamento monumental.”



Outra inovação importante é a extensão dos paradigmas fonéticos de conjugação. Nessas sessenta e nove tabelas, os verbos são conjugados no alfabeto fonético internacional, o que permite esclarecer dúvidas quanto à pronúncia dos mesmos (e resolver “estêjamos” por “estejamos”, por exemplo).
No final, duas páginas de bibliografia básica sobre o estudo do vocabulário e mais especificamente sobre o verbo em português, obras que “condicionaram as opções tomadas”.

Enfim, é um dicionário que responde a uma enorme necessidade dos estudos linguísticos e da língua portuguesa, quer por estudantes nativos da língua, quer por estrangeiros.
Tenho de fazer, contudo, alguns reparos mínimos. A Introdução, que desenvolve nas partes “Classificação morfossintáctica” e “Estrutura sintáctica” os conceitos gramaticais que surgem ao longo do dicionário, como “[verbo] copulativo”, “sujeito”, etc. poderia talvez ser mais completa, definindo ainda melhor essas noções. No entanto, note-se, como está não está mal, pelo contrário, parece-me bastante acessível e edificante (melhor do que qualquer outro dicionário de verbos), mas podia ter ido mais além.
A outra observação tem que ver com o formato de edição. Quando todos os dicionários da Oxford University Press, da Cambridge University Press, ou mesmo alguns da Porto Editora incluem já um CD para instalação em PC, este dicionário só está a ser vendido em papel. Isto, evidentemente, não lhe retira a utilidade, mas seria uma questão a ponderar para um futuro próximo.

CASTELEIRO, João Malaca (ed.), Dicionário Gramatical de Verbos Portugueses (Universal, Lisboa: Texto Editores, 2007), 857 páginas.

NB: As citações entre aspas são do prefácio ou da introdução do dicionário.


publicado por Ricardo Nobre às 07:15 | referência | comentar

Segunda-feira, 3 de Dezembro de 2007
A belíssima tradução da obra De Trinitate, de Santo Agostinho, será apresentada amanhã às 18h na sala de exposições do edifício da Biblioteca João Paulo II (2.º andar), da Universidade Católica Portuguesa de Lisboa (junto ao Hospital de Santa Maria, pelo lado poente da Av. Egas Moniz). À apresentação feita por Jacinto Farias, seguem-se a intervenção do coordenador da tradução, Arnaldo do Espírito Santo, e a leitura de passos por Maria Cristina de Sousa Pimentel.
De Trinitate foi traduzido pelos Professores Arnaldo do Espírito Santo (coordenador), Domingos Lucas Dias, João Beato, e Maria Cristina de Sousa Pimentel; a introdução e notas são do Professor José Maria da Silva Rosa.
A edição que se apresenta, encadernada, é bilíngue, tem 1201 páginas, e constitui um importante contributo para a cultura nacional.

AGOSTINHO, De Trinitate, trad. Arnaldo do Espírito Santo (coordenador), Domingos Lucas Dias, João Beato, e Maria Cristina de Sousa Pimentel (Prior Velho: Paulinas Editora, 2007).


publicado por Ricardo Nobre às 07:05 | referência | comentar

RÁDIO
TSF — Rádio Notícias (emissão directo)
BBC Radio 4 (emissão directo)
BBC World Service (emissão directo)
BBC Radio 3 (emissão directo)
BBC Radio 5 Live (emissão directo)
LIGAÇÕES DE REFERÊNCIA
Informação Geral
BBC News
The Guardian
Público
Times
Diário de Notícias


Cultura
The TLS
BBC | Entertainment & Arts
The Guardian | Culture
Telegraph | Culture
New York Times | Arts
DN | Artes
Ípsilon
El Mundo | Cultura
El País | Cultura
Público | Culturas
Le Monde| Culture

LITERATURA
Bibliotecas
Biblioteca Nacional de Portugal (Porbase)
The British Library
Library of Congress
Bibliothèque nationale de France (Opale)
Biblioteca Nacional de España
National Library of Scotland
Biblioteca da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (SIBUL)
Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra
University of Cambridge Library (Newton)
Oxford University Libraries (SOLO)
Harvard Libraries (HOLLIS)


Editoras
Cambridge University Press: Catálogo de Literatura; Catálogo de Estudos Clássicos
Oxford University Press: Catálogo de Literatura; Catálogo de Estudos Clássicos; More than Words (Oxford World’s Classics)
Routledge: Catálogo de Literatura; Catálogo de Estudos Clássicos
Penguin Books


Revista CLASSICA — Boletim de Pedagogia e Cultura

LÍNGUA PORTUGUESA
Vírgulas
Sujeito e Predicado

Vocativo

Oração Causal

Oração Concessiva

Oração Condicional

Oração Conformativa

Oração Final

Oração Proporcional

Oração Temporal


Uso do apóstrofo


Vocabulário estudado
à
Alcaida
contracto
contrato
de
de mais
demais
grama
majestoso
para
presidenta
sedear
sediar
se não
senão
seriação


Livro de Estilo

Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (1945)
Código de Redacção Interinstitucional
Dicionário da Língua Portuguesa (Priberam)
Dicionário da Língua Portuguesa (Porto Editora)
LX Conjugator (conjugação verbal)
MorDeb
Corpus do Português Europeu
Corpus do Português
Corpus Lexicográfico do Português
CETEMPúblico
Corpus Rede de Difusão Internacional do Português
Transliteração do Alfabeto Grego
Associação de Informação Terminológica
Acordo Ortográfico de 1990
Norma Portuguesa de Metrologia

APONTADORES
Bandeira ao Vento
Blogtailors: o blog da edição
Cadê o Revisor?
Detective Cantor
Lóbi do Chá
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