Domingo, 29 de Abril de 2007

A precariedade à portuguesa tem no recibo verde um dos seus instrumentos mais irónicos. O trabalhador sem contrato nem direitos, que cumpre horário e assume um lugar de trabalho necessário e permanente na empresa, é pomposamente tratado (...) como um empresário em nome individual que presta os seus serviços a um cliente.

O jornal Público tão preocupado com os diplomas do nosso primeiro, tem que começar a exigir diplomas de cultura geral aos seus jornalistas.

Mantenha-se atento à SporTv. É lá que vai ser notificado da próxima diligência!

Fui eu a lançar a febre do Tetris, que varreu o país de alto a baixo aqui há coisa de quinze anos. Um bocadinho menos, talvez. E até apresento dados concretos, sob a forma de datas inequívocas. O boom do Tetris portátil sucede no início do ano lectivo mil novecentos e noventa e três/mil novecentos e noventa e quatro – um ano curiosamente absolutamente lastimoso do ponto de vista que realmente interessa, o futebolístico. Invulgar, isto de ter recorrido a três advérbios num curtíssimo período frásico. (...) Certa vez, com a boa fé que me define, ao procurar ajudar Pascoal, informei-o que a melhor forma de saber o que eram advérbios era pensar que esses gajos eram malta para acabar todos em “ente”. Ele processou a informação e eu, admito, fiquei deveras orgulhoso quando o Pascoal, desafiado a enunciar um advérbio pela professora viciada em advérbios, saiu-se com um, e isto é a mais pura das verdades, “Pepsodent”.

Informa-nos Plínio, na sua História Natural, de que Ésquilo morreu porque uma águia lhe deixou cair sobre a cabeça, confundindo a calva do poeta com uma pedra, uma tartaruga cuja carapaça pretendia quebrar. E que é que isso nos diz sobre Ésquilo? Nada de especial, mas o facto é que Plínio não estava a falar sobre Ésquilo – ele estava a falar sobre a águia.



publicado por Ricardo Nobre às 09:00 | referência | comentar

Sábado, 28 de Abril de 2007
Uma (a melhor?) coisa boa que o 25 de Abril de 1974 nos trouxe foi a liberdade de expressão, e com ela o fim da censura. A Internet deu um impulso inigualável a essa liberdade: pelo acesso de todos a toda a informação e aos modos de expressão (como os blogues), mas principalmente pela máscara do pseudónimo ou anonimato.
No entanto, ainda que dissimulado, o Blogger dispõe de um serviço de censura prévia de comentários, ferramenta que há muito desactivei no Livro de Estilo: chama-se “moderação de comentários”. Para prevenir os maus de se aproximarem dos bons e permitir aos bons afastar os maus antes de o mal estar feito.
Uma coisa é certa: o blogue não é um meio de arranjar chatices. E há autores que simplesmente retiram a possibilidade de comentário ao leitor. Mas isto por vezes irrita — até porque não podemos escrever sorrisos e expressões onomatopaicas de risota como comentário — e ninguém manda mensagens de correio electrónico com risinhos a comentar um texto (até porque dá mais trabalho abrir o servidor do correio e introduzir os dados do que abrir simplesmente a janela de comentário). E esta estratégia não permite o tão almejado anonimato.
Mas a própria “moderação de comentários” dissuade o leitor de comentar. O anónimo quer fazer estardalhaço, não quer ficar à espera que o autor do blogue o ponha na Rede.


publicado por Ricardo Nobre às 13:19 | referência | comentar

Nas minhas deambulações pelo sítio da BBC encontrei uma notícia comovente. Há alunos da escola primária no Reino Unido que escrevem cartas em latim: “The aim is to introduce the ethnically mixed pupils, who speak up to 30 different languages at home, to Latin, which underpins much English vocabulary”. Tentam provar-se as influências que tal aprendizagem pode ter para efeitos de literacia, ao mesmo tempo que serve de chamariz para a cultura e civilização clássicas. Diz a professora que “It will help the children think about language and how it is constructed at an early age. They all ask questions and are making good progress.” A reacção de crianças de nove anos? “Judging by the rapid raising of hands every time Lorna [a professora] asks a question, they enjoy the lessons.”
Vantagens de ser latim e não outra língua? A professora responde: “One of the good things about Latin not being a spoken language is it's more theoretical, meaning kids can look at words and work out what they mean”.
Dizia no início que era uma notícia comovente. É, principalmente porque há uma aluna de nove anos que dá o seguinte testemunho: “My mum is Brazilian and the Latin helps me with my Portuguese”. Nove anos e percebe isto, porque é que há políticos que não entendem?
O bom professor preocupa-se com questões destas. É importante ler esta comovente notícia. E comover-se.

PS: Sei que há experiências semelhantes e muito bem-sucedidas nalguns colégios particulares em Portugal.


publicado por Ricardo Nobre às 09:48 | referência | comentar | ler comentários (3)

Sexta-feira, 27 de Abril de 2007
Um dos temas da actualidade dentro da Igreja Católica é a vontade do Papa em restaurar o latim como língua das eucaristias. Fernando Alves e Manuel Vilas Boas, jornalistas da TSF, debateram em conjunto este desejo, na edição do programa Semana Passada de 17 de Março (pode ser ouvido directamente daqui, ou com este podcast).
Enquanto latinista, a ideia não me repugna — mas não sou tão calculista que vê nisso o reviver dos clássicos e um aumento no interesse do latim — e uma oportunidade de emprego na área do ensino. Penso, aliás, que nenhum benefício decorrerá para os estudos clássicos desta decisão: os latins são bem diferentes e um fiel católico dificilmente aceita uma literatura pagã e mitológica. Para estas considerações, levo à letra a noção de “estudos clássicos”, pois os textos das liturgias cristãs medievais já não são clássicos.
Percebo as críticas de alguns, fiéis ou não, à decisão, mas também percebo as razões que levaram Bento XVI a tomá-la. As diferenças entre a Igreja Maná (por exemplo...) e a Igreja Católica é a seriedade da segunda: e nenhuma língua ou manifestação artística suplanta o latim, o canto gregoriano e a arte sacra da Igreja Romana. No entanto, o latim é uma língua morta, sem interesse prático visível — e muito difícil. Uma missa totalmente em latim afastaria as pessoas da Igreja, que vão assim em busca de outra igreja (agora há tantas à escolha...), mais popular, mais próxima dos crentes.
Ainda assim, essa busca será feita por quem não conhece as suas origens, não aceita os valores católicos. E a origem é o latim. O latim é a grande herança da Igreja Católica, ao lado do canto gregoriano. Retirá-los lembra os currículos escolares portugueses. As crianças têm dificuldade em aprender? Retira-se a matéria. As pessoas não assimilam a mensagem religiosa? Transmite-se em vernáculo.
Missa em vernáculo, partes em latim, explicações cuidadosas por parte dos sacerdotes, mais latim nas missas mais importantes, cantos gregorianos acompanhados de tradução... Talvez seja este o caminho do sucesso.

Uma nota final. Não sei, nem ninguém sabe, que repercussão terá esta reintrodução do latim na eucaristia católica, quantos fiéis vão deixar de ir à missa (esquecendo que, sendo fiel, em princípio, não deixa de ir à missa por causa de mais solenidade de uma língua diferente), uma coisa é igualmente certa: também não vai chamar cristãos outrora apartados a nenhuma dessas celebrações.
Dixi.

Ligações:
BBC — Concerns over Pope's Latin Mass move.
Telegraph — Catholics miss the old Latin Mass.


publicado por Ricardo Nobre às 22:45 | referência | comentar

Não fica muito bem a um académico como eu (modesto...) dizer publicamente que nunca leu completamente a obra Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco. Li outras, como a Sereia e a Queda dum Anjo, que muito me deleitaram. Amor de Perdição, talvez pela minha inexperiência de leitor, foi uma leitura frustrada: não acabei, desisti bem antes do meio.
Hoje, com a experiência acumulada, volto a Camilo e a Amor de Perdição. Ainda não acabei de ler, mas já percebi que é uma peça importantíssima da literatura portuguesa. Era bom que mais gente se apercebesse disso, que regressasse aos bons “clássicos” portugueses, se deixasse de literatura reles. Eu sei que é preferível ler reles do que não ler nada, mas... os padrões estão demasiado baixos.
Não vi notícia nem crítica na imprensa a dar conta de novas edições de Camilo, feitas com grande qualidade, que recentemente entraram nas livrarias... Camilo saiu dos currículos escolares. Reintroduzi-lo não seria negativo, pelo contrário. Romântico e vernaculista, é uma inestimável fonte do saber dizer em português.

Diz Camilo na dedicatória a Fontes Pereira de Melo: “Que V. Ex.ª tem romances na sua biblioteca, é convicção minha. Que lá tem alguns, que não leu, porque o tempo lhe falece, e outros porque não merecem tempo, também o creio. Dê V. Ex.ª, no lote dos segundos, um lugar a este livro, e terá assim V. Ex.ª significado que o recebe e aprecia, por levar em si o nome do mais agradecido e respeitador criado de V. Ex.ª”
Transportem-se estas palavras para cada um de nós, encontremos o tempo que nos falece para voltar a Camilo.

Actualmente, são várias as editoras que publicam Amor de Perdição. A acessível Europa-América foi ultrapassada em muito, em qualidade e preço, pela Porto Editora que faz, com a colecção “Mundo das Letras”, um meritório trabalho de publicação de obras portuguesas de reconhecida qualidade, mas que estavam quase desaparecidas dos circuitos comerciais. Também em versão de “bolso”, existe a edição das Publicações Dom Quixote.
Para especialistas e académicos, há duas edições recentes e de grande valor. A Imprensa Nacional-Casa da Moeda publica
num volume duas versões, em edição diplomática e crítica, da responsabilidade do Professor Doutor Ivo Castro (trabalho de linguista). As Edições Caixotim têm uma bonita e cuidada edição, com prefácio e fixação de texto do Professor Doutor Aníbal Pinto de Castro (trabalho de professor de Literatura).


publicado por Ricardo Nobre às 13:22 | referência | comentar

Foi entregue na Assembleia da República há uns tempos a Petição “em favor das línguas clássicas”, que foi assinada por mais de 8000 pessoas. No acto, muitos deputados estranharam a situação a que se chegou, mas é pena que não se apercebam que a situação chegou onde eles a levaram. Enfim... Chega agora a vez de ser discutida em plenário. Dia 4 de Maio, às 10h (a hora classifica a importância do conteúdo para a nossa política).


publicado por Ricardo Nobre às 09:42 | referência | comentar

Quinta-feira, 26 de Abril de 2007
Saiu há semanas uma primeira tradução portuguesa da obra de Flávio Josefo, A Guerra dos Judeus (2007, Edições Sílabo, com acento, ao contrário do que o autor da introdução escreve). Depois de ouvir algumas críticas bastante negativas, fui eu investigar. Estive meia hora com o livro na mão, numa livraria de Lisboa (para queimar 28€ atiro-os para a fogueira). Estas foram as minhas conclusões:
Há pormenores que podem ser considerados insignificantes:
- Pompeu, em vez de Pompeio. Erro comum, mas que não é dado por historiadores profissionais.
- Ptolomeu, em vez de Ptolemeu. Eu sei que o Vocabulário da Língua Portuguesa de F. Rebelo Gonçalves tem as duas formas, mas só uma é usada pelos bons historiadores e autores, é a segunda, sustentada pelo grego.
- assassinato e passagem estão em vez de assassínio e passo, trata-se, evidentemente, de galicismos desnecessários.

Apercebi-me de outros “problemas” que se devem a manifesta ignorância e impreparação científica e académica (eu sei que o prefaciador critica a academia, mas além de fazer parte dela, temos de perceber o grau de analfabetismo que está em causa):
- P. Quintílio Varo, referido já neste blogue, aparece rebaptizado de P. Quintílio Varrão. Sabemos a diferença entre Varus, i e Varro, onis? Claro que não, senão não éramos burros.
- Uma nota de rodapé diz que o ano em que Nero morreu, 68 d.C., ficou conhecido como o ano dos quatro imperadores. Vamos contar. Nero, um, Galba, dois... Nero, um, Galba... dois. Pois é: para mim, e para muitos historiadores, o ano dos quatro imperadores é o ano de 69 (ainda por cima, é uma data fácil de decorar): Galba, Otão, Vitélio e Vespasiano.
- Por falar em Galba, Otão e Vitélio... eles não fazem parte da dinastia júlio-claudiana, ao contrário do que vem dito no anexo 32 (pág. 540)!
- Outra nota de rodapé diz que côvadou é latim. Não devemos estar a falar do mesmo latim. O “meu” diz que a medida chamada côvado é denominada cubitus, i. O “meu” latim não tem diacríticos.

Deixei o melhor (sim, há “melhor”) para último. Percamos tempo agora a ler a nota 3 da pág. 166: “O historiador romano Tácito conta-nos que os Pretonianos, depois de assassinarem Calígula, encontraram Cláudio escondido atrás de um véu, decidindo imediatamente nomeá-lo imperador”. Vejamos:
1.º estar atrás do véu significa que Cláudio tinha véu? O único imperador que não tinha relações homossexuais estava vestido de véu? Claro que não: ele estava atrás de uma cortina. Um “bocado” diferente, talvez...
2.º apesar de estar a escrever uma tese sobre os Anais de Tácito, desconheço este episódio. Desconheço eu e todo o mundo, pois perderam-se os livros sobre Calígula e os do início do principado de Cláudio. Uma coisa é ser estúpido, a outra ser mentiroso. É possível que Tácito tivesse falado nisso, mas não nos chegou o seu testemunho.

Este é um livro de 28€.

Na introdução, um prestigiado sociólogo ousa dizer que Flávio Josefo é um autor fidedigno; pena que esta tradução não acompanhe essa propriedade.
Primeiro, não consigo conceber uma tradução de um texto grego a partir do inglês (e também não percebo porque é que a nota 2 da pág. 242 está em inglês).
Haveria mérito em verter para português um texto até aqui inexistente, mas assim? Sem critério, sem qualidade? Não percebo porque se editam estas traduções, não percebo que mais-valia têm as editoras ao fazê-lo: não custaria o mesmo se tivesse sido feita do grego? Por alguém que soubesse português? Prefaciado por quem soubesse alguma coisa do assunto e que não se limitasse às palavras de circunstância sem ter o mínimo discernimento?
Não percebo como se pode elogiar este lixo.


publicado por Ricardo Nobre às 13:45 | referência | comentar | ler comentários (14)

Terça-feira, 24 de Abril de 2007
Estilística da Língua Portuguesa
M. Rodrigues Lapa (Lisboa, 1945)
Estrangeirismos

O motivo por que os filósofos, os gramáticos, os homens muito eruditos escrevem mal é geralmente êste: não teem presente e fresco o sentimento da língua de hoje. As palavras evocam-lhes representações passadas, conformes à sua etimologia. De modo que, quando escrevem, é um passeio constante pelos domínios da antiguidade. A sua maneira de escrever traz por isso mesmo um cheiro a bafio. É um estilo pretencioso [sic] e avelhentado, muito em voga nas academias.
(...)
Quando quisermos estudar o problema dos galicismos, assim se chamam os têrmos ou locuções afrancesadas, que abundam na nossa língua, devemos ter sempre presente o que acabámos de dizer: a verdade é que a nossa própria liberdade tem uma raiz francesa. Nada é pois de estranhar que, acompanhando nós através dos séculos, com maior ou menos intensidade, o prestígio da cultura francesa, tenhamos recebido na nossa a marca da sua língua.
O problema é sobretudo um problema de ordem moral, que deve ser pôsto desta maneira: A influência duma cultura como a francesa, onde predominam a razão e a claridade, só pode ser benéfica para nós, com uma condição: que, em vez de nos escravizar ao estilo francês, estimule e clarifique as energias do nosso portuguesismo.
(...)
Contudo, a nossa facilidade de imitação e aceitação de modas estrangeiras pode conduzir-nos a excessos. E, de-facto, sempre que surge uma vaga de francesismo, há um período de imitação desordenada, efervescente. Logo depois se estabelece o equilíbrio, e na língua só ficam, por via de regra, os vocábulos que oferecem maior novidade. É inútil e até grotesco berrar contra isso. A adopção dos estrangeirismos é uma lei humana e particularmente portuguesa: constitue como que uma fatalidade, devida aos intercâmbios das civilizações. A língua, especialmente o vocabulário, só tem a lucrar com isso. O ponto está em que essa imitação não exceda os limites do razoável e não afecte a própria essência do idioma nacional.
(...)
Há porém casos em que o estrangeirismo representa uma innovação escandalosa e indesejável, por absolutamente desnecessária. Repare-se que, mesmo aqui, os nossos maiores estilistas, que se nutrem principalmente de literatura e idéias francesas, estão cheios de pecados contra o purismo do vocabulário. O próprio Camilo Castelo Branco, que é um formidável vernaculista, e que tanto bramava contra o emprêgo dos estrangeirismos, abunda nêles.
(...)
Há portanto no estrangeirismo, e muito particularmente no galicismo, dois casos a considerar: a adopção de vocábulos, e o emprêgo de construções ou de grupos fraseológicos que contrariam a natureza da língua. Os primeiros são geralmente menos graves: porque, ou ficam no idioma, por representarem uma necessidade, e passam, nesse caso, a vestir à portuguesa: abandonar, atitude, sofá, boné, desporto, túnel, turismo, embaraçar, etc., ou são repudiados pela língua, como coisa que não serve e só teve moda passageira no falar corrente ou no livro de um ou de outro escritor (ex. gôche, tige).
Os segundos, que constituem pròpriamente um decalque da construção estrangeira, são mais perigosos, porque podem envolver uma desnaturação mais grave na forma de pensar à portuguesa. Pertencem a este grupo certas locuções como: fazer a honra, fazer o conhecimento com alguém, fazer um passeio, ter lugar (por «efectuar-se», «realizar-se»), de maneira a, emquanto que, o emprêgo abusivo da preposição em (vestido em sêda), o uso irregular do gerúndio, etc.
(...)
O estrangeirismo é um fenómeno natural, que revela a existência duma certa mentalidade comum europeia. Os povos que dependem económica e intelectualmente de outros, não podem deixar de adoptar, com os produtos e idéias vindas de fora, certas formas de linguagem que lhes não são próprias. O ponto está em não permitir abusos e limitar essa importação lingüística ao razoável e necessário. Contido nestes limites, o estrangeirismo tem vantagens: aumenta o poder expressivo das línguas, esbate a diferença entre os idiomas, tornando-os mais compreensivos, e facilita, por isso mesmo, a comunicação das idéias gerais.
Uma coisa é necessária, quando o estrangeirismo assentou já raízes na língua nacional: vesti-lo à portuguesa. Os estrangeirismos mais em voga (blusa, chalé, interesse, club, túnel, coquete, abandôno, lanche, etc.) estão já encorporados no idioma, havidos e sentidos como portugueses. Aquelas palavras são empregadas por nós como se fossem nossas. (...)
O estudioso terá talvez empenho em consultar algum reportório de estrangeirismos. Temo-los numerosos entre nós. (...) A consulta de tais livros pode ter seus perigos para o principiante. Feitos com a preocupação exagerada do purismo clássico, com duvidoso discernimento e acentuado mau gôsto, dão, para traduzir idéias modernas, têrmos antiquados, aproximações e perífrases, como se a preocupação de quem deseja escrever bem não fôsse a busca do têrmo justo, lapidar, único.



publicado por Ricardo Nobre às 13:45 | referência | comentar

Segunda-feira, 23 de Abril de 2007
Aproxima-se o Dia da Latinidade, celebrado no dia 2 de Maio. A sessão comemorativa realiza-se no Instituto Camões (Av. da Liberdade, 270).
 

A União Latina é uma organização internacional fundada em 1954 pela Convenção de Madrid e tem por objectivo destacar e difundir a herança cultural comum que está na base da identidade do mundo latino.
(...)
A União Latina promove, desde 2000, (...) um concurso multilingue — o Concurso Diálogo Latino — destinado a estudantes do ensino secundário.
O Concurso Diálogo Latino tem por objectivo promover a aprendizagem das línguas latinas e o seu estudo comparativo.
Contribuem para a realização deste concurso o Departamento de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, o Instituto Camões, o Instituto Cervantes, o Instituto Franco-Português, o Instituto Italiano de Cultura em Portugal, a Embaixada da Roménia e a Embaixada de Andorra.



Programa
16h00 Sessão Solene presidida por S. Ex.ª o Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Dr. Luís Filipe Marques Amado
Entrega dos diplomas do Concurso “Diálogo Latino”
Intervenção do Secretário-Geral da União Latina, Senhor Embaixador Bernardino Osio, e proclamação do Laureado
Entrega do Prémio da Latinidade, “Troféu latino”, ao Prof. Doutor José Mattoso por S. Ex.ª o Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros
Apresentação do Laureado por Luís Miguel Cintra
Intervenção do Prof. Doutor José Mattoso
Encerramento por S. Ex.ª o Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros
Porto de Honra

Do programa do Dia da Latinidade 2007


publicado por Ricardo Nobre às 17:28 | referência | comentar

1. Este fim-de-semana ficou marcado pela realização de dois processos eleitorais, um em Portugal, para a eleição do presidente de um partido com representação residual na Assembleia da República, o CDS-PP, outro em França, para a eleição do Presidente da República (que, como sabemos, é quem elege o primeiro-ministro e o governo).
Embora de dimensões bastante diversas, têm repercussão alargada: na política interna e externa portuguesa — e é isso que me interessa.
2. Apesar do meu interesse, não pude participar em nenhuma das eleições: não sou militante do CDS nem francês. No entanto, foram actos participados, principalmente o francês, que bateu recorde de participação civil. Uma lição de cidadania para Portugal.
3. Outro ponto em comum nas duas eleições é a falta de surpresa nos resultados alcançados. Paulo Portas já antes tinha minado o caminho de Manuel Monteiro, por isso não é de estranhar que o seu golpe de estado tenha vingado. Em França, as contas oficiais foram ao encontro das das sondagens, restando-nos aguardar pela segunda volta.
4. Como é óbvio, vou torcer por Ségolène Royal. Não que goste mais da musiquinha da sua campanha (alguém ouviu? deve estar no YouTube!), mas não escondo a minha predilecção por mulheres políticas*. Acho extraordinário que um dos maiores países europeus seja governado por uma enérgica Angela Merkel e que a Finlândia tenha um governo maioritariamente feminino. Depois é sempre bom ver mulheres com a coragem de Margaret Thatcher ou de Manuela Ferreira Leite em cargos de enorme responsabilidade... Não escondo uma grande simpatia pelas mulheres no actual governo. Estas coisas devem ter que ver com a gestão que essas mulheres já faziam em casa, nas compras ou assim. Estou a brincar, mas os melhores professores que tive na minha vida foram mulheres — isto deve querer dizer alguma coisa.
Por outro lado, ninguém negará que a vitória de Nicolas Sarkozy trará alguns dissabores à construção europeia, que depara hoje com tantos problemas.
5. Paulo Portas, Telmo Correia e Nuno Melo, por exemplo, são do pior que a nossa direita moderada tem. Os mais peixeiros, os mais mal formados e tecnocratas. Maria José Nogueira Pinto, Ribeiro e Castro (e talvez António Pires de Lima) são o melhor que ela tem (tinha?) — e foram eles que agora saíram, o que lamento profundamente (Pires de Lima não saiu, mas tinha de o referir nos decentes).
No meu entender, valores humanos não se discutem, e de muita importância é para uma nação democrática haver oposição e discussão política e pública. No entanto, é preciso que toda a gente tenha aquilo que falta à maior parte: discernimento.


* Exceptua-se Fátima Felgueiras e, sem saber explicar porquê, Edite Estrela.


publicado por Ricardo Nobre às 11:47 | referência | comentar

Domingo, 22 de Abril de 2007
Marques Mendes foi proibido de entrar nas instalações do serviço de urgência do Hospital de Estarreja, com a sua comitiva. O “deputado da nação”, como o jornalista que falou com ele o chamou, queixou-se de falta de respeito dos responsáveis do hospital. No entanto, toda a gente sabe que motivos estão por trás dessa proibição. Além de o “deputado da nação” ir perturbar o serviço em causa (é uma urgência, não é um salão de beleza...), servindo-se da desgraça dos doentes para fazer política (penso que se pode dizer que esta é que é a “política de esgoto”), como bem sintetizou ontem um amigo meu por mensagem: “devem ter dito para ele ir à pediatria”.


publicado por Ricardo Nobre às 17:17 | referência | comentar | ler comentários (1)

Sexta-feira, 20 de Abril de 2007
Termina hoje a feira do livro de alfarrabistas que se realizou durante esta semana no átrio da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Nela, pude encontrar (e comprar...) diversas obras de carácter ensaístico, das áreas da literatura e da linguística (portuguesas, latinas e gregas) que, ainda que tenham uma qualidade que já não se encontra em muitas espécies bibliográficas contemporâneas, já não se encontram acessíveis nas livrarias — e a preços mais tentadores. Comprei o Dicionário de Erros e Problemas de Linguagem de Rodrigo de Sá Nogueira, uma nova edição de A Relíquia queirosiana que se destina a uma releitura para breve e — sintam-se invejosos — a primeira edição, de 1945, da Estilística da Língua Portuguesa de M. Rodrigues Lapa. E tive de resistir a muitos outros livros que espreitavam a cada banca, com preços ainda mais apetecíveis.
No fundo, trata-se de uma feira de tentações para quem encontra prazer junto dos livros. Para os que não deram pela feira ou não tiveram conhecimento da sua realização, lembro que a baixa de Lisboa dispõe de um vasto leque de livrarias alfarrabistas e que, nos sábados à tarde, na rua Anchieta, acontece uma feira de alfarrabistas, com tesouros não menos raros e preciosos.

Tópicos:

publicado por Ricardo Nobre às 10:23 | referência | comentar | ler comentários (2)

RÁDIO
TSF — Rádio Notícias (emissão directo)
BBC Radio 4 (emissão directo)
BBC World Service (emissão directo)
BBC Radio 3 (emissão directo)
BBC Radio 5 Live (emissão directo)
LIGAÇÕES DE REFERÊNCIA
Informação Geral
BBC News
The Guardian
Público
Times
Diário de Notícias


Cultura
The TLS
BBC | Entertainment & Arts
The Guardian | Culture
Telegraph | Culture
New York Times | Arts
DN | Artes
Ípsilon
El Mundo | Cultura
El País | Cultura
Público | Culturas
Le Monde| Culture

LITERATURA
Bibliotecas
Biblioteca Nacional de Portugal (Porbase)
The British Library
Library of Congress
Bibliothèque nationale de France (Opale)
Biblioteca Nacional de España
National Library of Scotland
Biblioteca da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (SIBUL)
Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra
University of Cambridge Library (Newton)
Oxford University Libraries (SOLO)
Harvard Libraries (HOLLIS)


Editoras
Cambridge University Press: Catálogo de Literatura; Catálogo de Estudos Clássicos
Oxford University Press: Catálogo de Literatura; Catálogo de Estudos Clássicos; More than Words (Oxford World’s Classics)
Routledge: Catálogo de Literatura; Catálogo de Estudos Clássicos
Penguin Books


Revista CLASSICA — Boletim de Pedagogia e Cultura

LÍNGUA PORTUGUESA
Vírgulas
Sujeito e Predicado

Vocativo

Oração Causal

Oração Concessiva

Oração Condicional

Oração Conformativa

Oração Final

Oração Proporcional

Oração Temporal


Uso do apóstrofo


Vocabulário estudado
à
Alcaida
contracto
contrato
de
de mais
demais
grama
majestoso
para
presidenta
sedear
sediar
se não
senão
seriação


Livro de Estilo

Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (1945)
Código de Redacção Interinstitucional
Dicionário da Língua Portuguesa (Priberam)
Dicionário da Língua Portuguesa (Porto Editora)
LX Conjugator (conjugação verbal)
MorDeb
Corpus do Português Europeu
Corpus do Português
Corpus Lexicográfico do Português
CETEMPúblico
Corpus Rede de Difusão Internacional do Português
Transliteração do Alfabeto Grego
Associação de Informação Terminológica
Acordo Ortográfico de 1990
Norma Portuguesa de Metrologia

APONTADORES
Bandeira ao Vento
Blogtailors: o blog da edição
Cadê o Revisor?
Detective Cantor
Lóbi do Chá
Memento…
Pesporrente
Português em Dia
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Relógio D'Água Editores
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O Vermelho e o Negro
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Acordo Ortográfico no CCB

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