Quarta-feira, 29 de Novembro de 2006

Cavaco Silva convoca referendo sobre o aborto para 11 de Fevereiro.



publicado por Ricardo Nobre às 18:40 | referência | comentar

O alinhamento do Telejornal foi o tema do sexto episódio do programa do Provedor da RTP.
Discutiram-se os critérios de alinhamento, que notícias devem vir primeiro e que acontecimentos são, de facto, notícia. Partiu-se do caso particular do dia 5 de Outubro, em que foram notícia a subida da taxa de juro, o discurso do Presidente da República, a maior manifestação de sempre, feita pelos professores portugueses, mas o que mereceu privilégios de abertura foi o sequestro num banco de Setúbal, que mais não serviu do que criar alarme social desnecessário. E esse tema tomou 14 minutos do Telejornal desse dia.
Este pode ser um dos argumentos dos que acusam a RTP de protecção ao governo (a contestação ficou para terceiro lugar neste dia).
Seguiu-se para uma reflexão sobre o tempo do futebol e desporto no boletim de notícias mais importante da RTP, e principalmente a sua relação com o tempo “gasto” com a educação, neste caso totalmente residual. De facto, 1/5 da informação generalista (18,6%) dos canais de televisão portuguesa é sobre desporto e futebol (dados de um estudo da Marktest, feito de 1 de Janeiro a 30 de Setembro de 2006). Destes canais, a RTP foi o que mais notícias emitiu e foi o que mais exagerou no desporto.
No fim, o Provedor afirmou, e muito bem, que tem de partir do público a vontade de melhorar a programação e modelo de informação que pretende ver, subentendendo que o alinhamento procura responder ao gosto dos telespectadores.
A parte final do programa foi dedicada às mensagens positivas que chegam ao gabinete do provedor, merecendo grandes elogios programas como Dança Comigo e Cuidado com a Língua, na RTP1, e Os Sopranos e A Alma e a Gente na Dois. [Destes, só nunca vi o Dança Comigo e quanto aos outros concordo.]; por outro lado, continuam a merecer crítica o Telejornal, pela duração e alinhamento, e, na Dois, o medíocre A Revolta dos Pastéis de Nata - totalmente de acordo.


publicado por Ricardo Nobre às 11:15 | referência | comentar | ler comentários (3)

Terça-feira, 28 de Novembro de 2006
"Sintaxe" pode pronunciar-se sinta[ks]e, sinta[z]e ou sinta[s]e. Mas "léxico" só se pronuncia lé[ks]ico. E não como o sr. Carlos Carvalhas disse esta manhã na Linha da Frente da TSF. Reproduzo: léchico.


publicado por Ricardo Nobre às 10:02 | referência | comentar | ler comentários (1)

Sexta-feira, 24 de Novembro de 2006
Todos os dias saem artigos de opinião nos jornais portugueses sobre a nova terminologia linguística. Vasco Graça Moura referiu-se a ela no dia 22 deste mês, no DN, ridicularizando-a, partindo de um material "didáctico" disponível no sítio electrónico do Ministério da Educação (já agora, é isto, já citado no Ao longe os barcos de flores). Hoje, Eduardo Prado Coelho (no PÚBLICO), volta "à carga", defendendo este governo (pois a decisão foi feita pelo antigo executivo PSD).
Já tinha pensado, e agora justifica-se mais do que nunca, num conjunto de textos para este blogue sobre a TLEBS. Há defeitos, mas tem muitas virtudes.
Sim, sou de "clássicas", mas não acho que a nova terminologia linguística seja o fim do mundo. Mas também concordo com a Professora Maria Alzira Seixo, na maior parte das coisas que diz acerca do assunto.


publicado por Ricardo Nobre às 10:58 | referência | comentar

Quarta-feira, 22 de Novembro de 2006
A primeira vez que ouvi falar de Tácito terá sido, possivelmente, n’Os Maias. Eça de Queirós faz de Afonso da Maia um fiel leitor de Tácito, o “seu Tácito”. Não se falava dele nas aulas de Latim do Secundário. Tácito não é, nem nunca foi, autor de programas. Aliás, nem ele cumpriu o seu programa.
Nas Histórias (1.1), afirmava que, se a vida lho permitisse, na velhice, escreveria sobre os principados de Nerva e Trajano [imperadores que sucederam ao tirânico Domiciano]. O que é certo é que quando voltou a pegar na pena foi para escrever sobre os principados de Tibério, Calígula, Cláudio e Nero (ou seja, desde a morte de Augusto), cujo relato constitui os Anais. Terminando em Nero, esta obra completava, retrospectivamente, as Histórias, que falam de Galba, Otão, Vitélio e Vespasiano, possivelmente também de Tito e Domiciano, mas o texto perdeu-se.
Também nos Anais Tácito planeia escrever a história do tempo de Augusto.
Nenhuma destas promessas foi cumprida, possivelmente porque o historiador morreu antes de as poder concretizar – e há quem pense que os Anais estejam incompletos.
Não é de hoje a não inclusão de Tácito nos curricula escolares. Falta-lhe a harmonia cristalina de Cícero ou mesmo de Lívio. A Idade Média não o acolheu – e só o Renascimento significa para ele um... renascimento. Sem interesse para a retórica (que trabalhava com Cícero), estando o lugar de historiador modelo preenchido por Lívio, Tácito desapareceu dos círculos culturais e o manuscrito mais antigo é do séc. IX. O seu estilo é desregrado porque mais solto, intenso. A sintaxe já não é a clássica (Tácito viveu na segunda metade do século I e morreu por volta de 117). Não interessava estudar um autor tão pouco clássico e tão negativo – a sua história é cheia de mortes e traições. Mas ele mesmo tem consciência (e lamenta-se) disso.
No entanto, não é por acaso que Afonso da Maia não dispensava o “seu Tácito”.
Hoje, ninguém o conhece – voltámos à Idade Média.


publicado por Ricardo Nobre às 10:00 | referência | comentar | ler comentários (3)

Terça-feira, 21 de Novembro de 2006
Acredito profundamente que um dos problemas do ensino actual é o da falta de disciplinas com conteúdo relevante para o pensamento (abstracto ou concreto) e para o desenvolvimento do raciocínio.
Há pessoas que defendem que se deveria retirar a Matemática do ensino básico, sob pena de os alunos ficarem a odiar a disciplina irremediavelmente. Eu acho que se deveria apostar muito na Matemática. E, juntamente com ela, noutras disciplinas com características semelhantes, em que incluo o Latim e até o Grego. Na sexta-feira, saiu no Mil Folhas do PÚBLICO um artigo de Jorge Silva Melo, de que reproduzo a parte final:
"Não se pode viver sem Rosselini!", berrava nas ruas o cineclubista apaixonado por Bertolucci. E sem latim, podemos?
Podemos ignorar o carrilhão que nos atropela a conversa, passar incólume ao lado dos fundamentos daquilo que pensamos, seguir o nosso caminho sem ver as pedras que os romanos (os escravos dos romanos, claro) transportaram, podemos ignorar tudo o que nos fez viver assim, bastardos, neste eterno presente nascido esta manhã na revista do dia? Podemos viver sem latim?
(E eu que nem bom aluno fui, ai como me arrependo.)

O texto completo encontra-se no Cultura Clássica.
PS: Hoje encontrei, ainda, outro testemunho que vem ao encontro do que penso relativamente à reintrodução do Latim nos curricula dos ensinos básico e secundário portugueses. Helder Guégués diz no seu blogue que ter retirado o Latim [da Igreja] foi "um erro que tão nefastas consequências tem tido para todo o ensino", tendo-nos deixado "órfãos de língua".


publicado por Ricardo Nobre às 10:50 | referência | comentar | ler comentários (3)

O quinto programa do Dr. Paquete de Oliveira, A Voz do Cidadão, foi sobre programas de humor. Actualmente, na RTP, existem formatos para gostos variados, mas o Câmara Café e o Gato Fedorento foram os mais citados (serão os mais importantes e recentes, a par da Contra Informação).
Relativamente a este tipo de programação, o provedor encontrou “opiniões desencontradas”, uma vez que há muita gente que não gosta de ver os governantes a serem desrespeitados, esquecendo-se porventura que, pelo simples facto de aparecerem na Contra Informação, esses governantes estão a ser notados! Um político reles que ninguém conhece não “merece boneco”. A opinião mais crítica (a que nem o Gato ficou alheio) dizia que o Câmara Café e o Gato Fedorento em horário nobre é uma anedota... Era um senhor reformado a dizê-lo (o mesmo do respeito e austeridade).
Parece que deveríamos deixar de rir... Será? Não vou emitir a minha opinião, porque este programa teve uma convidada muito, muito especial (para mim): a Professora Maria Lúcia Lepecki. A Professora de Teoria da Literatura e de Retórica da Faculdade de Letras defendeu junto do provedor que o humor é um “instrumento de conhecimento do mundo” e que serve para “retirar a banalidade do quotidiano” com que deparamos continuadamente.
Relativamente ao pretenso desrespeito, o senhor reformado esqueceu-se de que desde os tempos mais recuados o humor tem lugar de destaque. Omitindo exemplos na Antiguidade, lembro as cantigas de escárnio e maldizer e o próprio Gil Vicente...
É importante não esquecer, como disse a Professora M. L. Lepecki, que “duas pessoas que riem juntas, confraternizam”.
E está cheia de razão.


publicado por Ricardo Nobre às 10:19 | referência | comentar

Segunda-feira, 20 de Novembro de 2006
Do fim-de-semana sobra, na minha memória, a notícia de que Marques Mendes critica a falta de verbas "para ensinar Português no estrangeiro". Eu acho que o senhor Mendes devia preocupar-se menos com o ensino do Português no estrangeiro (tema compreensível no contexto em que falava, mas que me conste no Brasil também há professores) e mais com o ensino do Português em Portugal. É urgente que os alunos portugueses passem a estudar Latim e Grego. Não é uma medida para tomar de hoje para amanhã, como fizeram com o Inglês. A ideia é para ser levada a cabo seguindo o exemplo da instauração da TLEBS: seleccionam-se umas dezenas de escolas, umas dezenas de bons professores e começa-se a testar o tipo de competências que centenas de alunos adquirem por aprenderem as línguas mortas que estão na base da nossa e que estão na base das outras. Work em inglês tem a mesma raiz do verbo grego que significa trabalhar, ergo.
As relações que se podem fazer entre variadíssimas línguas serão tão úteis quanto as relações que se fazem nos cálculos matemáticos. Subsituir uns pelos outros? Nunca. Completá-los, sim. Já dizia um grande matemático italiano: tragam-me um grande latinista que eu faço dele um grande matemático.
Senhor Mendes, apresente ao Parlamento a proposta da introdução do Latim - e possivelmente do Grego - nos curricula do 3.º ciclo de ensino básico (como nos países europeus civilizados) e deixe de se preocupar com aquilo que virá por arrasto.


publicado por Ricardo Nobre às 10:15 | referência | comentar | ler comentários (2)

Sexta-feira, 17 de Novembro de 2006
Iniciei aqui a discussão ideológica sobre o referendo pela despenalização do aborto. Apesar de a filosofia deste blogue ser a de não responder ou reagir a comentários que se fazem aos meus textos, um dos comentários merece destaque, pelo que o reproduzo como artigo a sério (faço-o sem autorização da autora, que me pode mandar prender, se quiser).

A interrupção voluntária da gravidez não é um assunto fácil, move muitas sensibilidades e interessa a todos. Mas dizer que o acto de interromper com uma gravidez se toma de ânimo leve, é não saber patavina sobre o assunto! É ser-se absolutamente tacanho e centrado no seu próprio umbigo. Não conheço nenhuma mulher que o tenha feito ou admita poder fazê-lo que tome esse acto como método contraceptivo! É um recurso último, porque falhas acontecem e é da natureza humana poder-se cometer falhas. Para além do mais, pôr um filho no mundo é um acto de coragem e de muita responsabilidade. Não pode nem deve ser inconsciente a decisão de um pai em continuar uma gravidez se não tiver depois condições de ordem vária para criar o filho. Porque sim, não é só pelo amor que se tem aos filhos que eles se criam: é necessário dar-lhes comida, roupa e muita educação! Para que as crianças de hoje, homens do futuro, sejam seres humanos de excepção, bem formados e membros responsáveis da sociedade em que se integram! Como disse alguém um dia: "O Homem não é uma ilha"!



publicado por Ricardo Nobre às 14:58 | referência | comentar | ler comentários (1)

Quinta-feira, 16 de Novembro de 2006
Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?
Claro que SIM.


publicado por Ricardo Nobre às 09:40 | referência | comentar | ler comentários (6)

Quarta-feira, 15 de Novembro de 2006
Fernando Alves é jornalista da TSF e é uma das pessoas que eu mais respeito e admiro nos meios de comunicação portugueses (juntamente com o José Manuel Fernandes, o António José Teixeira e a Judite de Sousa). É autor do espaço de crónica/opinião das manhãs da Rádio, no programa Sinais, e é dele (juntamente com Alexandrina Guerreiro) o A Semana Passada (já referido antes), programa que mistura informação e crónica – ou não fosse sobre cada semana que vai passando. No fundo, é mais um exemplo de como a rádio pode reinventar-se, criando uma hora de puro prazer auditivo.
Recentemente, adquiri (adquiriram por mim, mas para mim) uma compilação em livro das crónicas do Sinais (e um disco com 60 minutos, com outros 20 sinais que não os do livro), que saiu em 2000. Deste modo, posso apreciar a sua qualidade nos anos em que o não ouvia (é uma tentativa mediana de recuperar o tempo perdido).
Regressando à Semana Passada de há duas semanas, espantou-me – e agradou-me – a referência à estreia do Diz que é uma Espécie de Magazine como um dos acontecimentos da semana (em que estreou, naturalmente).

Tópicos:

publicado por Ricardo Nobre às 10:00 | referência | comentar

Segunda-feira, 13 de Novembro de 2006

Há um ano que tal não acontecia. Hoje faço anos.
Tenho de o fazer mais vezes.


publicado por Ricardo Nobre às 08:00 | referência | comentar | ler comentários (3)

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