Sexta-feira, 10 de Novembro de 2006
Volta a ser assunto neste blogue a reacção da Carris à greve do metro. Neste texto, reproduzia uma mensagem enviada à Companhia. Agora, reproduzo a resposta do provedor, António Quaresma, e a minha réplica.

Recepcionamos a sua comunicação que agradecemos e que mereceu da nossa parte a melhor atenção.
Considerando o assunto em epígrafe, informamos que a irregularidade da carreira não foi resultado da falta de autocarros, por terem sido deslocados para o serviço alternativo do metropolitano. A Carris disponibilizou alguns autocarros para o serviço alternativo, considerando as implicações da paralisação do metropolitano na mobilidade na cidade de Lisboa.
O que realmente se verificou, a partir de certa hora da manhã, foi um aumento anormal do congestionamento rodoviário devido ao acréscimo de tráfego resultante do maior número de veículos em circulação. Parte desses veículos são os próprios autocarros do serviço alternativo (225 autocarros) que ao circularem nos principais eixos viários da cidade provocaram maiores dificuldades de circulação ao transporte público regular.

Por outro lado, a paralisação do metropolitano provocou uma maior afluência de passageiros às nossas carreiras, implicando maior demora nas paragens.
O conjunto de factores enumerados, [sic] reflectiu-se, efectivamente, na regularidade e qualidade do serviço prestado aos nossos clientes, situação que temos dificuldade em controlar dada a anormalidade induzida no sistema de transportes em Lisboa.
Com os melhores cumprimentos.
O Provedor do Cliente


A isto, respondi eu o que se segue:

Excelentíssimo Provedor da Companhia Carris de Ferro de Lisboa,
Senhor António Quaresma,
Parece que não entendeu exactamente a minha reclamação inicial. Em nenhum lado eu escrevi que a "irregularidade da carreira foi resultado da falta de autocarros, por terem sido deslocados para o serviço alternativo do metropolitano" e não precisava de ter dito o que eu já sabia, que "a Carris disponibilizou alguns autocarros para o serviço alternativo, considerando as implicações da paralisação do metropolitano na mobilidade na cidade de Lisboa".
A minha reclamação prendeu-se com o facto de as carreiras regulares terem sofrido aquilo a que o senhor chama um "congestionamento rodoviário devido ao acréscimo de tráfego resultante do maior número de veículos em circulação", o que, para o percurso que faço no 768 não é significativo. Eu não disse que autocarro se atrasou – eu disse que esperei uma hora até ter conseguido entrar num porque, como certamente saberá, há uma lei da Física que diz que dois corpos não ocupam o mesmo espaço no Universo.

Assim, o número de autocarros era o mesmo, até mesmo quase dentro dos horários que eu esperava. O senhor provedor só converge comigo quando afirma que "a paralisação do metropolitano provocou uma maior afluência de passageiros às nossas carreiras, implicando maior demora nas paragens". E foi precisamente por isso que reclamei: se era previsível que houvesse essa afluência, não seria de maior importância colocar os autocarros da frota da CCFL a reforçar o serviço regular, em vez de os "disponibilizar" ao Metro? É injusto serem os utentes da Carris a pagarem pela greve no Metro, ainda que eu tenha plena consciência de que toda a rede de transportes funciona como um todo mais ou menos complementar.

Note ainda, senhor provedor, que, mesmo que a minha reclamação inicial se reportava ao que aconteceu na terça-feira última, hoje estou em condições de lhe dizer o que vi em Sete Rios ontem. Autocarros "ao serviço do Metro" com uma, duas pessoas, e os autocarros normais da Carris com as pessoas estranguladas lá dentro. A realidade é esta: no Verão, nas férias escolares, nas festas etc., a Carris diminui o serviço porque diz que é "previsível" (repare que não dizem "prevista") a redução de procura de serviço (e não convém gastar muito dinheiro, eu sei), mas quando é previsível que haja um aumento irregular em casos de greve de outro transportador não se verifica um aumento na mesma proporção.

E tem razão o senhor provedor quando diz que há muitos factores que, conjugados, se reflectem na qualidade do serviço. É por isso que estranho a prescrição de "serviço de qualidade" à Carris.



publicado por Ricardo Nobre às 15:10 | referência | comentar

2 comentários:
De Cristiana a 10 de Novembro de 2006 às 17:34
Uuuuuui! Esta foi má... Mas merecida!


De Manuel a 10 de Novembro de 2006 às 23:48
hehe qualquer dia não te vendem mais o passe...

:)

Já reclamaste no livro amarelo?


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