Segunda-feira, 8 de Setembro de 2008

Uma das questões mais interessantes e dignas de estudo é a dos nomes próprios em português (principalmente antropónimos). É um tema frequente no blogue Assim Mesmo, até pela individualidade do nome do seu autor; com efeito, diacronicamente falando, há muitas considerações a fazer, e os exemplos são inúmeros. Há dias Helder Guégués tratava do caso Queirós/Queiroz, a propósito do apelido do seleccionador nacional de futebol: “os indivíduos cujo nome foi registado antes do acordo ortográfico de 1945 podem usar este apelido; se já morreram, podem escrever-se conforme à ortografia em vigor. É isso? Felizmente, a Fundação Eça de Queiroz não acatou estas pseudo-regras. E não tenho notícia de alguém pretender corrigir o nome do seleccionador…”

Para começar, devo dizer que não me parece que estas regras sejam mais pseudo do que outras convenções ortográficas. Para o português sempre se procurou uma normalização artificial, de que os acordos ortográficos são a prova mais evidente, por isso não acho estranho que essa normalização (ou ajustes na correcção convencional) atinja os nomes próprios.

Escrevo sempre, mesmo em trabalhos académicos, Queirós, mas respeito em citação formas como Luiza e Bazilio, personagens de Eça de Queiroz (na edição Livros do Brasil) ou Luísa e Basílio, também personagens de Eça de Queirós (na edição Porto Editora). O Dicionário de Eça de Queiroz, tal como a FEQ, escreve o nome do escritor com z, mas outras obras de referência não o fazem: e eu respeito essas opções.

Se fosse professor, corrigia Queiroz para Queirós? Sim, se o aluno a seguir escrevesse Camilo Castelo Branco em vez de Camillo Castello-Branco. Não, se fosse consistente no uso das grafias de época.

Com efeito, se não escrevo Denis referindo-me ao rei poeta, se não escrevo Luis de Camoẽs, Camillo, inter alia… não vejo motivo para respeitar a grafia do apelido de Eça tal como ele o assinava.

O mesmo escrúpulo existe para casos como Marcello Caetano (que continua a grafar-se com dois ll).

Note-se, porém, que também já vi escrito Sofia em vez de Sophia (de Mello Breyner Andresen) e Teixeira de Pascoais (em vez de Pascoaes), actualizações que não foram acolhidas por nenhum académico.



publicado por Ricardo Nobre às 07:58 | referência | comentar

1 comentário:
De Rafael a 8 de Setembro de 2008 às 18:03
Eu, assim como todos da minha família, assinamos QueiroZ há muitas gerações e não abrimos mão disso...


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