Terça-feira, 19 de Agosto de 2008

A vírgula hierarquiza os constituintes sintácticos da frase

Comecemos por recordar que “as frases não são sequências lineares de palavras mas obedecem a uma estrutura hierárquica em que há constituintes que por sua vez se formam de outros constituintes até se chegar ao nível da palavra.”1 Nas frases do português, a ordem simples das palavras (seguindo uma sequência Sujeito–Verbo–Objectos) configura as relações gramaticais (ou funções sintácticas) que os constituintes desempenham no enunciado. Assim, pela posição de tópico (a primeira da sequência) sabemos que “O João” é o sujeito da frase [1]:

 

[1] O João comeu o bolo.

 

Do mesmo modo, pela posição pós-verbal, sabemos que “o bolo” é o objecto directo (na gramática tradicional denominado “complemento directo”) do verbo “comeu”. A alteração da ordem das palavras na frase [1] torna-a agramatical, como prova a sua reescrita em [2]:

 

[2] *O bolo comeu o João.

 

No entanto, no português existe a possibilidade sintáctica da topicalização do objecto directo, sem que isso implique a alteração das relações gramaticais que os constituintes desempenham. As restrições de movimento dos constituintes são atenuadas na ortografia pela pontuação, sendo por isso aceitáveis as frases [3]:

 

[3a] O bolo, o João comeu.
[3b] O bolo, o João comeu-o.
[3c] O bolo, comeu-o o João.

 

Daqui se depreende que a vírgula tem como função a hierarquização dos constituintes sintácticos, nomeadamente quando estes não seguem a ordem regular SVO.

Note-se que a função de sujeito é normalmente desempenhada por um sintagma nominal e a função de predicado é desempenhada por um sintagma verbal, que por sua vez pode conter sintagmas nominais (SN) que saturam (ou seja, ocupam) a posição de argumento interno (ou seja, de complementos) do verbo. A complexificação dos SNs, a alteração da posição das palavras na frase (e a consequente alteração da ordem SVO para outra "mais marcada"), e algumas relações gramaticais periféricas não argumentais, como o vocativo, são os principais desencadeadores da utilização dos sinais de pontuação, da vírgula em particular, dentro de uma oração. Sobre todos estes casos serão os próximos textos dedicados à pontuação.

1 Mateus, M. H. M. et aliae, Gramática da Língua Portuguesa (5.ª ed., Lisboa: Editorial Caminho, 2003), 436.



publicado por Ricardo Nobre às 08:39 | referência | comentar

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