Segunda-feira, 11 de Fevereiro de 2008
Já está disponível mais uma anedota teste do Campeonato da Língua Portuguesa 2008.
A terminar o texto anterior em que falava desta iniciativa, comentei que “[t]alvez venha a ter paciência para fazer uma crítica alargada aos termos gramaticais utilizados pelos senhores “especialistas”, outra grande falha deste Campeonato.” Ainda não vou fazer crítica alargada, apenas crítica, aplicável a este segundo teste.
A pergunta 3 pede para encontrar a afirmação falsa:

A. As frases disjuntivas aparecem em alternativa.
B. As frases coordenadas copulativas adicionam-se uma à outra.
C. As frases conclusivas apresentam-se em alternativa.
D. As frases adversativas opõem-se uma à outra.


A resposta correcta é evidente, mas a ideia que quero fazer sobressair é a oposição entre o conteúdo das frases e o que diz o número 2 do artigo 12.º do Regulamento do concurso: “No que respeita à sintaxe, recomenda-se a utilização da Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Celso Cunha e Lindley Cintra, das Edições João Sá da Costa.” Ora, nessa obra de referência para a sintaxe, “frase” não é em momento algum sinónimo de “oração”, como acontece, por exemplo, com a Gramática da Língua Portuguesa de Maria Helena Mira Mateus et aliae, ou qualquer gramática recente, de acordo com a TLEBS. A mesma referência a “frase” acontece noutras perguntas, como a 22.
Na pergunta 9, as alternativas A (“complemento objecto indirecto”) e B (“complemento objecto directo pleonástico”) são agramaticais em português: falta a preposição “de” (o marcador de caso, que, por isso, tem de ser expresso) entre “complemento” e “objecto”: “As sequências SN + SN são agramaticais (...). Essa impossibilidade explica-se pelo facto de os nomes não serem categorias atribuidoras de Caso. A obrigatoriedade da presença de uma preposição a anteceder os complementos nominais prende-se com a necessidade de receberem Caso: de é a marca de genitivo (...).” MATEUS, M. H. M. et aliae, Gramática da Língua Portuguesa (5ª ed., Lisboa: Editorial Caminho, 2003), 334.
Gosto da pergunta 18:

Qual a frase correcta, segundo a norma de Portugal e não segundo alguns exemplos literários?

O que aqui se diz é que a norma contradiz “alguns exemplos literários”? Ou que “alguns exemplos literários” são erros de português? Que norma é essa, baseada em quê? Que conceito de norma temos em vista? Que norma não permite a convivência pacífica e harmoniosa entre todas as opções?
A pergunta 18
Na frase «És um dos raros homens que têm o mundo nas mãos.», a oração «que têm o mundo nas mãos» classifica-se como
A. subordinada adversativa concessiva
B. subordinada adjectiva explicativa
C. subordinada adjectiva restritiva
D. subordinada adverbial consecutiva
E. subordinada substantiva apositiva

é daquelas muito desonestas porque não inclui o termo “relativa” nas opções B ou C, que é onde poderia recair a dúvida.
De resto, este teste não tem problemas de maior — agora é só esperar que as soluções não apareçam com erros, como no primeiro teste, cuja correcção agora disponível já considera polissíndeto o que antes era para eles aliteração.


publicado por Ricardo Nobre às 09:15 | referência | comentar

7 comentários:
De sofia a 11 de Fevereiro de 2008 às 15:05
Fico contente por desfazer o erro da aliteração e do polissíndeto que me pareceu absurda.


De Anónimo a 12 de Fevereiro de 2008 às 01:04
És um bocado palhaço... falas falas falas mas não sabes resolver o teste... labrego!!!!


De Hélio Vale a 12 de Fevereiro de 2008 às 08:12
Caro anónimo, se pretende resolver o teste copiando as respostas de outros concorrentes, muitos parabéns pela inteligência.
Uma pergunta, para que serve concorrer, espera ir à final e copiar pelo vizinho do lado? Parabéns por demonstrar o quão "labrego" o anónimo é!


De Ricardo a 12 de Fevereiro de 2008 às 08:39
Anónimo,

Como é óbvio não me parece honesto apresentar as respostas do teste antes que saiam as soluções oficiais. O objectivo deste blogue não é fazer batota, tão-só discutir problemas linguísticos que as perguntas pudessem levantar. Aliás, se estou a participar é para ter acesso aos testes, acessíveis mediante registo; não me interessa ganhar nada com isto.
Quanto a eu não saber resolver o teste, garanto-lhe que enviei as minhas respostas ontem. Sem ter copiado de ninguém, que é o mais extravagante para si e para muitas pessoas que têm chegado a este blogue. Logo, alguma coisa hei-de saber.
Labregos seremos todos — mas talvez seja um bocado mais labrego quem vem à procura de respostas e não de resolver dúvidas, discutir a qualidade das perguntas, como resolvi aqui.

PS: Caro Hélio Vale, muito obrigado por chamar a atenção para o modo como as pessoas que procuram as respostas deste modo terão sucesso na final. Imagino que corrompam a Bárbara Guimarães para fazer as perguntas como o Donaldim: à resposta certa grita e anui, nas opções erradas faz que não com a cabeça.


De Anónimo a 13 de Fevereiro de 2008 às 01:03
Divertido, divertido é que o Prof. Fernando Pinto do Amaral, que tanto vociferou contra os linguistas em tempos (e contra a TLEBS) seja o responsável pelas calinadas.


De S.V. a 13 de Fevereiro de 2008 às 17:45
Ó Ricardo, não tem muito a ver com o teu post, mas aproveito a referência ao Professor Pinto do Amaral. Aí está um exemplo de um senhor, que por acaso até é bastante simpático, mas que dá formação de professores sem aparentar ter tido qualquer tipo de experiência como professor numa escola. E mais engraçado é a senhora sua esposa, Inês Pedrosa, que gosta de mandar "bitaites" sobre a incompetência dos professores, mas que fazia melhor serviço se fosse assistir a uma das aulas do marido para poder constatar que ele não lecciona uma única coisa útil para quem vai dar aulas no mundo real.


De m.s. a 17 de Fevereiro de 2008 às 21:19
Infelizmente este Campeonato parece estar ferido de morte, dada a sua crescente desacreditação já que começam a ganhar alguma banalização as constantes trapalhadas que o enfermam desde a sua primeira edição. Tudo parece feito sobre o joelho.
:
Ponto 1. Não acham estranho que a SIC, um dos patrocinadores do Campeonato, venha anunciando os limites dos prazos para dois dias após as datas agendadas para a entrega das provas? Exemplificando: A data limite para resolução do 2º teste ocorria a 14 de Fevereiro. Pois nos dias 15 e 16 seguintes, a SIC divulgava ainda que as provas podiam ser validadas até ao dia 16, quando essa era afinal a data prevista para publicação da respectiva correcção!
Ponto 2. Porquê a divulgação parcial da correcção do segundo teste?
Na verdade não se consegue compreender a razão pela qual o júri pretenderá ocultar a correcção das quatro respostas finais. Das duas, uma: ou isto cheira a batota que tresanda ou, o que também parece plausível, o júri ainda não chegou a consenso quanto à solução para uma das quatro perguntas. Talvez a mais controversa seja a questão 22. Ou seja, "oração subordinada explicativa ou restritiva"? Hipótese B ou C?
Ponto 3. Há ainda as respostas dúplices que o júri aceita com a maior displicência. Tal é o caso de “serra” ou “Serra”.
Ponto 4. É notória a ligeireza com que se apresentam soluções que depois acabam por ser emendadas. Ou seja, fazem-se a cada passo, correcções das correcções!
Com estas e outras embrulhadas, que vêm sendo cometidas com maior ou menor frequência em todas as edições, como foi o caso do célebre substantivo “tecelã” que não foi aceite como feminino de “tecelão”, o Campeonato Nacional da Língua Portuguesa, que deveria pautar-se por uma organização de rigor, começa a resvalar para um desagradável e irreversível (esperemos que não) embuste.


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