Segunda-feira, 14 de Agosto de 2006
“Porque é que há guerra?”, “porque é que há incêndios?”
Lembrei-me destas perguntas ao ler o artigo de Rui Tavares no PÚBLICO deste sábado. Curiosamente, no mesmo fim-de-semana, “encontrei” a resposta (metaforicamente, entenda-se) nas Histórias Extraordinárias de Edgar Allan Poe (obra — e tradução — a que voltarei oportunamente):

Em teoria, nenhuma razão pode ser mais irracional, mas na prática não há nenhuma mais forte. Com certas mentes e em certas condições, chega a ser completamente irresistível. Estou tão certo de estar vivo como estou de que o mal ou o terror que conduz a um acto qualquer é, com frequência, a única força invencível que nos impele, sim, que nos impele exclusivamente a continuá-lo. Esta tendência imperiosa de fazer o mal pelo mal não admite análise nem resolução em problemas anteriores. É um impulso radical, primitivo, elementar.

Explicado? Não, falta falar-se dos dinheiros, das convicções religiosas... mas o que são estes, quando usados para o mal, mais do que um “impulso radical, primitivo, elementar”?
A raiva, motivada por qualquer que seja a causa, é um impulso radical, primitivo, elementar.
Há muitos exemplos que podia dar a propósito desta “irracionalidade”, principalmente no momento em que a ONU aprovou a resolução que prevê o fim das hostilidades no Líbano, que teima(va) em demorar — é uma guerra desencadeada politicamente: os dois soldados israelitas sequestrados valem mais do que os que já morreram? Valem mais do que civis inocentes? (A guerra no Líbano vai voltar a ser tema de artigo nesta página, só não sei é quando.)
Nos Annales, Tácito (um dos meus mestres) documenta o terror em diversos passos, mas, no meu entender, em nenhum está tão bem caracterizada a inocência — e a pergunta (inocente...) insistente — como naquele de que vou transcrever. No livro 5, capítulo 9, lemos a sorte dos filhos de Sejano que ainda não tinham sido castigados:
Foram levados para a prisão, estando o filho consciente do que estava iminente e a menina, tão ignorante, que perguntava incessantemente a causa do delito e para onde era levada. Dizia que não o voltaria a fazer e se não podia ser advertida com açoites, tal como os outros meninos. Historiadores deste tempo relatam-nos que, como era inédito o suplício de uma virgem, ela foi violada pelo carrasco, com a corda ao pescoço; depois, foram estrangulados, apenas crianças, e os seus corpos foram atirados pelas escadas Gemónias.

É uma guerra diferente, ainda que igualmente terrorífica: é a guerra voluntária, que tem como vencedora a barbárie.


publicado por Ricardo Nobre às 13:10 | referência | comentar

RÁDIO
TSF — Rádio Notícias (emissão directo)
BBC Radio 4 (emissão directo)
BBC World Service (emissão directo)
BBC Radio 3 (emissão directo)
BBC Radio 5 Live (emissão directo)
LIGAÇÕES DE REFERÊNCIA
Informação Geral
BBC News
The Guardian
Público
Times
Diário de Notícias


Cultura
The TLS
BBC | Entertainment & Arts
The Guardian | Culture
Telegraph | Culture
New York Times | Arts
DN | Artes
Ípsilon
El Mundo | Cultura
El País | Cultura
Público | Culturas
Le Monde| Culture

LITERATURA
Bibliotecas
Biblioteca Nacional de Portugal (Porbase)
The British Library
Library of Congress
Bibliothèque nationale de France (Opale)
Biblioteca Nacional de España
National Library of Scotland
Biblioteca da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (SIBUL)
Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra
University of Cambridge Library (Newton)
Oxford University Libraries (SOLO)
Harvard Libraries (HOLLIS)


Editoras
Cambridge University Press: Catálogo de Literatura; Catálogo de Estudos Clássicos
Oxford University Press: Catálogo de Literatura; Catálogo de Estudos Clássicos; More than Words (Oxford World’s Classics)
Routledge: Catálogo de Literatura; Catálogo de Estudos Clássicos
Penguin Books


Revista CLASSICA — Boletim de Pedagogia e Cultura

LÍNGUA PORTUGUESA
Vírgulas
Sujeito e Predicado

Vocativo

Oração Causal

Oração Concessiva

Oração Condicional

Oração Conformativa

Oração Final

Oração Proporcional

Oração Temporal


Uso do apóstrofo


Vocabulário estudado
à
Alcaida
contracto
contrato
de
de mais
demais
grama
majestoso
para
presidenta
sedear
sediar
se não
senão
seriação


Livro de Estilo

Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (1945)
Código de Redacção Interinstitucional
Dicionário da Língua Portuguesa (Priberam)
Dicionário da Língua Portuguesa (Porto Editora)
LX Conjugator (conjugação verbal)
MorDeb
Corpus do Português Europeu
Corpus do Português
Corpus Lexicográfico do Português
CETEMPúblico
Corpus Rede de Difusão Internacional do Português
Transliteração do Alfabeto Grego
Associação de Informação Terminológica
Acordo Ortográfico de 1990
Norma Portuguesa de Metrologia

APONTADORES
Bandeira ao Vento
Blogtailors: o blog da edição
Cadê o Revisor?
Detective Cantor
Lóbi do Chá
Memento…
Pesporrente
Português em Dia
Rascunho.net
Relógio D'Água Editores
A Senhora Sócrates
O Vermelho e o Negro
ARTIGOS RECENTES

PÚBLICO Menos

Novo PÚBLICO

Acordo na Faculdade de Le...

Acordo Ortográfico no CCB

Onde o latim acaba e o in...

Balanço de um colóquio

Diogo Infante deixa o D. ...

Memória curta

Também quero o subsídio e...

Governo de salvação nacio...

Quando os escritores não ...

Golpe de estado militar

TOMBO

Março 2012

Fevereiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Julho 2010

Junho 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

SUBSCREVER FEEDS