Domingo, 27 de Abril de 2008
Num momento de reflexão sobre a posição a tomar em face do Acordo Ortográfico de 1990, continuo a ler e a dar a ler opiniões (a favor e contra) sobre o documento que vai alterar a forma como escrevemos português. Um dos argumentos mais utilizados pelas duas polaridades é o recurso ao exemplo externo. Se não se pode comparar a realidade da língua inglesa (nas variantes britânica e americana, mas também australiana, sul-africana, entre diversas outras) com a da língua portuguesa (nomeadamente nas variantes europeia e sul-americana), também é verdade que se exigiria uma reflexão a partir desse exemplo, que remeto para outra oportunidade.
Gostaria de me centrar agora no caso francês.
O francês é a língua oficial (ou uma das língua oficiais) de França, Suíça, Bélgica, Canadá (Quebec), Luxemburgo, e do Haiti. É falada na ilha Maurícia, numa parte da Luisiana, e no Vanatu. É a língua de cultura comum em diversos estados africanos. Quer isto dizer que 120 milhões de pessoas falam francês.
A diversidade geográfica e cultural que se serve do francês obrigou à criação de meios académicos e científicos próprios (a famosa Academia Francesa) e de mecanismos políticos (um ministério da francofonia) com o objectivo de criar uma política de língua consistente, numa época em que o inglês remete esta importante língua de cultura para segundo plano (com tendência cada vez mais secundária), ainda que aufira de um estatuto (num âmbito mais teórico que prático) igual ao do inglês nas instituições internacionais.
É a Academia Francesa (criada em 1634 pelo cardeal Richelieu, como todos sabem) que tem como função conservar e aperfeiçoar o francês mediante a criação de um dicionário que regista, estuda, e ensina a língua. Também da responsabilidade da Academia é a correcção da grafia, o que aconteceu em meia dúzia de vezes ao longo da sua história — em 1694 (1.ª ed. do dicionário), 1718, 1740, 1762, 1798, 1835, 1878, e 1932–1935. As rectificações ortográficas propostas em 1975 não tiveram acolhimento, mas em 1989 o primeiro-ministro propôs um “melhoramento” da grafia (actualmente em vigor e que fez com que cent trois passasse a grafar-se cent-trois, por analogia com vingt-trois, que je céderai passasse a escrever-se je cèderai, ou que se retirasse o acento circunflexo de il plaît, entre outras alterações). Pretendeu-se atribuir à ortografia um carácter mais lógico e consistente, eliminando-se algumas excepções, tendo em vista facilitar a aprendizagem da língua, sem ferir a tradição ortográfica. Aliás, diz o Dictionnaire Hachette (ed. 2003), 1759, “No momento em que o estudo do latim e do grego não abarca mais do que uma minoria de alunos, parece necessário recordar o papel destas línguas para um conhecimento aprofundado da língua francesa, da sua história e da sua ortografia (...). De facto, o sistema gráfico do francês é essencialmente baseado na história da língua”. As modificações agora em vigor toleram integralmente a grafia anterior, uma vez que se reconhece o valor afectivo da grafia e o direito de produção poética e literária (não se prevê, pois, alterar as edições dos autores que escreveram inseridos noutro sistema ortográfico).
Refira-se ainda que “[t]oda a reforma do sistema da ortografia está excluída: ninguém poderá afirmar sem ingenuidade que se possa tornar «simples» a grafia da nossa língua (...).” Admite-se, pelo contrário que as “muitas irregularidades que são a marca da história não podem ser suprimidas sem mutilar a nossa produção escrita.”
Finalmente, sublinho que nenhuma das alterações realizadas ou propostas pretendia a conciliação das variantes da língua, que parecem seguir a da Academia.

NB: As traduções do dicionário são de minha autoria.


publicado por Ricardo Nobre às 10:55 | referência | comentar

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